Levantamento do Ministério da Justiça mostra que no ano passado foram registrados 1.470 homicídios resultantes da violência de gênero. São Paulo está no topo da lista, seguido de Minas Gerais e Rio de Janeiro

 

07/12/2025 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF -  Manifestação contra o feminicidio.  -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

07/12/2025 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Manifestação contra o feminicidio. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

Uma média de quatro mulheres assassinadas por dia e um total de 1.470 homicídios resultantes da violência de gênero. Este é o balanço do feminicídio em 2025, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com base em dados reunidos pelo Sistema Nacional de Segurança Pública (Sinesp). Na comparação com 2024, os números do ano passado são um aumento de 0,41% em relação ao ano passado. Tal avanço é um recorde na morte de mulheres vitimadas pela brutalidade de maridos, companheiros, filhos e pais.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Estes números, porém, devem aumentar. Isso porque falta atualizar as informações de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo relativas a de dezembro.

No total, 15 estados tiveram aumento nos casos de feminicídio de 2024 para 2025. São Paulo está no topo da lista dos feminicídios, com 233 casos. Minas Gerais (139), Rio de Janeiro (104) e Bahia (103) vêm na sequência. Em média, foram assassinadas 1.345 mulheres em 10 anos — ao todo, 13.448 foram mortas nesse período pelo simples fato de serem mulheres.

O Código Penal passou a tipificar o feminicídio no Brasil em 2015 e refere-se a crimes cometidos contra elas em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados pela misoginia. A advogada criminalista Giovanna Guerra diz que a Lei 14.994/2024 alterou a versão de 11 anos atrás, tornando o feminicídio um delito cuja pena vai de 20 a 40 anos de prisão, maior do que a do homicídio qualificado comum.

"Além disso, a lei prevê aumento da pena em situações ainda mais graves. Isso ocorre, por exemplo, quando o crime é praticado durante a gestação, nos três meses após o parto ou quando a vítima é mãe ou responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência", salientou.

Giovanna explica que o que difere o homícidio do feminicídio é o motivo por trás do crime. No primeiro, a vítima é assassinada independente de quem seja. No segundo, ela é morta pelo simples fasto de ser mulher. "A Lei do Feminicídio representa que o Estado encontrou uma forma de reconhecer que muitas mulheres são mortas dentro de um ciclo de violência contínua. E pretende punir com mais rigor esse crime, que se relaciona ao comportamento machista de muitos homens", explicou.

O levantamento do Sinesp mostra, ainda, que as tentativas de feminicídios foram 3.702 em 2025, o equivalente a 10 mulheres vitimadas por dia. São Paulo está na frente da estatística, com 677 registros. Em seguida, vêm Grande do Sul e Bahia com 264 e 254, respectivamente. Na comparação com 2024, os dados do ano passado aumentaram 16,23% — mas esses núimeros devem subir com a atualização dos dados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo.

Ciclo violento

De acordo com criminalista Leonardo Tajaribe Jr., o feminicídio jamais surge de forma abrupta. Costuma ser o resultado final de uma escalada de violência assim dividida: aumento da tensão (ofensas verbais, crises de ciúme e destruição de objetos), ato de violência (agressão física, sexual ou psicológica grave) e "lua de mel" (o agressor pede perdão, mostra-se arrependido e promete mudar; com o tempo, essa fase desaparece e as agressões tornam-se frequentes).

"A vítima de violência doméstica e familiar deve procurar um advogado criminalista assim que identificar sinais consistentes de risco, ainda que não haja agressão física consumada. A violência psicológica, ameaças reiteradas, perseguição, controle excessivo ou medo concreto justificam uma orientação técnica imediatamente. Por isso, a intervenção técnica precoce é um fator de proteção real, e não meramente formal", advertiu.

O advogado cita algumas medidas para prevenir que uma mulher torne-se vítima de feminicídio. "O registro adequado da ocorrência, a preservação de provas (mensagens, áudios, testemunhas), o pedido imediato de medidas protetivas de urgência — como afastamento do agressor, proibição de contato e apreensão de armas — e o fortalecimento de uma rede de apoio, são medidas que, quando acionadas no momento adequado, reduzem significativamente o risco de letalidade nas agressões contra a mulher", disse.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam a maioria dos casos ocorre dentro da própria residência da vítima. Em cerca de 90% dos casos, o autor é o parceiro ou ex-parceiro íntimo. O uso de armas brancas (facas) e asfixia é muito comum, evidenciando a proximidade e a crueldade do agressor.

