Ela espera que a medida possa ser revertida no Senado

Deputada também comenta sobre os próximos passos na luta pelo fim da escala 6x1 e ida de Guilherme Boulos para o governo federal - Lula Marques/Agência Brasil
Para a deputada federal Erika Hilton (Psol), a aprovação, por 317 votos a 111, na Câmara dos Deputados, do projeto de Decreto Legislativo (PDL) 03, que dificulta a realização de abortos em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, é mais uma comprovação de que o legislativo federal está cumprindo um papel distante dos verdadeiros interesses populares.
Ela espera que a medida possa ser revertida no Senado, a partir da mobilização, por parte da sociedade, contrária ao PDL, que susta uma decisão do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre o tema. O Ministério das Mulheres e diversos especialistas já alertam que a mudança pode acentuar um cenário já preocupante no Brasil. Entre 2013 e 2023, por exemplo, o país registrou mais de 232 mil nascimentos de mães com até 14 anos.
“Nós estamos vendo o Congresso Nacional criar mais um calvário na vida dessas crianças. Um congresso majoritariamente masculino, que não se debruça para legislar dignidade, proteção, enfrentamento à cultura de estupro da sociedade brasileira, mas que se sente autorizado a legislar sobre o corpo de determinadas pessoas que são vitimadas pela violência no Brasil. Esse é o Congresso Brasileiro, o Congresso da PEC da Bandidagem, o Congresso da PEC do Estupro”, enfatiza Hilton, ao Conversa Bem Viver.
A deputada também comenta sobre os próximos passos na luta pelo fim da escala seis por um, a ida de Guilherme Boulos para o governo federal, a eleição de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York e a indicação de Bad Bunny para o Grammy de 2026.
Confira a entrevista completa:
Brasil de Fato – Como você avalia a aprovação do PDL que dificulta a realização de abortos em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual?
Erika Hilton – Nós estamos nos mobilizando desde o momento em que esse projeto entrou na pauta. E ele ficou bastante dias na pauta até ser votado. Eu chamei a todos nas redes sociais para que hoje nós pudéssemos amanhecer com uma campanha e nós conseguimos nos manter no primeiro e no segundo assuntos mais comentados do Twitter durante todo dia.
Temos feito campanhas com organizações e entidades da sociedade civil para alertar sobre mais um episódio de monstruosidade praticado pelo Congresso Nacional contra a vida de meninas vitimadas por estupro, muitas vezes dentro de suas próprias casas, que não poderão ser assistidas.
É importante denunciarmos o retrocesso do Congresso Brasileiro em 2025, que quer interferir em uma legislação que permite com que essas jovens, com que essas crianças, não precisem levar adiante a gravidez fruto de estupro. Essa resolução trata de um atendimento humanizado, acolhedor, respeitoso, promovido por profissionais bem preparados, para que essas crianças não sejam ‘re-estupradas’, não sejam ‘revitimizadas’ na hora de buscarem um atendimento de saúde.
Nós estamos vendo o Congresso Nacional criar mais um calvário na vida dessas crianças. Um congresso majoritariamente masculino, que não se debruça para legislar dignidade, proteção, enfrentamento à cultura de estupro da sociedade brasileira, mas que se sente autorizado a legislar sobre o corpo de determinadas pessoas que são vitimadas pela violência no Brasil. Esse é o Congresso Brasileiro, o Congresso da PEC da Bandidagem, o Congresso da PEC do Estupro.
Nós estamos em campanha, nos mobilizando internamente, mas externamente também, para lembrar: criança não é mãe, estuprador não é pai, vítimas de estupro merecem respeito, acolhimento e todo tipo de assistência para garantir que suas vidas possam ser continuadas. Obrigar que uma criança leve o fruto de um estupro e se torne mãe aos 14 anos de idade ou menos é cruel, nojento e perverso.
Existe alguma mobilização para tentar barrar a proposta no Senado Federal?
Nós estamos articulando com os senadores para tentar barrar o PDL no Senado Federal, que é para onde o texto foi encaminhado. Me chamou muito a atenção, por exemplo, a ausência do presidente Hugo Motta e de outros líderes partidários importantes nesse momento. Me parece que alguns deputados escolheram não deixar as suas digitais nessa monstruosidade. Isso cria um sentimento, porque muitas pessoas podem falar: “ah, estava viajando”. Mas nada é por acaso.
