Em 26 de março de 2025 foi iniciado o Laboratório Organizacional Feminista de Território para Sustentação da Vida da Região Metropolitana de Salvador reunindo coletivos, agrupamentos e organizações que compõem a Rede de Mulheres Negras da Bahia. Foi uma experiência potente e transformadora na vida de 43 mulheres, das facilitadoras e das integrantes das organizações que coordenaram. Agora, em 21 de dezembro esse Laboratório concluiu uma fase de organização econômica das mulheres dos territórios envolvidos.
Azânia Leiro e Gabriela Fidelis

No dia 21 de dezembro de 2025, realizamos o encontro de encerramento do 1º Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida, com café da manhã e lanche coletivo, na Casa Sagrada das Sambadeiras do Parque São Paulo, localizada em Lauro de Freitas (BA). Este momento marcou o fechamento de um ciclo e, ao mesmo tempo, a abertura de novos caminhos e possibilidades para a sustentação da vida nos territórios de Salvador e Lauro de Freitas, reafirmando a continuidade das iniciativas coletivas e autogestionárias de mulheres iniciadas ao longo do processo do laboratório, iniciado em março de 2025.
O laboratório reuniu mulheres negras, periféricas, ativistas, trabalhadoras e lideranças comunitárias, que ao longo de nove meses de caminhada coletiva vivenciaram experiências presenciais e virtuais de autogestão, cooperação feminista, autocuidado e cuidado coletivo. O percurso formativo foi estruturado a partir de trilhas que fortaleceram metodologias organizativas, a estruturação e o funcionamento de cooperativas de mulheres, bem como a elaboração e o aprimoramento de projetos sociais e econômicos comprometidos com a sustentação da vida e o bem viver.
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Durante o processo, realizamos um período de acompanhamento das atividades econômicas, com foco na organização mais estruturada da base física e organizativa dos empreendimentos, no fortalecimento das habilidades de gestão, no aprimoramento dos projetos sociais e econômicos e no desenvolvimento de técnicas específicas conforme cada iniciativa. Esse acompanhamento também possibilitou a definição de modelos de negócio alinhados aos princípios que orientaram todo o percurso, como a cooperação, a autogestão, o autocuidado, o cuidado coletivo e o compromisso com o bem viver, contribuindo para o fortalecimento da autonomia das participantes e para a construção de iniciativas econômicas enraizadas nos territórios.
Encerramos o processo laboratorial com quatro atividades econômicas cocriadas e semiestruturadas, que seguem com autonomia para avançar em seus processos de formalização, sendo elas: Turismo Comunitário Urbano; Cooper Artes (Moda); Sabor e Saúde (Alimentação); e Elas Produções e Artes (Produção Cultural). Essas iniciativas expressam não apenas empreendimentos econômicos, mas projetos políticos de enfrentamento às desigualdades de gênero, raça e classe, reafirmando o trabalho coletivo como estratégia de geração de renda, fortalecimento comunitário e resistência às lógicas capitalistas, patriarcais e racistas.
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O encontro de encerramento foi aberto com uma roda terapêutica intitulada “Entendendo o meu Eu”, que contou com a prática de meditação tibetana e a construção de um espaço seguro de escuta, reflexão e autoconhecimento. Em seguida, partilhamos uma vivência de integração e fortalecimento coletivo, marcada pela leitura de uma carta construída pelo grupo, trazendo agradecimentos, reconhecimentos, reflexões sobre os desafios enfrentados e os aprendizados ao longo do processo.
Finalizamos com uma rodada de avaliação e fechamento do ciclo, reafirmando a centralidade do autocuidado e do cuidado coletivo como práticas políticas indispensáveis. O percurso do laboratório possibilitou uma maior consciência coletiva sobre limites, cansaços e sobrecargas vivenciadas por mulheres ativistas, especialmente em contextos de organização verticalizada. Ao mesmo tempo, evidenciou que a proposta política da autogestão, fundamentada em princípios de horizontalidade e circularidade, fortalece estruturalmente as organizações e a luta das mulheres por um mundo livre das violências raciais e de gênero.
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O encerramento deste 1º Laboratório Organizacional Feminista não representa um fim, mas a consolidação de uma experiência metodológica e política que deixa como legado vínculos fortalecidos, práticas coletivas, metodologias vivas e iniciativas econômicas em continuidade. As sementes plantadas ao longo desse processo seguem germinando nos territórios, reafirmando a sustentação da vida como horizonte político e a organização coletiva das mulheres como caminho de transformação social.
O Cfemea agradece todas as 43 participantes e seus respectivos coletivos pela experiencia cheia de aprendizado, confiança, crescimento coletivo e experiencia que fortalece a estratégia dos territórios de cuidado, luta e sustentação da vida a partir dos laboratórios organizacionais feministas que estamos cocriando com as parceiras desta iniciativa, coletivos, movimentos e organizações feministas e de mulheres, todas juntas!












