Guterres lamenta decisão dos EUA de abandonar dezenas de agências e órgãos da ONU

Medida, anunciada pela Casa Branca, inclui retirada do Conselho Econômico e Social da ONU, Ecosoc, ONU Mulheres, Fundo para Democracia e Universidade da ONU; para secretário-geral, contribuição financeira à organização é uma obrigação legal de todos os Estados-membros.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou a decisão dos Estados Unidos de abandonar dezenas de agências, órgãos, tratados e convenções da ONU numa ação do presidente Donald Trump que inclui mais de 60 organizações internacionais.
O porta-voz de Guterres, Stephane Dujarric, afirmou que as contribuições financeiras para as Nações Unidas são, de acordo com a Carta da ONU, uma obrigação legal de cada Estado-membro incluindo os Estados Unidos. A nota de Guterres inclui que as Nações Unidas seguirão trabalhando e implementando os mandatos com determinação.
Ordem executiva
Ao ser perguntado por uma jornalista como um país pode se desligar do Departamento Econômico e Social, da ONU, que é um dos seis órgãos da organização.

Dujarric afirmou que a pergunta deve ser feita ao Estados-membro que decidiu se retirar.
A informação sobre a saída das agências e departamentos das Nações Unidas foi divulgada na página da Casa Branca, no fim da tarde de quarta-feira, através de uma ordem executiva enviada ao Secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Operações de Paz
Ao responder a jornalista, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric, reiterou que as contribuições financeiras para o orçamento regular e as operações de manutenção da paz não são uma opção, mas uma obrigação.
A lista de agências da ONU das quais os Estados Unidos deixam de participar inclui a Aliança das Civilizações, a Comissão de Consolidação da Paz, o Fórum Permanente para Pessoas de Descendência Africana, o Fundo de População das Nações Unidas e a Agência para Comércio e Desenvolvimento, Unctad, dentre outras.
A ONU ainda não recebeu uma comunicação formal dos Estados Unidos sobre a decisão de retirada das dezenas de entidades anunciadas e deve ser manifestar por escrito assim que obtiver a informação.
De acordo com o porta-voz do secretário-geral, os Estados Unidos não pagaram sua contribuição anual em 2025, e que baseado no artigo 19 da Carta das Nações Unidas, o país pode perder o direito ao voto na Assembleia Geral da organização.
fonte: https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852019

A matéria a seguir foi publicada em maio de 2025 ... naquele momento o governo Trump comunicava que estava realizando um corte absurdo nos recursos destinados às Nações Unidas, que atingiam diretamente os programas relacionados à proteção das mulheres e à saúde reprodutiva. Agora está completando a tragédia, que atingirá a vida de milhares de mulheres.
Metade das ONGs que atendem mulheres pode fechar as portas
13 de maio de 2025Um relatório da agência das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres constatou que cortes no financiamento de ajuda humanitária internacional devem fechar as portas de metade das organizações que atendem mulheres em situação de vulnerabilidade em todo o mundo.
Segundo a ONU Mulheres, a redução da verba deve afetar 90% de 411 ONGs que atuam em 44 países em situação de crise e conflito. Metade delas corre o risco de encerrar o atendimento nos próximos seis meses. O relatório foi divulgado nesta terça-feira (13/05).
O financiamento dessas organizações reduziu drasticamente após o presidente dos EUA, Donald Trump, suspender a distribuição de bilhões de dólares em programas de ajuda humanitária e desmantelar a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).
A agenda trumpista "America First" já atingiu entidades em todo o mundo, incluindo o Brasil, em áreas como saúde, assistência a imigrantes e meio ambiente. Em fevereiro, a diretora da Fundação Desmond Tutu para o HIV, Linda Gail Bekker, por exemplo, estimou que os cortes podem causar 500 mil mortes na próxima década.
Até Trump assumir o cargo, os Estados Unidos eram o maior distribuidor de ajuda humanitária do mundo, mas outros doadores internacionais também reduziram o financiamento.
"Muitas organizações de mulheres estão agora sendo levadas ao limite", disse Sofia Calltorp, diretora do escritório da ONU Mulheres em Genebra. Segundo ela, o movimento americano enxugou o orçamento da instituição em 40 milhões de dólares (R$ 225 milhões), impactando diretamente o financiamento de projetos que atendem mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade.
No Afeganistão, por exemplo, unidades de saúde feminina foram fechadas pela falta de recursos, o que faz com que mulheres agora precisem caminhar por horas para ter acesso a serviços básicos de saúde.
Também na Ucrânia, mais de 70% das organizações de mulheres relataram interrupções e muitas suspenderam os abrigos, a assistência jurídica e o apoio psicológico para os sobreviventes do conflito, disse Calltorp.
Segundo o relatório, 62% das organizações pesquisadas já reduziram seus serviços. As mais impactadas são entidades que lidam com violência de gênero, seguidas por ONGs que promovem assistência médica e meios de sobrevivência.

Verba para operações de paz
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta terça-feira que as operações de manutenção de paz também estarão em risco se os Estados não "respeitarem suas obrigações financeiras".
Falando em uma cúpula ministerial em Berlim que discute as missões de paz, Guterres afirmou que "estes são tempos difíceis para o financiamento do nosso trabalho em todos os setores". "Infelizmente, as operações de manutenção da paz estão enfrentando sérios problemas de liquidez. É absolutamente essencial que todos os Estados membros respeitem suas obrigações financeiras, pagando suas contribuições integralmente e dentro do prazo", disse.
O apelo foi feito um dia depois de ele alertar que seriam necessárias "mudanças dolorosas" para lidar com as restrições orçamentárias impostas pelo governo americano.
O departamento de manutenção da paz das Nações Unidas lidera atualmente 11 operações em países como Congo, República Centro-Africana, Sudão do Sul, Líbano, Chipre e Kosovo. O orçamento para nove dessas missões durante o ano fiscal que termina em 30 de junho totaliza 5,6 bilhões de dólares (R$ 31 bilhões), 8,2% a menos do que no ano anterior.
O Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, prometeu que o país está preparado para alocar recursos adicionais para a manutenção da paz, desde que as missões sejam mais eficientes e focadas.
gq/bl (Reuters, AFP, ots, DW)






