A técnica nos conduzirá a uma vida melhor. Este conceito de progresso é base da cultura ocidental – e nos levou ao colapso do clima e da natureza. E agora? Engolir promessas vazias ou cultivar outra relação com o planeta e suas complexidades?


Imagem de Harry Sternberg

“É precipitado e quase absurdo acreditar que o progresso deva necessariamente ocorrer.”
(Nietzsche)


“O progresso celebra vitórias de Pirro sobre a natureza.”
(Karl Kraus)

O escritor e filósofo político britânico John Nicholas Gray, ex-professor de Pensamento Europeu da London School of Economics e de Política em Oxford, infelizmente pouco conhecido no Brasil, é talvez uma das melhores referências para quem deseja compreender a noção de progresso como um dos mitos mais poderosos e autodestrutivos que a humanidade já produziu. Gray é um dos raros intelectuais da atualidade que conseguiu perceber que o que impulsionou o que entendemos por civilização foram as diversas utopias já experimentadas, invariavelmente de raízes greco-judaicas, que alimentaram um tortuoso solipsismo humano, forjando, ao longo da história, realidades exclusivamente antrópicas, conflituosas, degradantes e, por isso, totalmente desconectadas da complexidade do mundo real.

Em um dos muitos de seus esclarecedores ensaios sobre a condição humana, Gray afirma que “a história das ideias obedece a lei da ironia. As ideias têm consequências, mas raramente são as que os autores esperam ou desejam, e nunca apenas estas. Com bastante frequência, são o oposto.” Esse pensamento de Gray converge com um dos chamados operadores cognitivos do pensamento complexo, desenvolvidos por diversos autores, especialmente pelo filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, considerado o maior expoente das Ciências da Complexidade. Estamos falando da “ecologia da ação” cujo enunciado-síntese é o seguinte: “as ações com frequência escapam ao controle de seus autores e produzem efeitos inesperados e às vezes até opostos aos esperados.” A intenção aqui, então, é sustentar que o mito do progresso segue exatamente essa “lei da ironia”, ou, como já é de conhecimento da chamada sabedoria popular, mostrar que “o feitiço virou contra o feiticeiro”. O progresso representa não um caminho para a boa convivência humana, mas um bloqueio cognitivo rumo ao colapso, que ameaça a humanidade neste século XXI.

No Brasil, pouquíssimos autores fizeram esse esforço tão necessário para sairmos da agonia dos sombrios tempos atuais, em que o motor do progresso desencadeou, e continua desencadeando, impactos ambientais em uma escala planetária. Dois autores brasileiros que merecem destaque são os economistas Celso Furtado (1920-2004) e Gilberto Dupas (1943-2009), em razão de suas obras O mito do desenvolvimento econômico (Furtado, 1974) e O mito do progresso (Dupas, 2006). Ambos haviam concluído que desenvolvimento econômico e progresso são mitos. Constituem dinâmicas a serviço de um sistema capitalista hegemônico predatório cujos efeitos práticos têm sido gerar uma extrema concentração de riqueza, aumentar continuamente a pobreza e promover a destruição do ecossistema Terra. De fato, essa é a constatação mais visível, no entanto podemos aprofundar ainda mais esse diagnóstico.

Civilização, uma ruptura antrópica abrupta na dinâmica da Terra

O mito do progresso pode ser investigado de uma forma ainda mais profunda quando olhamos para o longo processo civilizatório. Há, pelo menos, três principais ideias-força muito caras à longa história da civilização, que moldaram o conflituoso modo de viver do animal humano, depois que este se conformou à vida na pólis. São elas, recursivamente encadeadas nessa ordem: o conhecimento, o progresso e a liberdade. No centro dessa tríade de desejos humanos por controle e dominação para mitigar as duras contingências da realidade está a ilusão do progresso, que, como veremos adiante, trata-se de uma doença cognitiva aparentemente incurável que está arrastando, rápida e silenciosamente, a civilização para o colapso.