Nós temos uma matéria importantíssima como essa e a ausência de alguns deputados significa, na minha análise, que eles evitaram deixar suas digitais, o que nos abre um caminho de compreensão de que esse não é um tema consensual na sociedade brasileira, mesmo em alas conservadoras, mesmo em espectros mais à direita.
Por isso, a nossa mobilização e a nossa esperança permanecem na articulação e no diálogo que nós já iniciamos junto aos senadores. Foi o Senado que barrou o absurdo da PEC da Bandidagem, muito recentemente. O Congresso Federal está descarado. A Câmara dos Deputados está descaracterizada. A Câmara está sem pudor para votar e legislar em agendas antipopulares, em agendas que massacram, que penalizam, que violentam a população.
E o Senado, por ser um voto majoritário, tem sido esse fiel da balança, porque precisa aglutinar os interesses da maior parte da sociedade e não apenas ficar acenando para um ou outro, para uma ou outra ala. O Senado precisa entender o sentimento do conjunto da sociedade, porque o senador é um voto majoritário e isso faz com que os senadores coloquem mais a mão na consciência.
Os deputados agem sem pudor e sem respeito ao Brasil e, por isso, a nossa esperança tem sido na articulação que começamos nas redes sociais para conscientizar, sensibilizar e conclamar o conjunto da sociedade a se organizar conosco.
Como você avalia a ida de Guilherme Boulos para o Governo Federal e o que podemos esperar para 2026?
Guilherme Boulos, mais do que um colega de bancada, é um amigo pessoal e fazemos parte do mesmo grupo político internamente no Psol. Nós já estávamos acompanhando as mobilizações em torno dessa possibilidade de ida para o governo e não foi nenhuma surpresa quando a nomeação foi concretizada.
Já havia uma expectativa, conversas de bastidores, encontros com o presidente Lula para que isso se tornasse possível. E nós recebemos essa notícia com muita alegria. Achamos que o Guilherme Boulos fará um trabalho essencial junto ao governo e com os movimentos sociais, garantindo que as pautas essenciais aos movimentos e ao povo brasileiro estejam sempre na ordem do dia, na prioridade do governo federal.
Nosso partido também ganha mais um ministério dentro do governo, fortalecendo as nossas articulações com o Palácio do Planalto e engrandecendo o Psol, que vem crescendo cada vez mais. Nessa toada de crescimento, surge o meu nome, que chegou à Câmara dos Deputados com uma votação para um primeiro mandato bastante expressiva. Graças ao meu trabalho, à articulação da minha equipe, às pautas que eu venho tocando, nós conseguimos quebrar algumas bolhas.
As pessoas talvez achassem que eu ficaria restrita a debater temas e temáticas estereotipadas e eu mostrei que tenho trabalho, que tenho projeto, que tenho uma articulação, que tenho uma entrega e que supero muitas vezes as expectativas do preconceito e da intolerância que insiste em me enquadrar. Isso, com certeza, trará bons frutos para 2026 para o Psol em São Paulo.
Nós temos sim a avaliação de que eu me torne uma puxadora de votos aqui no estado de São Paulo e que podemos fazer uma campanha que aumente a minha votação exponencialmente e ajude também com que outras figuras possam ocupar as vagas que vão surgindo, por exemplo, a vaga do deputado Guilherme Boulos, agora ministro.
Muito provavelmente, a vaga dele deve ser ocupada por alguém que ele vá indicar e ajudar a construir, que, no primeiro momento, me parece que será a sua esposa, uma liderança forte e articulada do nosso partido, Natália Boulos.
Zohran Mamdani foi eleito para a prefeitura de Nova York, um político completamente contrário à figura de Donald Trump, com intenções socialistas. Isso pode reverberar no Brasil?
Muito provavelmente reverbere. Quando a extrema direita vai disputar o poder, eles apresentam soluções simples para problemas complexos e brincam com o medo e a desinformação. Quando tomam o poder, as pessoas começam a perceber que eles são muito mais promovedores do caos e da desordem do que de fato da organização daquilo que eles colocam.
E isso cria um alerta. A eleição em Nova York, uma cidade tão importante dos Estados Unidos, com uma figura emblemática, como é a figura do prefeito eleito, demonstra que os olhos dos americanos, dos estadunidenses, estão se abrindo e que isso tende a avançar.
A própria gestão Milei, na Argentina, mesmo que tenha conseguido dar uma recuperada nas eleições recentes, tem gerado infelicidades no país. A grande maioria tem questionado as ações da extrema direita, tem se sentido insatisfeita.
