A despeito do discurso antissistêmico, políticos conservadores têm formado federações radicalmente organizadas e com grande aporte do Fundo Partidário
Por: Cristina Guerini | 06 Julho 2026 no IHU
Pelo menos desde 2016, quando do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, candidatos de direita buscam se colocar como antissistema, como disruptivos, como contrários ao establishment político. O paradoxo, mas nem tanto, é que neste contexto pautas conservadoras devem dar o tom do debate. “As pautas nessa eleição vão ser antifeminismo, antiesquerdismo principalmente, esse esquerdismo que pode ser muitas coisas: anticomunismo, antiesquerdismo, antifeminismo. Tem uma ideia também de ir contra a Lei de Cotas, porque elas seriam uma proteção para os preguiçosos e prejudicariam os batalhadores. Então, há um conjunto de pautas com muita repercussão na política”, explica a professora e pesquisadora Mayra Goulart em entrevista concedida por telefone ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
A questão de gênero é um aspecto importante neste contexto, na medida em que estabelece uma clivagem importante entre progressistas e conservadores. “O extremismo é uma resposta fácil, uma resposta simples. E é por isso que ele tem ganhado muita adesão dessa juventude conservadora, que adere a pautas red pill, pautas antifeministas, pautas que tentam evocar o ideal tradicional de masculinidade que está sendo questionado por todos os movimentos progressistas”, aponta a entrevistada.
Apesar do discurso de ruptura, quando se observa a realidade com atenção, o que se percebe é que partidos como o PL e União Brasil se tornaram muito hábeis em criar grandes conglomerados de políticos radicalmente institucionalizados e hegemônicos. “Então, muito mais do que a maioria, é cooptação de quadros políticos, quadros, muitas vezes, fisiológicos. Ou seja, de pessoas que já tinham família na política, que já controlavam máquinas partidárias e que mudaram de partido e passaram a adotar esse discurso de extrema-direita, porque muitas vezes aderem a eles, porque são pessoas mais conservadoras, mas principalmente porque isso aumenta a sua chance de vitória eleitoral. E, com isso, há uma hegemonia institucionalizada de uma extrema-direita que continua usando um discurso antissistêmico, anti-institucional”, descreve Goulart.
Mayra Goulart da Silva | Foto: Fernando Souza/ONG Rio On Watch
Mayra Goulart da Silva é professora do Departamento de Ciência Política e da Pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGCS/UFRRJ), além de coordenar o Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM). É doutora em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), com pós-doutorado no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte) do Instituto Universitário de Lisboa, onde segue como investigadora visitante. É Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ e coordenadora do Observatório do Conhecimento.
Confira a entrevista
IHU – A democracia como modelo de deliberação política tem sido alvo de críticas há alguns anos. No geral, na perspectiva da direita, a saída para a crise democrática é uma torção autoritária no modelo; do ponto de vista da esquerda o desafio é garantir uma representatividade mais coerente com a pluralidade social. Frente a estas tensões, como entender a democracia brasileira hoje e superar seus entraves?
Mayra Goulart – Primeira coisa é entender que colocamos tudo no mesmo balaio: nós acabamos tratando democracia e liberalismo como se eles fossem a mesma coisa e, na verdade, são tradições muito distintas. Uma se situa lá na democracia grega ateniense e a outra só surge no século XVII. São dois mil anos que separam essas duas tradições. Só que com as revoluções burguesas, com a luta pelo sufrágio, as lutas históricas que os povos travaram, eles passaram a demandar as duas coisas que a gente chama de democracia liberal.
O que a extrema-direita repudia é um componente liberal que diz respeito aos direitos civis, às minorias. É esse elemento da democracia liberal que acaba sendo deixado de lado pela extrema-direita. Ao mesmo tempo, um outro atributo dessa extrema-direita é disputar os termos. Então, eles vão falar de liberalismo, democracia, de minoria, só que eles vão disputar os termos. Ou seja, quando falam de minoria, muitas vezes eles estão falando do branco, hétero, porque dizem que é uma minoria perseguida. Quando falam de liberdade, situam ou no plano econômico falando de liberdade de mercado, ou no plano dessa liberdade contra o politicamente correto, contra as amarras daqueles que defendem a proteção das minorias.