Mas num mundo (des)governado pela prevalência da visão de mundo tecnomercadológica, que foi reduzido a espetáculos, consumos e distrações, em que valores como democracia, política, alteridade, ética, Natureza e Ciência foram capturados e distorcidos, essa perspectiva de colapso civilizatório está muito distante de se tornar uma percepção predominante, mesmo ela permeando, esporadicamente, o entendimento de alguns nomes expressivos do pensamento científico e a retórica de uma ou outra autoridade intergovernamental. É o caso, por exemplo, do contundente alerta do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmando que “a humanidade tem uma escolha: cooperar ou perecer. Ou fechamos um pacto de solidariedade climática ou um pacto de suicídio coletivo”. Vaticínio dado recentemente, por ocasião da abertura da 27ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP27), que ocorreu em Sharm el-Sheikh, no Egito, em novembro de 2022 (publicado pelo IHU, em 8.11.2022). 

Cabe aqui abrir um breve parêntese. A COP27 marca meio século de esforços sistemáticos da comunidade científica, sob a coordenação da ONU, desde a Conferência de Estocolmo, realizada em junho de 1972, sem que tenha havido qualquer projeto consistente de cumprimento de metas para contenção das mudanças climáticas em curso. Pelo contrário, todos os indicadores de alteração das condições físico-químicas do sistema Terra, que garantiram a nossa permanência por milhares e milhares de anos, agudizaram exatamente nesse período. O gráfico abaixo (Fonte: https://www.nationalobserver.com/2018/12/12/analysis/co2-vs-cops), mostrando o aumento das concentrações atmosféricas de CO2 entre 1960 e 2018 (medidas em partes por milhão, ou ppm) ao longo das 24 COPs realizadas entre 1995 e 2018, confirma essa grave omissão dos principais protagonistas geopolíticos.

CO2 atmosférico com linhas de tendência de década.  Anotado com os anos COP da ONU.

Para se ter uma ideia mais clara da gravidade ambiental que pesa sobre a humanidade, recomendo a leitura dos livros Capitalismo e Colapso Ambiental (2018), do professor de história na Unicamp Luiz Marques, e Terra Inabitável (2019), do jornalista David Wallace-Wells, editor da New York Magazine. O principal recado dessas duas obras é um só: as chances de o Homo sapiens sobreviver à agonia deste século XXI diminuem aceleradamente na medida em que os ecossistemas, que mantêm as atuais condições de habitabilidade da Terra, vão sendo degradados pela ação humana, sem que haja qualquer medida consistente que possa provocar uma inflexão na atual tendência de colapso ambiental iminente.

Diante desse cenário de um irrefreável fim do mundo (o mundo humano, pois a Terra está longe de ser ameaçada por um ser vivo), como compreender a natureza humana? Qual é a dinâmica por trás desse impulso humano por um padrão de convivência e de desenvolvimento que o arrasta para a autodestruição? Por que o desejo de progresso material continua a se sobrepor ao de sobrevivência, mesmo este estando ameaçado por aquele? Como surgiu a ideia de progresso e por que ela se sustenta até hoje, apesar de todas as evidências científicas de um colapso ambiental e civilizatório, num horizonte muito próximo? Ao que tudo indica, quando a atual dinâmica civilizatória começar a dar sinais inequívocos de que o mundo humano como o conhecemos hoje irá colapsar, estes serão, provavelmente, os principais dilemas que deverão ocupar o centro da agenda política, científica e filosófica neste século XXI.

Vou utilizar aqui os dois gráficos, apresentados a seguir, para refletirmos sobre essa perspectiva de colapso civilizatório. Um traz a curva de crescimento da população mundial nos últimos 12 mil anos (Fonte: https://ourworldindata.org/world-population-growth) e o outro mostra o aumento da área ecúmena (área da superfície terrestre emersa permanentemente habitada pelo ser humano e animais domésticos) ao longo desse mesmo período (Fonte: http://peakoilbarrel.com/natural-resources-human-destiny). São pontos de partida que parecem elucidativos para identificarmos respostas razoáveis a essas grandes questões em torno da ideia de progresso e da conflituosa e contraditória condição humana, depois que ela se conformou à sempre festejada e glorificada dinâmica civilizatória.