O Brasil passou por um período recente muito peculiar e parecido com o que está sendo a gestão Trump nos Estados Unidos, com negacionismo, violação de direitos humanos e massacre às minorias sociais. Nós limpamos o Brasil dessa toada e o presidente Lula chega para sua reeleição muito forte, muito bem posicionado. Então, eu acho que sim, essa onda, essa primavera socialista, que tomou Nova York, deve também trazer flores bonitas para o nosso país.
Recentemente houve um encontro entre a senhora e o ministro Fernando Haddad para discutir o fim da escala 6 por 1. Essa pauta deve ganhar ainda mais fôlego após a aprovação das mudanças no Imposto de Renda?
Eu acho que sim, pelas conversas que tive com Gleisi Hoffmann, com Simone Tebet, com o próprio Haddad, etc. Na semana que voltarmos da COP, devo me reunir com o ministro Márcio França. Nós estamos fazendo esse percurso todo na Esplanada dos Ministérios. Estivemos também com a Ministra de Direitos Humanos. Nós queremos ouvir de todas as pastas como ela tem enxergado essa pauta e pedir o apoio nas articulações junto ao governo, mas também no subsídio de números, de dados, de métodos, para que nós possamos deixar o texto redondo, de pé, organizado e pronto para ser votado.
A minha conversa com o ministro Fernando Haddad foi muito produtiva e ele apontou muitos caminhos, falou de estudos que estão sendo produzidos. Eu acho que agora o governo está entendendo que essa é uma pauta importante para o Brasil, para a classe trabalhadora, mas também é uma pauta fundamental para a reeleição do presidente Lula. Entregou a isenção no Imposto de Renda e agora vai entregar tempo de descanso. Veja o quanto uma coisa está ligada à outra e consagra o presidente Lula como um presidente preocupado em dar dignidade às camadas mais pobres e vulneráveis da sociedade brasileira.
O consagra como um presidente que está olhando para as condições de trabalho, que está olhando para o sistema tributário e está buscando encontrar equilíbrio e justiça. Nós vivemos um período muito longo de injustiça tributária e de uma carga de trabalho muito violenta, que ficou conhecida como a “modernização da escravidão”, quando você tem um dia, entre aspas, para descanso.
Então, acho que estamos em um momento muito propício. A conversa foi muito animadora e volto a dizer, não só com o ministro Fernando Haddad, nos outros ministérios, nós também realizamos conversas muito boas. A conversa com a ministra Simone Tebet foi essencial. Nós ainda estamos em números estimados e incipientes, mas já há um debruçar do governo para que nós, a partir das pontas soltas que eu vou apresentando, possamos entender como é que nós vamos amarrá-las.
Bad Bunny se tornou o primeiro artista a cantar em espanhol indicado nas três categorias principais do Grammy de 2026. Qual é a importância desse reconhecimento?
A arte tem por essência ser disruptiva, ser rebelde e comunicar coisas que os fascistas odeiam. O Bad Bunny foi uma figura que saiu com a sua turnê não querendo ir aos Estados Unidos porque não queria que o seu show fosse um espaço para que o governo buscasse imigrantes, prendesse e fizesse todas aquelas cenas horríveis que nós assistimos com a questão da imigração nos Estados Unidos.
É uma premiação que eu gosto muito, prefiro Grammy ao Oscar, porque sou muito mais da música do que dos filmes. Sempre acompanho, amo muitos artistas, e é muito legal ver que um artista latino como Bad Bunny, que faz o trabalho que faz, que fala da maneira como fala, que se porta e se apresenta como se porta, esteja indicado nas três principais categorias.
Isso demonstra que a arte é libertadora, que a arte cria um recado, e que nós, quando estamos diante de uma atmosfera cinzenta, de intolerância, de ódio e de sufocamento, respiramos através da cultura, através da arte. A arte consegue expressar angústias, dores, medos e verdades que são fundamentais. E essa indicação do Bad Bunny é completamente merecida.
Eu espero que ele leve a estatueta e que essa estatueta ganhada dentro dos Estados Unidos possa simbolizar, assim como a eleição do prefeito de Nova York, uma libertação contra essa cultura anti-imigrante, antipopulação negra, anti qualquer tipo de identidade humana. Que o Bad Bunny possa, com a sua música, com a sua figura, com o seu talento e com a sua arte, renovar os conceitos culturais também nos Estados Unidos.
Conversa Bem Viver

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