Ferramenta classifica projetos de lei no Congresso conforme impacto sobre direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBT+
Ferramenta classifica projetos de lei no Congresso conforme impacto sobre direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBT+ | Crédito: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados
 

A nova inteligência artificial QuitérIA, desenvolvida pelo Instituto AzMina, tem o objetivo de monitorar automaticamente a atividade parlamentar que envolve direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBT+. A ferramenta foi lançada neste mês e utiliza um modelo treinado com base em cinco anos de análises humanas de projetos de lei no Congresso Nacional.

Segundo Ana Carolina Araújo, gestora de programas e projetos do AzMina, o diferencial da QuitérIA – cujo nome homenageia a heroína baiana Maria Quitéria de Jesus – está em sua base de treinamento. “Ela foi treinada a partir de cinco anos de trabalho humano. Tivemos 25 organizações de direitos humanos, com pessoas especializadas fazendo essa análise manualmente. A partir desse banco de dados imenso, com análise altamente especializada, treinamos um modelo de inteligência artificial”, conta, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Os modelos usados, explica Araújo, são o BERTimbau e o DeBERTina, brasileiros abertos, baseados em BERT. “Ele faz essa análise repetindo o que essas pessoas especialistas fizeram por cinco anos, com cerca de 1.600 proposições legislativas que foram apresentadas e que, de alguma forma, mesmo não usando a palavra mulher ou a palavra gênero, tratam de questões que impactam a vida de meninas, mulheres e da comunidade LGBT”, detalha.

Diferente das grandes IAs comerciais, a QuitérIA foi construída com princípios feministas e sustentáveis. “É um modelo pequeno, então ela roda em um computador normal que você tenha na sua casa. No nosso caso, como ela roda no nosso servidor, todo mundo pode acessá-la pelo site elasnocongresso.com.br”, indica.

No site, é possível consultar projetos de lei avaliados desde 2019, com uma interface visual chamada de “criteriômetro”, que mostra se as proposições são favoráveis ou desfavoráveis aos direitos das mulheres e pessoas LGBT+. “Quanto mais a setinha está para verde, ele é mais favorável; e quanto mais a setinha está para vermelho, mais desfavorável”, exemplifica Araújo.

A gestora destaca que o desenvolvimento da QuitérIA também reflete um movimento de ocupação de mulheres em espaços tecnológicos. “É importante que estejamos ocupando, e ocupando de formas diferentes. Não vai existir um mundo sem IA, como não existe mais um mundo sem streamings ou sem carros de aplicativo. A ideia é criar uma versão que entendemos que é construtiva, não colonizadora, não extrativista de dados”, afirma.

Além de funcionar com código e dados abertos, a QuitérIA pode ser adaptada para outros temas. “A pessoa pode pegar o código e adaptar ele para pesquisar sobre outro tema, como direitos das crianças. É de livre adaptação e reúso, e isso para nós é muito importante”, conclui Araújo.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.