Egídio Dórea explica os desafios e oportunidades que permeiam a feminização do envelhecimento
Rádio USP - https://jornal.usp.br/?p=946146Publicado: 21/10/2025 às 11:14

Enfrentar a feminização do envelhecimento em más condições de saúde é uma questão de equidade e dignidade – Foto: Freepik
Mulheres têm uma longevidade maior em comparação aos homens, contudo, enfrentam piores condições de saúde ao envelhecer. O fenômeno, conhecido como feminização do envelhecimento, revela as desigualdades no modo como a sociedade envelhece. Quem explica esse quadro é o médico Egídio Dórea, coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.
Egídio Lima Dórea, médico e coordenador do programa Envelhecimento Ativo – Foto: Arquivo pessoal
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida das mulheres no Brasil é de 79,7 anos, contra 73,1 anos entre os homens. Mais da metade da população com mais de 60 anos é feminina, cerca de 56%. Apesar dessa longevidade, Dórea aponta que o envelhecimento das mulheres tende a ser mais vulnerável e marcado por doenças crônicas e limitações funcionais.
Segundo o especialista, a maior expectativa de vida não significa melhor qualidade de vida: “Apesar de viverem mais, as mulheres frequentemente envelhecem com pior saúde. Dados da OMS mostram que elas passam, em média, mais anos com incapacidades do que os homens. No Brasil, por exemplo, as idosas têm maior prevalência de doenças crônicas, como osteoporose e depressão. Também enfrentam mais limitações funcionais, como dificuldades para caminhar ou realizar tarefas diárias”.
Desafios e dificuldades
Esses fatores reduzem a autonomia e tornam o envelhecimento feminino mais desafiador. As causas são múltiplas e combinam aspectos biológicos e desigualdades sociais que se acumulam ao longo da vida: “Fatores como a menopausa aumentam o risco de doenças cardiovasculares e ósseas. Além disso, as mulheres enfrentam desigualdade salarial e sobrecarga com o cuidado familiar, o que afeta a saúde e a segurança financeira na velhice”, explica o médico.
No Brasil, os homens ganham, em média, 30% a mais do que as mulheres, segundo o IBGE. Essa diferença tem consequências diretas sobre a aposentadoria, a autonomia e as condições de vida das idosas. Muitas mulheres acabam se aposentando com rendas menores ou interrompendo suas carreiras precocemente para cuidar de familiares, o que amplia a vulnerabilidade econômica no envelhecimento.
Para Dórea, enfrentar a feminização do envelhecimento em más condições de saúde é uma questão de equidade e dignidade. “As políticas públicas específicas podem fazer muita diferença. Programas de saúde preventiva voltados às mulheres, como rastreamento de osteoporose e apoio à saúde mental, seriam de grande contribuição. Aposentadorias mais justas e redes de apoio para idosas também são cruciais”, reforça. Ele finaliza apontando que o combate ao envelhecimento é um chamado à ação. “Com políticas públicas adequadas, podemos garantir que as mulheres vivam mais e melhor.”
*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira
Jornal da USP no Ar
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular.
fonte: https://jornal.usp.br/radio-usp/mulheres-vivem-mais-mas-com-piores-condicoes-de-saude/