O gráfico acima mostra que a atual população mundial aumentou cerca de 2 mil vezes em relação ao que existia há 12 mil anos, quando tínhamos apenas cerca de 4 milhões de seres humanos vagando pela Terra – o equivalente à população do estado da Paraíba (estimativa do IBGE em 2021: 4.059.905). O dado mais impressionante desse gráfico é que por volta de 1800, quando a população se aproximava de 1 bilhão de pessoas, iniciou-se um crescimento exponencial que nos permitiu chegar rapidamente aos 8 bilhões estimados pela ONU em novembro de 2022, e a população mundial continua a crescer a uma taxa de 80 milhões por ano. Essa explosão demográfica foi impulsionada pela chamada Revolução Industrial, isto é, graças ao avanço do que chamamos de “progresso”. E esse estupendo patamar populacional alcançado hoje poderia ter sido bem maior se a escala de matança e de sacrifício de vidas humanas ao longo da história não tivesse sido tão elevada. Somente no trágico século XX, estima-se que pelo menos 187 milhões de vidas foram dizimadas (Brzezinski, 1993) por deliberações humanas, o equivalente a algo em torno de 12% da população mundial em 1900.

Como principal desdobramento desse crescimento exponencial, tivemos uma descomunal redução da biodiversidade de seres vivos no nosso planeta, que está representada no gráfico a seguir. Os humanos e os animais criados por eles ocupam hoje 97% da área global considerada área ecúmena (área habitável), restando apenas 3% para os animais silvestres. Segundo o Relatório Planeta Vivo 2022, divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), entre 1970 e 2018, as populações desses vertebrados silvestres sofreram uma redução de 69%, o que evidencia que já estamos dentro de uma sexta extinção em massa da vida na Terra, a qual, diferentemente das extinções em massa anteriores, está se dando de forma abrupta e exclusivamente pela ação de um único ser vivo, o animal humano.

Um dado curioso desses gráficos é que se estima que cerca de 108 bilhões de pessoas já viveram em nosso planeta. Logo, os atuais 8 bilhões só representam 6,5% daqueles que já nasceram. Desse modo, percebemos que toda a dinâmica civilizatória foi direcionada pela ideia de que a Terra foi criada para acomodar o Homo sapiens e seus desejos. O filósofo grego Protágoras (490 a. C.), ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisas” já parecia ter identificado o cerne do projeto civilizatório, que terminou por desencadear dois fenômenos antrópicos de escala planetária. O primeiro foi o chamado “especismo”, termo cunhado pelo psicólogo britânico Richard Ryder, que diz respeito à crença na superioridade da espécie humana em relação às demais espécies. O segundo, decorrente do especismo, é o processo de extinção em massa da vida na Terra, que está nos levando rumo a uma “Era da solidão”, como bem observou o biólogo Edward O. Wilson, que preferiu chamar de Eremoceno esse período de supremacia da espécie humana sobre as outras espécies, mais conhecido por Antropoceno.

No entanto, desde o surgimento do Homo habilis – o chamado “habilidoso”, assim conhecido por ter sido o primeiro hominídeo a adotar ferramentas de pedra lascada –, ocorrido há cerca de 2 milhões a 780 mil anos, até chegar ao Homo sapiens moderno, cuja população está representada no início do primeiro gráfico, em 10 mil a.C., estima-se que a população de grandes primatas da família hominídea frequentemente estava estável, com uma quantidade oscilando bem abaixo de 1 milhão. Considerando esse dado evolutivo, talvez a principal observação que se pode encontrar nesses dois gráficos é a de que ocorreu um evento abrupto no processo de interação do animal humano com o seu meio ambiente, ou seja, houve uma drástica alteração no seu padrão de viver, o que desencadeou o início dessa desestabilização na população humana e, posteriormente, de todo o ecossistema Terra, após a explosão demográfica observada a partir de 1800, quando se deu início à Revolução Industrial.

