Entidades que representam mulheres, crianças e jovens imigrantes fizeram, nesta sexta-feira (15/12), uma manifestação no Porto contra a violência e a discriminação.

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São crescentes os casos de agressões verbais e físicas a esses grupos, os principais alvos da xenofobia, da misoginia e do racismo em Portugal.

O protesto, que contou com cerca de uma centena de pessoas, teve por objetivo alertar as autoridades portuguesas e também as brasileiras sobre os riscos que os grupos mais vulneráveis enfrentam. Não há, no entender de ativistas e estudiosos do tema, ações efetivas para conter o avanço da violência.

Além da manifestação realizada na Rotunda da Boavista, no Porto, a segunda maior cidade de Portugal, as entidades que dão suporte às vítimas de violência lançaram um manifesto na internet para colher assinaturas com o intuito de cobrar os poderes constituídos para que façam a sua parte e evitem futuros ataques. Também foram encaminhadas cartas aos três consulados do Brasil em Portugal.

Crimes estão disseminados

Apesar de as mulheres, as crianças e os jovens brasileiros estarem no centro das preocupações, a antropóloga e ativista Rita Cássia Silva afirma que os protestos também visam a proteção aos cidadãos de Portugal e de outras nacionalidades que vivem no país. Infelizmente, as pragas do feminicídio e da violência não escolhem a origem das vítimas.

“A violência está disseminada”, assinala Rita. Para ela, o primeiro passo para pôr fim aos ataques de xenofobia, misoginia e racismo passa pela educação. Por isso, o mote do manifesto: “Educar para um outro amanhã, já!”. Segundo ela, a sequência dos recentes ataques desferidos a mulheres, jovens e crianças brasileiras e africanas em diferentes setores da sociedade portuguesa não são atos isolados. “Tratam-se de consequências de uma estrutura de pensamento colonial que não pode ser legitimado”, frisa.

Na avaliação da antropóloga, o silêncio diante de situações estruturais que perpetuam diferentes tipos de violências discriminatórias só potencializa o medo, a insegurança social, as doenças psicossomáticas, a falta de educação e o ódio entre as pessoas. “É fundamental, num momento como este, de reestruturação política em Portugal, da volta democrática no Brasil e de conturbações políticas em países que integram a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que possamos nos sensibilizar”, ressalta.

Portugal terá eleições gerais em março do próximo ano e há chances de um forte crescimento do partido de extrema-direita, o Chega. A legenda defende, de forma exacerbada, a discriminação contra imigrantes, o racismo e a misoginia. Estudos apresentados recentemente pela professora Thaís França apontam que Portugal entrou no movimento anti-imigração.

“Qual o sentido de famílias com a vida inteira organizada terem de fugir de Portugal com medo que lhes retirem os filhos? Qual o sentido de mulheres vítimas de violência doméstica passarem, aos olhos de quem as julga, a ser as agressoras? Qual o sentido de pessoas serem xingadas na rua simplesmente por causa dos seus sotaques? Qual o sentido de pessoas negras serem maltratadas por causa da cor da pele?”, indaga Rita, que tem se aprofundado no estudo sobre violência contra imigrantes.

Intolerância toma conta

Segundo Evonês Santos, fundadora do Comitê Popular de Mulheres em Portugal, tanto a manifestação desta sexta-feira no Porto quanto a petição pública têm por objetivo chamar atenção para a necessidade de se refletir, interagir e agir. “Na riqueza da diversidade, a intolerância vem prevalecendo e a arrogância substituindo as regras de boa convivência”, diz

No entender dela, é urgente a tomada de um posicionamento para travar o processo de naturalização da violência, principalmente, daquela contra a diversidade de gênero. “Tem se tornado frequente a exposição de episódios de violência contra mulheres e crianças. Não podemos aceitar, não podemos ser indiferentes às inúmeras atitudes racistas, xenófobas, classistas e misóginas”, enfatiza.

Evonês ressalta que as mulheres brasileiras lideram a lista de vítimas do crime de ódio em Portugal. Há, incrustada em parte da sociedade de Portugal, a visão de que as brasileiras são putas e querem roubar os maridos das portuguesas. “Temos de frisar que, dentro da comunidade migrante, as mulheres brasileiras representam a maioria. Desse modo, são as que mais sofrem”, acrescenta.

Para a ativista, é de extrema importância uma intervenção educativa e muitas ações de boas práticas para combater o preconceito, a intolerância, o ódio. “A educação é o meio mais curto para se alcançar o bom entendimento e a evolução da sociedade moderna. Não podemos dizer que estamos evoluindo tendo de tolerar quase todos os dias violências contra mulheres e crianças”, diz.

fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/a-real-de-portugal-brasileiras-saem-as-ruas-contra-violencia/

 


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