Familiares de Marielle Franco falam ao lado de apoiadores no dia do julgamento dos assassinos da ativista, Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2024

Familiares de Marielle Franco falam ao lado de apoiadores no dia do julgamento dos assassinos da ativista, Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2024

— Solon Neto/Alma Preta

Thayná Santana

 
 - Alma Preta

O Instituto Marielle Franco (IMF) acionou, na segunda-feira (26), a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para comunicar a realização do julgamento dos acusados de planejar o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, marcado para os dias 24 e 25 de fevereiro, no Supremo Tribunal Federal (STF), além de destacar a relevância histórica do processo.

Respondem como réus o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos Brazão. Todos os acusados estão presos.

Foram enviados documentos a mais de 15 organismos internacionais de direitos humanos, em ação conduzida por Luyara Franco, filha de Marielle Franco e diretora-executiva do instituto. A iniciativa integra a estratégia de incidência nacional e internacional do IMF em torno de um processo considerado decisivo para a democracia brasileira.

Para Franco, o envio dos documentos contribui para dar visibilidade ao caso, e a decisão do STF terá impacto não apenas no Brasil, como também poderá servir de referência internacional no enfrentamento à impunidade.

“Comunicar os organismos internacionais é afirmar que este caso ultrapassa fronteiras e que a democracia brasileira está sendo colocada à prova. A condenação dos mandantes é o que pode romper um ciclo histórico de impunidade. A responsabilização de quem mandou matar minha mãe e o Anderson é condição fundamental para o compromisso do país com a verdade, a justiça e a memória”, afirma a diretora-executiva em comunicado à imprensa.

Segundo o instituto, o documento ressaltou que o caso de Marielle e Anderson se tornou emblemático em termos de violência política, especialmente contra mulheres negras e defensoras de direitos humanos, área na qual a vereadora atuava. O processo também representa um marco histórico por expressar a resposta do Estado brasileiro a um crime político cometido para silenciar uma mulher negra eleita e um trabalhador.

O julgamento ocorre no ano em que se completam dez anos da eleição de Marielle Franco e após quase oito anos de espera pela responsabilização dos mandantes do crime, ocorrido em 14 de março de 2018.

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