A explicação mais aceita sobre quais seriam as razões desse desvio no comportamento do Homo sapiens, ocorrido por volta de 7 mil anos atrás, tem sido, mesmo para aqueles mais ligados à Ciência, a da história do Gênesis. Em geral, sempre predominou uma visão de cunho teológico de que, após o ser humano ter experimentado da Árvore do Conhecimento, ele se viu expulso do paraíso e condenado a ter que prover seu sustento pelo trabalho incessante, normalmente em prol dos privilégios de uma minoria. Combinada também com visões teleológicas (a ideia de que a história tem uma finalidade) e escatológicas (e também terá um fim) por trás das crenças milenaristas (a convicção de que o tempo é linear e, portanto, a história é regida por um Princípio e um Fim), o animal humano passou, assim, a ter que suportar uma vida insoluvelmente conflituosa como preço de uma longa espera por redenção, em algum lugar no futuro. Daí em diante, o mundo humano, dito “civilizado”, fragmentou-se entre classes sociais e religiosas, tornando-se um permanente palco de guerras, massacres e destruições, intermináveis.

Entretanto, parece mais razoável compreender essa ruptura no crescimento populacional mundial associando-a ao surgimento da cultura patriarcal, tal como registrada nos estudos da arqueóloga lituana Marija Gimbutas, os quais foram sintetizados no livro O Cálice e a Espada: nossa história, nosso futuro (Palas Athena, 2008), da escritora e socióloga austríaca Riane Eisler, que embasa um texto esclarecedor do neurobiólogo chileno Humberto Maturana, intitulado “Conversações Matrísticas e Patriarcais”, o qual é parte integrante do livro Amor y Juego  Fundamentos Olvidados de lo Humano desde el patriarcado a la democracia (1993), escrito em parceria com a psicóloga alemã Gerda Verden-Zoller.

Maturana sustentava, amparando-se nos estudos de Gimbutas, ter ocorrido um processo de bifurcação cultural quando “a cultura pré-patriarcal europeia foi brutalmente destruída por povos pastores patriarcais, que hoje chamamos de indo-europeus e que vieram do Leste, há cerca de 7 ou 6 mil anos”. Momento da história humana que coincide com o início da alavancagem do crescimento populacional apresentado no gráfico acima. E, segundo ele, essa cultura patriarcal se caracteriza “pelas coordenações de ações e emoções que fazem de nossa vida cotidiana um modo de coexistência que valoriza a guerra, a competição, a luta, as hierarquias, a autoridade, o poder, a procriação, o crescimento, a apropriação de recursos e a justificação racional do controle e da dominação dos outros por meio da apropriação da verdade”. Aqui parece se situar o embrião da ideia de progresso. Inclusive, abordo com mais detalhes esse longo processo de bifurcação cultural no texto A democracia e a nossa grande bifurcação cultural.

Importante ressaltar que a noção de cultura patriarcal diz respeito a modos de viver e não se confunde com o que o senso comum entende pela ideia de patriarcado/matriarcado, que diz respeito às relações sociais amparadas na dominação do masculino sobre o feminino e vice-versa. Cultura patriarcal trata-se, portanto, de uma noção bem mais ampla que compreende os mais diversos modos de domínio e de controle da realidade pelo animal humano, um modo de viver cujo principal desdobramento epistemológico gerado foi a ilusão de separação entre ser humano e Natureza. Antes da cultura patriarcal prevalecia a chamada cultura matrística, em que ser humano e Natureza constituíam um todo integrado.

Considero então essas duas representações gráficas, a do crescimento da população mundial e a da redução drástica das áreas anecúmenas (áreas não habitadas pelo animal humano), uma das chaves para entendermos os impactos da cultura patriarcal, da noção de progresso a ela associado e da devastação ambiental resultante desse longo processo, que agora neste século XXI ameaça a permanência do Homo sapiens na Terra. Esse fenômeno converge ainda com o que muitos autores ligados às Ciências da Terra passaram a chamar de Antropoceno, conceito introduzido inicialmente de uma forma despretensiosa pelo biólogo Eugene F. Stoermer, que depois foi popularizado e ratificado no meio científico pelo seu colega, Paul Crutzen, vencedor do Nobel de Química em 1995. Com a prevalência do modo de viver da cultura patriarcal, inauguramos perigosamente uma nova era geológica em que a Terra estaria sendo forçada a mudar sua condição física para fazer frente à insanidade do desejo humano de tentar moldar a realidade segundo suas visões patriarcais de mundo.