Portanto, temos uma série de elementos que esgarçam os próprios conceitos. E é aí que entra o ponto da sua questão. Não é que a extrema-direita diga: “Nós não somos democráticos”. O que ela fala é que “nós somos muito democráticos, nós somos muito liberais”, mas esvazia esses termos do seu sentido histórico.
O que a extrema-direita repudia é um componente liberal que diz respeito aos direitos civis, às minorias. É esse elemento da democracia liberal que acaba sendo deixado de lado pela extrema-direita — Mayra Goulart
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}IHU – Do ponto de vista partidário, como se caracteriza o conservadorismo político no Brasil?
Mayra Goulart – Temos uma linha conservadora que vem desde a União Democrática Nacional – UDN. Mesmo antes, se formos pensar no Império, havia um partido conservador que sempre, de alguma maneira, se estrutura a partir de uma crítica ou aos elementos de direitos civis ou ao papel redistributivista do Estado.
São duas tradições. Uma que critica os populismos, como eles pensavam no século XX, a partir da ideia de aumentar os repasses às classes populares através daquilo que se chamava de assistencialismo. Ou ela tem esse pendor mais moralista em termos daquilo que se chama de “costumes”, que na verdade são direitos civis, falando contra os direitos das minorias e contra a inclusão delas nas esferas política, econômica e social.
IHU – Quais as principais pautas que devem mobilizar os conservadores no pleito de 2026?
Mayra Goulart – Destaca-se muito o antifeminismo. É uma pauta que mobiliza muito, porque mobiliza até mesmo mulheres que entendem o feminismo como uma ameaça a eventuais relações que essas mulheres têm. Ou dentro de casa com seu marido, e elas acham que o feminismo vai deixá-las sem marido, ou com suas filhas, porque o feminismo pode ser usado para contestá-las. Então o antifeminismo é uma pauta que tem esse componente muito importante.
O anticomunismo é essa ideia de um comunismo que pode significar ou uma liberdade sexual, ou a ideia de fim da propriedade privada, de que vai chegar alguém na minha casa e violar o meu domicílio. Ou o secularismo, o comunismo como antirreligião. O “bom” do anticomunismo é que ele tem essa flexibilidade para encarar diferentes agendas.
Portanto, as pautas nessa eleição vão ser antifeminismo, antiesquerdismo principalmente, esse esquerdismo que pode ser muitas coisas: anticomunismo, antiesquerdismo, antifeminismo. Tem uma ideia também de ir contra a Lei de Cotas, porque elas seriam uma proteção para os preguiçosos e prejudicariam os batalhadores. Então, há um conjunto de pautas com muita repercussão na política.
As pautas nessa eleição vão ser antifeminismo, antiesquerdismo principalmente, esse esquerdismo que pode ser muitas coisas: anticomunismo, antiesquerdismo, antifeminismo — Mayra Goulart
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IHU – Qual o papel do fisiologismo partidário no contexto democrático nacional?
Mayra Goulart – Essa questão é central. Eu fiquei pensando muito nisso, porque o meu laboratório se estrutura para analisar a política local, mas ele tem uma parte empírica, que fazemos junto com a COPPE [Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia] aqui da UFRJ, que é uma área de tecnologia. Construímos uma plataforma para tentar posicionar georreferências, emendas e os gastos de campanha. Porque entendemos que a direita e a extrema-direita, que eram antissistema, institucionalizaram-se e passaram a controlar muito os recursos e a se apresentar como alternativa política dentro do sistema.
