Batista pontua que o objetivo de sua pesquisa não foi fazer um juízo sobre se os professores são preconceituosos e discriminam seus estudantes, mas apontar, com evidências, a existência de um viés racial na avaliação.
A escolha de estudar o Estado de Minas Gerais, ela conta, se deu tanto pela disponibilidade de dados quanto pelo perfil racial de seus estudantes. “Minas é bem interessante de observar nesse quesito porque tem uma diversidade racial bem grande [dentro da rede estadual de ensino]. Inclusive, lá, o porcentual de [matriculados no ensino médio] autodeclarados pretos é maior do que o que a gente vê na média nacional”, afirma a pesquisadora.
De acordo com dados do Censo Escolar de 2022 mencionados no estudo, das matrículas no ensino médio do estado, 34,3% são de estudantes autodeclarados brancos (mesma proporção que no Brasil em geral), 48,3% são de pardos e 6,8% são de pretos. Em comparação, no País como um todo, são 37,6% estudantes autodeclarados pardos e 3,7% pretos.
A pesquisadora conseguiu acesso aos boletins escolares e às notas dos alunos nas provas do Proeb por meio do Instituto Unibanco, parceiro da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG). Já para trabalhar com os dados do Censo Escolar, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ela se utilizou de uma das salas seguras do Serviço de Acesso a Dados Protegidos (Sedap). Os dados são sigilosos e só podem ser acessados mediante autorização do instituto. “Tem um computador que é totalmente desconectado do restante do mundo, não tem acesso à internet, eu não posso entrar com papel, nada, dentro da sala”, conta.