Para denunciar e buscar ajuda, existem canais específicos: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher — serviço gratuito e anônimo que oferece orientação e encaminhamento para serviços de proteção); Ligue 190 (Polícia Militar — para situações de emergência e flagrante); Delegacias da Mulher (Deam — unidades especializadas no atendimento a vítimas de violência doméstica); e  Medidas protetivas (podem ser solicitadas para impedir que o agressor se aproxime da vítima, mesmo sem a existência de um processo criminal finalizado).

*Estagiário sob a supervisão de Fabio Grecchi

 
fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/01/7337130-feminicidio-e-recorde-em-2025-com-quatro-mortes-por-dia.html

 

Brasil bate recorde de feminicídios em 2025 e tem ao menos 4 assassinatos de mulheres por dia

mcm_5823_0

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

20 de janeiro, 2026 Folha de S. Paulo Por Raquel Lopes

  • Foram 1.470 casos no ano passado, a maior quantidade registrada em dez anos
  • Dados ainda vão crescer com a chegada de informações referentes a dezembro de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo

O Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025, com ao menos 1.470 ocorrências em todo o país, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde a tipificação do crime, em 2015, 13.448 mulheres foram vítimas no território nacional.

Os registros de 2025 superam os 1.459 contabilizados em 2024 (um aumento de ao menos 0,41%) e são os maiores em dez anos. Os dados, entretanto, ainda devem subir, uma vez que Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo ainda não enviaram os dados referentes aos crimes de dezembro.

Ainda assim, os números do ano passado representam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.

No total, 15 estados tiveram crescimento nos casos de feminicídio entre 2024 e 2025. Estados do Norte e do Nordeste concentram as maiores altas percentuais. Em contraste, 11 estados registraram redução no número de ocorrências em 2025.

A Lei do Feminicídio alterou o Código Penal e passou a tipificar esse crime no Brasil em 9 de março de 2015. A legislação abrange assassinatos de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.

Em 2024, o crime cometido contra mulheres por razões de gênero deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser tipificado como um crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão.

Quando há agravantes, a pena pode chegar a 60 anos, tornando o feminicídio o crime com a maior punição prevista atualmente no Brasil.

Conhecida como Pacote Antifeminicídio, a lei aumenta as penas para crimes cometidos em contexto de violência contra a mulher motivado por questões de gênero, promovendo mudanças na Lei Maria da Penha, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal.

Neste mês, o presidente Lula (PT) sancionou uma lei que instituiu o dia 17 de outubro como a data nacional de luto e de memória às mulheres vítimas de feminicídio.

A escolha do dia faz referência ao momento em que Eloá Cristina Pimentel foi atingida por uma bala na cabeça e outra na virilha por seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, em 2008.

Ela tinha 15 anos e foi mantida refém por mais de cem horas por Lindemberg, que à época tinha 22 anos, em um apartamento em Santo André (SP). Lindemberg estava inconformado com o fim da relação de três anos com Eloá e invadiu o apartamento onde a jovem estudava.

O rapaz estava inconformado com o fim da relação de três anos com a Eloá e invadiu o apartamento onde a ex-namorada estudava. Os disparos foram feitos quando a polícia entrou no apartamento.

No ano passado, um crime que chocou o país foi de Tainara Souza Santos, 31, atropelada e arrastada por um quilômetro por Douglas Alves da Silva em novembro.

O atropelamento ocorreu no Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo. O motorista atingiu Tainara com um Golf preto em uma avenida que dá acesso à marginal Tietê e continuou dirigindo mesmo com o corpo dela preso ao veículo.

Após o atropelamento, Tainara teve as duas pernas amputadas e passou por cinco cirurgias para ajudar na reconstrução das lesões geradas pelas amputações. Devido à complexidade dos ferimentos, a vítima ficou intubada desde o dia do acidente. Ela morreu em dezembro.