No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, um quarto das cadeiras do Legislativo Estadual, do Legislativo Federal e das prefeituras são ocupadas pelo Partido Liberal – PL. Com esse enraizamento institucional, eles passaram a controlar muito recurso, porque, diferentemente do que acontecia há dez anos, em que os políticos tinham que barganhar recursos das empresas para fazer financiamento empresarial de campanha ou junto ao governo, para conseguir recursos sendo parlamentar. Hoje, essa verba é garantida por meio das emendas parlamentares ou do Fundo Público, que é utilizado para financiar a campanha e financiar os partidos políticos.
No Rio de Janeiro um quarto das cadeiras do Legislativo Estadual, do Legislativo Federal e das prefeituras são ocupadas pelo PL. Com esse enraizamento institucional, eles passaram a controlar muito recurso — Mayra Goulart
Tweet.IHU – Um dos seus interesses de pesquisa são as juventudes conservadoras. Como elas se caracterizam e qual é a principal diferença para conservadores mais velhos?
Mayra Goulart – A geração atual já nasceu com a premissa de se reconstruir, de se desconstruir. Porque o discurso feminista, em defesa das mulheres, as evidências de que as mulheres sofrem violência por parte dos homens evidenciam que isso não é uma exceção: uma em cada três mulheres que já sofreu tentativa de estupro. É uma certa regra, a forma como a masculinidade é construída tradicionalmente tem cada vez menos aceite por parte das mulheres. Logo, esses meninos de hoje já nascem sobre o imperativo de se reconstruir.
Esses meninos ainda não se construíram e já estão sob o imperativo de se reconstruírem. Eles ainda não sabem o que é ser homem, não têm uma ideia de como vão se relacionar com mulheres, com o próprio corpo. Só que eles sabem que aquilo que o pai dele é, o que as figuras masculinas apresentam, já está sendo interditado. Então eles estão muito confusos, sem referência.
E é isso, a meu ver, que tem explicado a adesão deles a respostas fáceis. Porque o que caracteriza o extremismo é uma resposta muito simples para um problema complexo. Por ser simples, é capaz de ter muita adesão. Quando é algo mais complexo, multifacetado e multidimensional, há pontos que a pessoa concorda e pontos que ela discorda. E isso diminui o grau de adesão.
O extremismo, não. Ele é uma resposta fácil, uma resposta simples. E é por isso que ele tem ganhado muita adesão dessa juventude conservadora, que adere a pautas red pill, pautas antifeministas, pautas que tentam evocar o ideal tradicional de masculinidade que está sendo questionado por todos os movimentos progressistas.
O extremismo é uma resposta fácil e é por isso que ele tem ganhado muita adesão da juventude conservadora, que adere a pautas que tentam evocar o ideal tradicional de masculinidade — Mayra Goulart
Tweet.IHU – O que esperar dos jovens nas eleições de outubro?
Mayra Goulart – Uma divisão, uma clivagem de gênero muito grande. Meninos se comportando de uma maneira e meninas de outra. Meninos muitas vezes tendo mais vocação de aderir a projetos extremistas de direita e meninas mais vocacionadas para aderir a processos mais complexificados, que discutem gênero, raça e políticas sociais de inclusão.
IHU – O Fundo Partidário foi instituído com o objetivo de garantir possibilidades de candidaturas mais horizontais, mas na prática qual se tornou seu papel no contexto político do Brasil?
Mayra Goulart – Ele tem empoderado as elites partidárias. Temos, nos últimos anos, com a cláusula de barreira e com o fim das coligações proporcionais, um processo em que reduzimos o número de partidos efetivamente existentes no parlamento. E, simultaneamente, temos a criação de fundos públicos para financiar os partidos com atuação parlamentar. Ou seja, tem menos partidos controlando o recurso público.
Isso empodera os chefes de partido, porque muitas vezes essas siglas não têm procedimento burocrático ou democrático que diga como esses recursos vão ser distribuídos, para quais candidaturas etc. Essa discricionariedade empodera os chefes de partido.