A tarefa mais premente da humanidade hoje deveria, então, ser refletir se haveriam sentidos mais adequados a essas três concepções criadas pelo animal humano: o conhecimento, o progresso e a tal liberdade que se espera como retorno desse longo e penoso esforço civilizatório que, supostamente, prometeu um dia alcançar a redenção para todas as mazelas humanas. A intenção aqui, com essa reflexão inusual, é trazer uma perspectiva de abordagem que nos permita perceber que tanto a ideia do conhecimento quanto a do festejado e inebriante progresso humano a ele associado, são, talvez, os dois mitos mais devastadores produzidos pelo modo de viver patriarcal, que constituem a essência de toda a dinâmica civilizacional e, ao mesmo tempo, a razão da sua inviabilidade, refletida agora neste agonizante e sombrio início do século XXI.

Progresso, uma disfunção cognitiva propulsora da cultura patriarcal

Em uma das passagens do livro A alma da marionete: um breve ensaio sobre a liberdade humana (Record, 2018), de John Gray, nos deparamos com uma de suas esclarecedoras sínteses de pensamento, que parece muito útil ao propósito das reflexões pretendidas neste texto. Ele afirma que “depois de aparentemente aniquilado pelo cristianismo, o gnosticismo conquistou o mundo. A crença no poder libertador do conhecimento tornou-se a ilusão dominante da humanidade moderna. A maioria quer acreditar que algum tipo de explicação ou compreensão vai libertá-los de seus conflitos.” 

A suposta racionalidade por trás das diversas visões de mundo que alimentaram o mito do progresso seria a seguinte: para fazer avançar o processo civilizatório, supostamente acompanhado de uma progressiva melhoria da condição humana, o ser humano precisa ampliar seu conhecimento da realidade, o qual, uma vez alcançado, o progresso se materializa com a criação de novas técnicas e ferramentas de modelagem das realidades, fazendo sobrevir uma maior liberdade de ação humana diante dos obstáculos e das limitações que as contingências da natureza lhe impõem. Tal dinâmica de controle e dominação, sempre impondo um único modo ideal de viver – hoje refletida no fenômeno global da algoritmização que passou a mediar todas as esferas das relações humanas –, tem sido o principal impulso que tem forjado o que entendemos por civilização. Sem ela, a humanidade não teria chegado aos insólitos dias atuais, cujos resultados nefastos para a condição humana foram bem expressados nas palavras do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han: “a dominação se torna bem-sucedida ao se disfarçar de liberdade. Submete-nos a mostrar como somos, ao mesmo tempo em que nos homogeneíza. Estamos chegando ao inferno de sermos todos iguais” (publicado pelo IHU, em 6.4.2022).

Essa lógica permitiu, por exemplo, que o animal humano desenvolvesse, globalmente, um considerável padrão de conforto material, uma maior expectativa de vida e avanços tecnológicos significativos, mas à custa de níveis abissais de iniquidade social e de concentração de riqueza, de uma altíssima degradação do ecossistema Terra e de uma crescente e talvez já irreversível mudança climática global. Sendo que o grande salto demográfico ocorreu nos últimos 70 anos, por conta da explosão de progresso experimentado no mesmo período. O mito do progresso nunca foi tão expansivo e avassalador após a conflagração das duas guerras mundiais na primeira metade do século XX, quando a aplicação do conhecimento desenvolvido pelo animal humano passou a gerar um padrão de desenvolvimento econômico e de consumo incompatível com os limites do sistema Terra. Estamos falando aqui da criação do welfare state instalado nos EUA e na Europa Ocidental, no período de 1946 a 1973. Esse mesmo welfare state foi também conquistado posteriormente, a partir dos anos 1990, por uma parcela considerável de sociedades asiáticas, com destaque para países como China, Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan e Hong Kong; bem como pelas minorias pertencentes às classes sociais abastadas, nos principais centros urbanos e comerciais do Sul Global.

