ESTADO LAICO5

Democracia só existe com Laicidade

“Bancada Cristã” avança no Congresso enquanto partidos progressistas esquecem movimentos sociais e cortejam lideranças religiosas.
Resistência cresce, mas espaço cívico está ameaçado. Feministas alertam:
sem Estado laico, não há democracia real

Centenas de encapuzados tentaram invadir a sede do governo mexicano no sábado. Diziam representar a “geração Z” e pediam “segurança” ao estilo Bukele. Sua ação deixa ainda mais clara a estratégia política dos ultraconservadores e dos EUA para a América Latina

 

 

OutrasPalavras

Publicado 17/11/2025 às 12:34 - Atualizado 17/11/2025 às 12:56

 
Total de mortes criminosas no México. Em vermelho, homicídios intencionais; em rosa, culposos; em preto, feminicídios; em cinza, desaparecimentos. Repare a queda, após a posse de Claudia Sheinbaum
 

Em menos de um ano desde a posse de Claudia na Presidência, o índice de homicídios já caiu algo entre 14% (segundo os cálculos de Economist) e 32% (conforme o cômputo do governo) – veja o gráfico acima. Ainda assim, permanece alto, como na maior parte da América Latina. A média nacional foi, em 2023, de 24 assassinatos para cada 100 mil habitantes – ligeiramente superior à brasileira (21,2/100.00, no mesmo ano).

Uma estratégia para toda a América Latina

Ampliam-se os sinais de que explorar a insegurança gerada pelo crime passou a ser, na região, a principal estratégia política e eleitoral das correntes de direita e ultradireita. A tendência começa nos Estados Unidos, e em suas pressões militares contra a Venezuela, a pretexto de combater o tráfico de fentanyl. Mas espalha-se por El Salvador (com Bukele), Colômbia (também acossada de Washington), Equador (onde o presidente Daniel Noboa reelegeu-se com base no tema, mas acaba de perder um plebiscito relacionado a ele), Chile (cujos índices de violência são baixíssimos e ainda assim o assunto é usado como espantalho junto à opinião pública) e outros países.

O fato de a onda ter chegado ao México – de forma virulenta e planejada, apesar da enorme popularidade de Cláudia Sheinbaum –, revela como os ultraconservadores apostam nela. E volta a acender os sinais de alerta no Brasil, onde já está claro que brandir o fantasma do medo será o principal trunfo de todas as direitas em 2026. As distintas formas de enfrentar a ameaça são assunto crucial, que fica reservado para outra análise, em breve.

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