Enquanto estiver viva, quero viver sob a égide de uma pirâmide imaginária formada pelas três palavras: Respeito (dando e recebendo), Autonomia e Ocupação
Iáris Ramalho Cortês*

Foi quase no final do século XX, exatamente em 1975, que o Dia Internacional da Mulher – 8 de março, foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas – ONU. Quando queremos homenagear este dia, não podemos deixar de iniciar falando sobre nossas precursoras, como as mulheres das cavernas que foram as primeiras agricultoras da humanidade e adquiriram o conhecimento das plantas que podia curar as feridas das pessoas e, não podemos deixar de lembrar também que muitas dessas mulheres, foram queimadas na fogueira, com a acusação de serem “bruxas” por saberem mais que os homens. Não podemos também deixar de falar nas primeiras revoltas das mulheres em busca da igualdade de direitos com os homens. Assim, desde sempre, as mulheres buscam seus espaços na sociedade, em
igualdade com seus pais, companheiro, filhos, netos e bisnetos.
Até hoje, século XXI, temos que lutar por direitos ainda não conquistados e aqui exponho um pouco dois que considero importantes: 1) Eliminação da violência contra mulheres, adolescentes e crianças e 2) O etarismo, ou seja, o envelhecimento das pessoas, em especial, das mulheres.
A violência contra mulheres e meninas, tornou-se hoje em dia um assunto midiático, apontando que, no Brasil, a cada 24 horas, só em 2025, aproximadamente 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, sendo que 56% cometidas contra pessoas de 0 a 17 anos (Fonte: CNN Brasil). O aumento foi de 9% em relação a 2024. A violência contra mulheres e meninas continuará enquanto as famílias, as
escolas e a sociedade, não colocarem os meninos em pé de igualdade com as meninas, brincando com os mesmos brinquedos, colaborando nas atividades domésticas e tendo as mesmas responsabilidades na família.
Chegou a hora de buscarmos a igualdade dos homens com as mulheres, pois estas ainda não chegaram ao patamar ideal, mas já estão conseguindo se impor. Com relação ao segundo item que trago, o etarismo também é bastante importante, pois, com o avanço da medicina, a prática de esportes e a alimentação sadia, as pessoas têm vivido mais. Entretanto, a discriminação contra pessoas idosas é muito forte. Uma das poucas regalias que podem usufruir é a preferência nas filas e nos transportes públicos que reservam lugares específico para este tipo de passageiro, isto mesmo tendo, muitas vezes que ouvir deboche de uma ou outra pessoa que critica o que considera “favorecimento”. Fora isto, é patente e latente a desigualdade de tratamento. Mesmo o “precisa de ajuda?” tem o tom irônico, sem falar nas perguntas sarcásticas tipo: “a Sra. se lembra do seu CPF, do seu telefone ou, do seu endereço?” Para uma pessoa jovem perguntaria: “Qual é o seu CPF, seu telefone ou seu endereço?”.
Eu, com meus mais de 80 anos, vivencio estas situações procurando tratá-las de modo geral, com humor, exceto quando retiram alguns dos meus direitos com o argumento de que não sou mais capaz.
Entretanto, enquanto estiver viva, quero viver sob a égide de uma pirâmide imaginária formada pelas três palavras: Respeito (dando e recebendo), Autonomia e Ocupação. Lembrando sempre a música de Serginho Meriti e Eri do Cais, cantada por Zeca Pagodinho:
“E deixa a vida me levar
Vida leva eu
Deixa a vida me levar
Vida leva eu ...”
Por fim, “Salve o dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher”.
Praia de Barra do Rio – Extremoz/RN, 07 de março de 2026
*Iáris Ramalho Cortês, advogada feminista, co-fundadora do Cfemea e artesã.