Acesse a matéria no site de origem.

 

fonte: https://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/feminicidio/brasil-bate-recorde-de-feminicidios-em-2025-e-tem-ao-menos-4-assassinatos-de-mulheres-por-dia/

 

Avançamos nas leis, agora é hora de salvar vidas, por Renata Abreu

20 de janeiro, 2026 Congresso em Foco Por Renata Abreu

Medidas simbólicas são importantes, mas salvar vidas exige aplicar com rigor instrumentos como o monitoramento eletrônico de agressores.

O Brasil deu passos importantes no enfrentamento ao feminicídio. Medidas recentes, como a criação do Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio e o fortalecimento da política nacional de dados sobre violência contra a mulher, merecem ser reconhecidas. São iniciativas que ajudam a dar visibilidade a um problema histórico e a organizar a resposta do Estado.

Mas é preciso ir além do simbolismo. Porque, apesar dos avanços legais, as mulheres continuam morrendo. No Brasil, considerado um dos países onde mais se comete violência feminina, quatro mulheres são assassinadas todos os dias simplesmente por serem mulheres. Isso sem contar as que sofrem violência física, mental, moral, emocional e financeira. Não se trata de episódios isolados. Trata-se de um padrão de violência que começa com controle, passa por ameaça, chega à denúncia em busca de proteção, mas muitas vezes termina em morte.

Tenho dedicado nosso mandato a enfrentar essa realidade com ações concretas. Projetos de minha autoria e relatoria ajudaram a transformar políticas públicas em leis: a criminalização da importunação sexual, a notificação obrigatória de profissionais de saúde sobre casos de violência atendidos na rede pública e privada, a destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para o combate à violência doméstica e familiar, além de iniciativas para fortalecer as Rondas Maria da Penha e garantir atendimento mais humano às vítimas.

Mas precisamos falar com franqueza: medida protetiva, sozinha, não está protegendo. Ela é fundamental. Mas não basta. O agressor não respeita papel, não teme despacho judicial e não se intimida com uma ordem que não vem acompanhada de vigilância real. Nem bem começamos o ano de 2026 e uma mulher de 39 anos foi morta pelo ex-marido no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo. Ela tinha uma medida cautelar contra o homem, registrada em janeiro do ano passado, mas isso não a protegeu do agressor, que a matou a facadas no meio da rua.

É exatamente por isso que existe, desde 2025, a Lei Federal nº 15.125, que alterou a Lei Maria da Penha para permitir o uso e o monitoramento eletrônico (tornozeleira eletrônica) de agressores em casos de violência doméstica e familiar, garantindo a aplicação de medidas protetivas de urgência e alertando a vítima e a polícia sobre aproximações indevidas.

Acesse o artigo no site de origem.

fonte: https://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/feminicidio/avancamos-nas-leis-agora-e-hora-de-salvar-vidas-por-renata-abreu/

 

Ato nesta quarta-feira (21) lembra Letícia Foster e denuncia violência contra mulheres

Memória de Letícia se transforma em mobilização coletiva contra a violência de gênero, com partida do chafariz do Calçadão - PELOTAS/RS

Imagem: Ridley Madrid/RádioCom

A memória de Letícia Foster Rodrigues, mulher de 37 anos vítima de feminicídio, será o centro de uma marcha que ocorre nesta quarta-feira (21), às 18h, com saída do chafariz do Calçadão e destino ao banco vermelho na Praça Coronel Pedro Osório — símbolo local da luta contra a violência de gênero.

A mobilização busca transformar o luto em denúncia e cobrar respostas diante da repetição de casos que poderiam ser evitados.

Feminicídio em meio a histórico de denúncias

Letícia foi encontrada morta em uma área de mata no interior de Canguçu. Seu companheiro, que está preso, é o principal suspeito. Contra ele, já havia registros de agressões, descumprimento de medida protetiva e prisão anterior por violência doméstica.

Para os movimentos organizadores do ato, o caso escancara a fragilidade do sistema de proteção e a omissão institucional que permite a continuidade da violência até o desfecho fatal.