O fato é que depois que a Ciência e a Filosofia surgiram, por volta de 2.500 anos atrás, essas três principais vontades antrópicas – conhecimento, progresso e liberdade – orientaram as diversas visões de mundo que alimentaram as metanarrativas e as correntes de pensamento imaginadas e experimentadas pela humanidade. As mais marcantes, que se sucederam num processo de retroalimentação dos ideais greco-judaicos, foram: primeiro o cristianismo, depois o iluminismo e o positivismo, que ajudaram a forjar os ideais tanto do marxismo quanto do liberalismo (os dois responsáveis pelos sangrentos conflitos ideológicos deflagrados no século XX) e, agora, vigorando de forma hegemônica nas duas décadas mais recentes, aparentemente sem qualquer concorrente à altura, o capitalismo associado à vigilância algorítmica, que vem guiando e desorientando o nosso sistema-mundo rumo a um horizonte, muitíssimo próximo, de um possível colapso civilizatório, insondável e irreversível, face aos inequívocos sinais de profundas convulsões ambientais e sociais já em curso.

No cerne dessa dinâmica civilizatória que sempre fomentou a ilusão do progresso está o surgimento da cultura patriarcal, tal como entendida pelo neurobiólogo Humberto Maturana, na qual o modo de viver do Homo sapiens passou a ser orientado por um desejo insano de dominação e apropriação da verdade. Abordo com mais detalhes esse fenômeno da transformação cultural nos textos: As Complexidades nos salvarão das distopias? e A agonia de uma civilização forjada no patriarcado, ambos publicados pelo Outras Palavras

A dinâmica inerentemente conflituosa da cultura patriarcal desencadeou, ao longo dos tempos, uma crescente percepção de uma suposta imperfeição da natureza humana, dadas as precariedades das condições de sociabilidade, invariavelmente permeadas por guerras, massacres e destruições. Daí foi irrompendo, aos poucos, o sentimento de uma necessidade de identificar formas de remediação dessa alegada imperfeição que tornava intratável a convivência humana. Assim, todo o percurso civilizatório forjou-se ancorado no mito do progresso, em que cada contexto histórico foi construindo suas metanarrativas para tentar dar conta de uma suposta necessidade de aprimoramento da humanidade e de uma redenção definitiva para escaparmos dos nossos males recorrentes, cuja origem está na própria essência da cultura patriarcal. Aliás, o mito é um conceito humano que talvez seja derivado não só da sofisticada capacidade de linguagem e de imaginação desenvolvida pelos primatas hominídeos, mas especialmente da própria dinâmica patriarcal que tem como principais características a ideia de apropriação da verdade e o desejo de moldar a realidade segundo a sua visão dominadora de mundo, por mais distante que esta esteja da complexidade de mundo real.

O fato é que se tornou lugar comum, inclusive entre grandes expoentes da Ciência e da Filosofia, desde tempos imemoriais, o ideário de que o conhecimento induz o progresso, que, por sua vez, é capaz de libertar o ser humano das suas supostas limitações, conter seus instintos bárbaros e melhorar seu grau de civilidade, mitigando seus conflitos e, quem sabe, um dia podendo até mesmo eliminá-los. Não são poucos os exemplos pela história que demonstram como a mais alta intelectualidade tem insistido e reforçado essa grande ilusão de que o avanço do conhecimento está levando, inexoravelmente, a civilização, apesar de tantos reveses, para um estágio cada vez mais aprimorado de convivência e de maior liberdade de ação humana.

Vários pensadores influentes têm comungado, ao longo do tempo, dessa compreensão progressiva da história. A visão hegeliana de que a “história universal é o progresso da consciência da liberdade – um progresso cuja necessidade temos de reconhecer” –, explicaria um suposto processo gradual de conquista e aprimoramento da condição humana, tem sido reforçada de tempos em tempos. Quem bem sintetizou essa percepção foi o filósofo político John Gray, quando disse: “filósofos de Platão a Hegel têm interpretado o mundo como se fosse um espelho do pensamento humano.”

Se observarmos bem, o curso da história da civilização, que foi forjado à custa de guerras, massacres e um desmedido sacrifício de seres humanos e do meio ambiente, não parece ser bem essa visão hegeliana a verdadeira dinâmica que conduziu o longo processo civilizatório. O conhecimento traduzido nas ferramentas e técnicas criadas pelo animal humano, o suposto progresso gerado como desdobramento desse conhecimento, e, por último, o grau de liberdade que se desejou alcançar, no fundo, são três poderosos mecanismos de manipulação, controle e dominação da realidade humana que permearam a longa e conflituosa trajetória da civilização, desde que a cultura patriarcal passou a predominar em algum momento após o advento do agrarianismo – a grande revolução agrícola inaugurada por volta de 12 a 10 mil anos atrás, quando o animal humano começou a se expandir pelo globo a procura de terras agricultáveis. 