IHU – É possível afirmar que há no Brasil atual uma certa institucionalização do conservadorismo? Onde ela ocorre? Quais são seus sintomas?
Mayra Goulart – Achei excelente essa pergunta. Eu estou finalizando um relatório sobre o Estado do Rio de Janeiro, que evidencia que o PL controla boa parte dos cargos eletivos no Estado. Eu rodei um teste para saber se essas lideranças do PL eram novas, se eram de renovação de quadros que vieram junto com o bolsonarismo, algo novo que vinha com essa extrema-direita, ou se eram pessoas que já tinham mandato, trajetória e aderiram ao PL, ao bolsonarismo. E 79% se enquadram nessa segunda hipótese.
Então, muito mais do que a maioria, é cooptação de quadros políticos, quadros muitas vezes fisiológicos, pessoas que já tinham família na política, que já controlavam máquinas partidárias e que mudaram de partido e passaram a adotar esse discurso de extrema-direita, porque muitas vezes aderem a eles, porque são pessoas mais conservadoras, mas principalmente porque isso aumenta a sua chance de vitória eleitoral.
Com isso, há uma hegemonia institucionalizada de uma extrema-direita que continua usando um discurso antissistêmico, anti-institucional.
IHU – Nas últimas legislaturas federais, na Câmara e no Senado, tem sido recorrente o diagnóstico de que foi eleito sucessivamente o congresso mais conservador da história. O que se pode esperar para este ano? Como o poder econômico captura o processo de renovação parlamentar para o próximo período?
Mayra Goulart – O primeiro aspecto para o próximo período [é a questão das emendas parlamentares]: um deputado que controla esse montante de recursos, que é controlado por meio das emendas parlamentares, que já somam R$ 61 bilhões em 2026, [opera para garantir sua reeleição].
Ou seja, a chance de eles usarem esse recurso para aumentar a sua viabilidade eleitoral, se reelegerem ou se elegerem a outros cargos e elegerem pessoas da sua família política para os seus cargos no parlamento, é muito grande. Então, mesmo que haja uma renovação nominal, é difícil ter uma renovação efetiva.
O segundo aspecto para esse próximo Congresso é a hegemonia de quem tem mandato contra quem não tem mandato dentro dos partidos políticos. Pois essas elites partidárias cada vez mais são formadas por pessoas que têm mandato, que têm um staff financiado através desse montante de recursos que estão controlando através das emendas e mesmo pela verba de gabinete. Esses são os pontos que eu considero mais importantes de serem ressaltados.
As elites partidárias cada vez mais são formadas por pessoas que têm mandato, que têm um staff financiada através desse montante de recursos que estão controlando através das emendas e mesmo pela verba de gabinete — Mayra Goulart
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IHU – Há um arquétipo curioso no campo da extrema-direita que é o patriota contrário à soberania do país. Os exemplos abundam. De onde surge essa figura e por que esse discurso funciona no universo conservador? Há pares na história desse tipo de político?
Mayra Goulart – Essa é uma grande contradição do extremismo de direita global. Porque ao mesmo tempo que ele é nacionalista, principalmente no caso dos países periféricos, convive com o sentimento de admiração e adesão às potências hegemônicas do Hemisfério Norte. E isso é uma espécie de modulação no nacionalismo dele, mais do que modulação, é uma contradição propriamente dita.
Enquanto faz muito sentido para um cara de uma grande potência falar que é nacionalista e que faz, que prende, que arrebenta; para um país periférico, que precisa do sistema multilateral, que recorre a agências de fomento globais e que sofre com o unilateralismo das grandes potências, esse discurso unilateralista é mais problemático.
IHU – Voltando ao conceito de “democracia blindada”, que descreve um arranjo onde as instituições são moldadas para proteger os interesses do mercado financeiro e do grande capital. Olhando para o Brasil recente (com a autonomia do Banco Central, as amarras fiscais e a captura do orçamento público pelo Legislativo), como enxerga essa dinâmica de blindagem operando hoje? O quanto a nossa Nova República se tornou impermeável à soberania popular na esfera econômica?
