Quase lá: Abayomi promove a 6ª edição do Buyìn Dudu para celebrar a vida e homenagear a trajetória de mulheres negras na Paraíba

A entrega das honrarias acontece no próximo 13 de julho, na Usina Cultural Energisa; no total, serão cinco homenageadas

Brasil de Fato PB | João Pessoa |

Buyìn Dudu: recontando nossas histórias é um evento gratuito. - Card/Divulgação.

 

No próximo dia 13 de julho, a Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras da Paraíba promove a 6ª edição do Buyìn Dudu: recontando nossas histórias, na Sala Vladimir Carvalho, na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, a partir das 17h30. O evento faz parte da agenda da 26ª edição do 25 de julho na Paraíba e da 12ª edição do Julho das Pretas, que ocorrem em alusão ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra e ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
 
Na língua Iorubá, Buyìn Dudu significa honraria negra. “Como somos uma organização de feministas negras. A gente tem a reverência à ancestralidade como central da nossa ação política. O objetivo do Buyìn Dudu e a ideia de fazer uma cerimônia de premiação ou de homenagem é evidenciar a trajetória e luta de mulheres negras de diferentes campos de atuação da sociedade, enquanto essas mulheres ainda estão vivas”, destaca Terlúcia Silva, da coordenação da Abayomi-PB.

Buyìn Dudu já homenageou e honrou cerca de 30 mulheres, ao longo das suas edições. Desta vez, as honrarias serão feitas para Mãe Renilda (Ialorixá); para a delegada Maisa Félix; para a quilombola, agente de saúde e parteira tradicional Elza Santos; para a professora Graça Silva; e para a atriz Norma Góes. Essas mulheres fazem enfrentamento ao racismo e realizam um movimento antirracista nas áreas em que atuam, conforme comenta Terlúcia Silva.


Homenageadas da 6ª edição. / Card/Divulgação.

No dia da cerimônia, haverá um painel com todas as mulheres negras que já foram homenageadas, como Rita Black, Dona Edite de Caiana dos Crioulos, Vó Mera, Solange Rocha, Dudu Carvalho, Gláucia Lima, Paula Frassinete, Mestra Ana do Coco, Jô Oliveira, Marli Soares, entre outras. 

“A Abayomi realiza todos os anos e a gente sempre faz parceria com a Rede de Mulheres Negras do Nordeste e com a Articulação das Mulheres Negras Brasileiras, que nós integramos. E aqui no estado, a gente sempre faz a mobilização para participação de todos os movimentos e organizações, sobretudo, do movimento feminista, do movimento de mulheres negras”, salienta Terlúcia.

Na programação cultural, Terlúcia adianta que 6ª edição do Buyìn Dudu contará com a apresentação do grupo de coco e ciranda de Caiana dos Crioulos. 

Sobre as homenageadas

Serão cinco mulheres negras homenageadas. Terlúcia Silva comenta um pouco sobre a história de atuação de cada uma delas: “Nós temos Mãe Renilda, que é umas das Ialorixás que tem uma trajetória de muita luta. Acho que a primeira Ialorixá da Paraíba que evidenciou a religião de matriz africana aqui, que enfrentou muitas batalhas. É uma mulher que se afirma politicamente como uma representante dessa religião. Nós temos a delegada Maisa Félix, que esteve muito tempo à frente da Delegacia das Mulheres e que tem uma atuação profícua nesse campo de enfrentamento às violências contra as mulheres. Hoje está na [Academia de Polícia Civil] (Acadepol-PB) e tem feito todo um trabalho de inserir o debate racial e antipatriarcal no processo formativo dos novos policiais", informa.

"Nós temos uma quilombola Elza Santos, que é lá de Caiana dos Crioulos que além de fazer parte de todo o movimento cultural, afro-cultural, Elza é parteira tradicional, é agente de saúde há mais de 30 anos e foi a primeira pessoa a concluir um curso técnico lá do quilombo. Então, é uma mulher que tem grande representatividade. Nós temos a professora Graça Silva, que está no magistério há 40 anos, é uma mulher negra da cidade de Pilar e, do jeito dela, integrava o movimento negro, movimento de mulheres negras, fez toda uma diferença na educação em relação às pessoas negras lá no município, sempre pautou respeito, cuidado e diversidade no processo de educação. E temos a grandiosa atriz Norma Góes, ela não é paraibana, mas é radicada na Paraíba e está aqui há muitos anos. Norma é uma atriz que tem feito trabalho maravilhosos no cinema, sobretudo, que é uma grande referência nesse campo das artes", acrescenta Terlúcia.

O evento reúne trajetórias, religião, ancestralidade, atuação em organizações, história, educação e cultura.

Buyìn Dudu e Julho das Pretas

A Abayomi realiza o Buyìn Dudu desde 2019. O evento acontece sempre no mês de julho e marca o 25 de julho, data histórica e de luta do movimento de mulheres negras. 


Registro da 5ª edição do Buyìn Dudu, em 2023. Nela, as homenageadas foram Odete de Pilar, Ana Freitas, Hygia Margareth, Maria das Graças, Lúcia Júlio e Carolina Vieira. / Foto: Acervo Abayomi - Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba

“É uma data muito significativa. Organizações, movimentos de mulheres negras de diversas partes do mundo marcam esse dia, afirmam esse dia como marco histórico da luta das mulheres negras. E aqui na Paraíba, a gente tem uma história bastante antiga de fazer esse dia conhecido da sociedade. Então, a Bamidelê, que é uma organização que trouxe e evidenciou essa data aqui no estado há 26 anos, posteriormente, o movimento de mulheres negras assume essa bandeira de luta conjuntamente com as organizações negras, de modo que agora em 2024 nós estamos na 26ª edição do 25 de julho na Paraíba. A partir de 2013, Odara – [Instituto da Mulher Negra], da Bahia, criou o Julho das Pretas, então, este ano também é realizado a 12ª edição do Julho das Pretas. Esse dia remete à luta histórica das mulheres negras, então, é um momento onde as mulheres negras vão para as ruas, vão reivindicar suas pautas, suas demandas”, afirma Terlúcia.

Confira a programação completa do Julho das Pretas


Programação do Julho das Pretas. / Card/Divulgação.

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Edição: Heloisa de Sousa

 

fonte: https://www.brasildefatopb.com.br/2024/07/03/abayomi-promove-a-6-edicao-do-buyin-dudu-para-celebrar-a-vida-e-homenagear-a-trajetoria-de-mulheres-negras-na-paraiba

 


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