Portanto, se há um dogma que alimentou o buraco negro em que se transformou o atual sistema-mundo capitalista, esse modo de viver resultante da longa prevalência da cultura patriarcal que está, literalmente, engolindo todas as condições de sociabilidade humana, é a fantasia de que o conhecimento é única via para libertar a humanidade dos seus conflitos, que, por sua vez, poderá alçá-la a patamares cada vez mais altos de aprimoramento civilizatório, proporcionado pelo tal progresso. No fundo, “a ideia de progresso baseia-se na crença em que o crescimento do conhecimento e o avanço das espécies caminham juntos – se não agora, pelo menos a longo prazo”, como bem disse Gray, levando-o a concluir: “O conhecimento não nos torna livres. Ele nos deixa como sempre fomos, vítima de todo tipo de loucura.”

Enfim, essa permanente obsessão por progresso reflete o grande bloqueio cognitivo proporcionado pelo nosso fechamento na prisão da cultura patriarcal, que Humberto Maturana já havia intuído nos seguintes termos: “Para os membros da comunidade que a vivem, uma cultura é um âmbito de verdades evidentes. Elas não requerem justificação e seu fundamento não se vê nem se investiga, a menos que no futuro dessa comunidade surja um conflito cultural que leve a tal reflexão. Esta última é a nossa situação atual”.

Adaptação, reaprender a conviver conforme nossas naturezas e circunstâncias

Apesar da cultura patriarcal predominar por aproximadamente seis a sete mil anos, o estado de crise civilizatória permanente, que é constitutivo da sua dinâmica, ganhou na contemporaneidade um novo componente destrutivo que são as mudanças climáticas, um subproduto da sua própria natureza predatória, que antes era local e agora alcançou uma escala global. E não foi por falta de alertas. O filósofo e economista inglês John Stuart Mill, defensor de um “estado estacionário” para a economia, disse há 170 anos que “se a Terra tiver que perder grande parte das comodidades que deve a coisas que o aumento ilimitado da riqueza e da população extirparam dela, simplesmente para possibilitar à Terra sustentar uma população maior, mas não uma população melhor ou mais feliz, espero sinceramente, por amor à posteridade, que a população se contente com permanecer estacionária, muito antes que a necessidade a obrigue a isso.”

Stuart Mill estava certo em seu prognóstico. Após os últimos 200 anos de progresso que permitiram multiplicar por 8 vezes a população mundial, como vimos no gráfico apresentado no início deste texto, a Terra vem dando hoje respostas muito duras às interferências da ação patriarcal, que pela primeira vez se defronta com um oponente à sua altura, a Natureza, da qual o animal humano se dissociou com o modo de viver patriarcal. 

Uma das mais contundentes evidências científicas desse embate entre cultura patriarcal e Natureza pode ser observada no que um grupo de 28 cientistas das Ciências da Terra, liderados pelo sueco Johan Rockström, chamam de fronteiras planetárias – nove processos que regulam a estabilidade e resiliência do sistema terrestre (Fonte: https://www.stockholmresilience.org/research/planetary-boundaries.html). Essas fronteiras estão representadas no gráfico a seguir e contemplam: (1) destruição do ozônio estratosférico; (2) perda da integridade da biosfera (perda de biodiversidade e extinções); (3) poluição química e liberação de novas entidades;  (4) mudança climática; (5) acidificação dos oceanos; (6) consumo de água doce e o ciclo hidrológico global; (7) mudança no sistema de terras (uso de terras para atividades humanas, principalmente agricultura); (8) fluxos de nitrogênio e fósforo para a biosfera e oceanos; e (9) carga de aerossol atmosférico. Em 2022, os cientistas anunciaram que já transgredimos cinco (2, 3, 4, 6 e 8) das nove fronteiras. Segundo esses cientistas, uma vez ultrapassados esses limites, existe um risco de mudanças abruptas e irreversíveis no sistema Terra.

Licenciado sob CC BY-NC-ND 3.0 Credit: “Azote for Stockholm Resilience Centre, based on analysis in Wang-Erlandsson et al 2022”.