Mayra Goulart – Esse ponto é muito bom, porque uma das raízes da ascensão da extrema-direita e da diminuição da direita tradicional é porque as restrições ao gasto público, a austeridade, acaba dificultando a diferenciação entre os políticos a partir de uma agenda econômica mais ou menos gastadora. Então, temos o arcabouço fiscal, teto de gastos e a austeridade diminuindo a diferenciação partidária nessa temática.
IHU – Você pesquisa os discursos de Bolsonaro e já publicou artigos sobre o tema. Como estes discursos transformaram Bolsonaro em líder de massas com aspirações totalitárias?
Mayra Goulart – Eu fiz uma série de artigos sobre os discursos do Bolsonaro. Primeiro, analisei os programas de governo, depois analisei os discursos proferidos em plenário e, então, analisei as suas postagens durante e depois da Presidência. Peguei toda a trajetória dele de legislador, de candidato presidencial e de presidente. A minha ideia é entender como ele conforma uma identidade política capaz de conseguir uma vitória majoritária, mas também ver como ele atualiza esses vínculos.
E, é claro, tem dois elementos que eu acho importantes aqui. O primeiro é a aderência dele a um contexto global, em que há uma extrema-direita global que se retroalimenta em termos de produção intelectual, em termos de um dar legitimidade para o outro.
Ao mesmo tempo, ele se aproveita de uma demanda reprimida por parte de candidatos nacionais que tiveram uma pauta abertamente conservadora e antiesquerdista, porque o que se apresentava antes de alternativa ao Partido dos Trabalhadores era uma direita que não se colocava com esse viés conservador, antiesquerdista, radical. Havia uma demanda reprimida, esse é o primeiro ponto.
O segundo é o elemento vertebrador do sistema político brasileiro, que é o antipetismo. E Jair Bolsonaro foi capaz de enquadrar esse antipetismo em uma temática popular, através desses discursos conservadores.
Nessa capilarização da extrema-direita, nessa capacidade que o Bolsonaro tem de traduzir o antipetismo para um discurso capaz de chegar ao cidadão comum, o papel fundamental foi o da religião, das igrejas que conseguiram fazer esse processo de tradução de uma linguagem que antes era muito política, muito econômica, para argumentos mais morais e mais maniqueístas. E, com isso, aumentou a penetração.
Nessa capilarização da extrema-direita, nessa capacidade que o Bolsonaro tem de traduzir o antipetismo para um discurso capaz de chegar ao cidadão comum, o papel fundamental foi o da religião, das igrejas — Mayra Goulart
Tweet.IHU – Com as mudanças nas regras eleitorais, as federações passam a funcionar como um partido único em um compromisso que dura quatro anos e não só no período da eleição, como eram as coligações. União Brasil e Progressistas, por exemplo, formam agora a federação União Progressista Brasileira. Já é possível prever qual será o impacto das fusões partidárias no pleito de 2026?
Mayra Goulart – Essa pergunta é muito boa, porque tem muito a ver com aquilo que estávamos discutindo, que é que o sistema político brasileiro, a partir da cláusula de barreira, do fim das coligações proporcionais, está passando por um processo de concentração, diminuição dos partidos e aumento dos recursos disponíveis aos partidos. Ou seja, há menos partidos e mais recursos.
Com isso, os dirigentes partidários passam a ter muito poder. E esse é o caso da União Progressista, em que há um aumento do poder desses dirigentes. E a contrapartida disso é um aumento da competição intrapartidária. Então, haverá um partido só, que na verdade é uma federação com uma nominata única, para colocar uma série de lideranças, o que vai aumentar a competição intrapartidária.
Com as mudanças no sistema político, os dirigentes partidários passam a ter muito poder. E esse é o caso da União Progressista, em que há um aumento do poder dos seus dirigentes — Mayra Goulart
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