Luto coletivo e cobrança por políticas públicas

A marcha é convocada por coletivos feministas e familiares e convida a comunidade em geral a participar. A intenção é não apenas exigir justiça por Letícia, mas também reivindicar políticas públicas que garantam o direito das mulheres de viver sem medo.

“Falar de Letícia Foster é falar de uma vida que deveria estar aqui, florescendo, sorrindo e ocupando os espaços da cidade”, destaca o material de divulgação da marcha, que ecoa o lema presente em atos semelhantes pelo país: #paremdenosmatar.

Violência de gênero é estrutural

Segundo os movimentos envolvidos, o feminicídio não é um ato isolado, mas o ápice de um ciclo que envolve controle, agressões e omissão. Pelotas tem sido palco frequente de manifestações que expõem essas falhas e cobram ações efetivas das redes de saúde, segurança, justiça e assistência social.

Imagem: Reprodução/GAMP Feminista

Nos primeiros 19 dias de 2026, o Rio Grande do Sul já contabilizou três mulheres assassinadas por feminicídio. O caso mais recente aconteceu em Porto Alegre: Paula, de 39 anos, foi morta a golpes de faca em uma parada de ônibus na Avenida Juca Batista. Dias antes, Marinês foi assassinada a tiros em Santa Rosa, após ter sua casa invadida pelo ex-companheiro.

Esses casos seguem um padrão alarmante: a maioria dos feminicídios ainda é cometida por homens que faziam parte da vida das vítimas: companheiros ou ex-companheiros. A repetição desse padrão escancara a incapacidade do Estado de prevenir esses crimes, mesmo quando há histórico de violência, denúncias e medidas protetivas.

Enquanto as mortes se acumulam, o governo estadual segue sem apresentar providências concretas, sem ampliar políticas de prevenção, sem fortalecer a rede de enfrentamento à violência de gênero e sem garantir proteção eficaz para mulheres em situação de risco. As respostas institucionais permanecem frágeis, mesmo diante de uma realidade que se agrava.

Brasil bate recorde de feminicídios

O cenário no Brasil é igualmente preocupante. Em 2025, o país registrou 1.470 feminicídios — o maior número desde que a tipificação do crime foi criada, em 2015. Isso representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero. O número supera o recorde anterior, de 2024, com 1.464 casos, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

Entre 2020 e 2025, foram 8.557 mulheres mortas por serem mulheres. Em dez anos, o crescimento foi de 316%, totalizando 13.448 assassinatos. O número de tentativas também cresceu: 3.702 em 2025, um aumento de mais de 16% em relação ao ano anterior.

O Rio Grande do Sul é o sétimo estado com mais feminicídios em números absolutos: 80 casos em 2025, o que representa uma taxa de 0,71 feminicídios por 100 mil habitantes, acima da média nacional. Desde 2015, o estado acumula 1.019 assassinatos de mulheres por razões de gênero — ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais no ranking nacional.

Legislação e desafios na implementação

Desde março de 2015, o feminicídio é tipificado no Código Penal como assassinato de mulheres motivado por violência doméstica, familiar ou por discriminação de gênero. Em 2024, a lei foi alterada para tornar o feminicídio um crime autônomo, com penas de 20 a 40 anos de prisão — a mais alta prevista no Código Penal.

Apesar do endurecimento da legislação, os números seguem em alta, evidenciando que a resposta penal, isoladamente, não basta. Sem políticas públicas integradas, orçamento, formação continuada para profissionais da rede de atendimento e fortalecimento dos serviços de apoio, o ciclo da violência segue avançando.

Não é normal. Não é aceitável.

A brutalidade dos crimes choca, mas o que realmente deve alarmar é a repetição do padrão: mulheres que pediram ajuda, denunciaram, buscaram proteção e, ainda assim, foram mortas.

Serviço

Marcha por Justiça por Letícia Foster
Data: Quarta-feira, 21 de janeiro
Horário: 18h
Saída: Chafariz do Calçadão
Destino: Banco vermelho da Praça Coronel Pedro Osório
Ato aberto ao público


Fonte: GAMP Feminista

Colabore com a Rádiocom

Se você gosta do nosso conteúdo, considere fazer uma doação para apoiar nosso trabalho junto aos movimentos sociais.