Esse embate milenar entre cultura patriarcal e Natureza, que constitui o âmago dos conflitos humanos, parece caminhar para três cenários de colapso, ainda neste século XXI, a depender da possibilidade de já termos ou não desencadeado um movimento inercial de alterações climáticas que nos levará a ultrapassar tais fronteiras, condenando nossa espécie à extinção, já que as Ciências da Terra não podem confirmar com precisão esses limites planetários e as reais respostas que a Terra dará a essa longa devastação antrópica. Os cenários seriam:

1) O colapso abrupto: a visão que preocupa colapsologistas, antropólogos e climatologistas como Pablo ServigneJared DiamondBruno Latour (in memoriam), Philippe Descola, Gilles Boeuf, Valérie Masson-Delmotte, David Attenborough, Michael E. Mann, James Lovelock (in memoriam), Frédéric Keck, James Hansen, dentre tantos outros, que não dispensam a inaudita perspectiva de ultrapassarmos brevemente todas essas fronteiras planetárias e, assim, os ecossistemas dos quais dependemos para viver podem colapsar, em escala global, independentemente de qualquer esforço de reversão, seja na emissão de gases de efeito estufa, na contaminação química (solos, ar e oceanos), na predação das florestas e na redução da biodiversidade, que se venha a fazer após alcançado o perigoso tipping point. Nesse vislumbre apocalíptico, os principais protagonistas geopolíticos e, sobretudo, os ultrapoderosos donos das megacorporações transnacionais, que hoje ditam e induzem os rumos do nosso sistema-mundo capitalista predatório, não seriam capazes de perceber a gravidade do momento para agir politicamente e, portanto, não haveria mais como reverter o impacto humano sobre os ecossistemas que asseguram as condições para a nossa permanência no planeta.

Essa perspectiva de uma catástrofe global iminente, em relação à qual o senso comum é totalmente alheio, foi bem identificada pelo pesquisador da Unicamp Luiz Marques, uma das maiores autoridades no assunto aqui no Brasil, que previu (publicado pelo IHU, em 30.11.2021) os resultados inconsequentes da mais recente COP27: “A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, nascida em 1992, está morta. Morreu em Madri em 2019 (COP25) e o enterro foi em Glasgow (COP26). A Missa de Sétimo Dia será no Egito em 2022 (COP27) e a missa de um ano será oficiada nos Emirados Árabes Unidos em 2023 (COP28), uma das capitais do petróleo. (…) A COP28 será quase como um ritual macabro da vitória final dos combustíveis fósseis.” Um ano depois, diante desse quadro de desesperança, após realizada a COP27, Marques chegou a triste constatação: “Estamos mais próximos que nunca de sofrer impactos climáticos amplamente incontroláveis. O presente decênio oferece à humanidade a última chance de se desviar dessa trajetória funesta que já se delineia sem dar margem a dúvidas razoáveis, mas cujos piores desenlaces ainda podemos evitar. Ainda depende de nós.” (publicado pelo IHU, em 16.12.2022).

2) O colapso gradual: a perspectiva de que o principal impacto das mudanças climáticas para a vida humana se limitaria a uma redução dramática da população mundial, como prevista pelo escritor Reg Morrison, especialista em assuntos ambientais e evolutivos, o qual projeta que “a curva descendente deve espelhar a curva de crescimento da população” e, desse modo, ele antevê que, assim como tivemos um pico de crescimento populacional em apenas 45 anos (1975-2020), “o grosso do colapso não levará mais que cem anos, e, por volta de 2150, a biosfera deverá ter voltado, com segurança, à sua população de Homo sapiens pré-praga – algo entre meio e 1 bilhão.” Nessa perspectiva, a Terra, considerando que ela seria capaz de manter sua resiliência à devastação antrópica por mais algum tempo, poderia permitir a permanência do animal humano em algumas regiões altamente inóspitas ainda habitáveis, porém em condições dramáticas de escassez de recursos naturais e de permanente estado de guerra, em uma espécie de cenário Mad Max, sob os ditames de uma distopia de mercado regida por mercenários impiedosos, resquícios de Estados depauperados, ameaças permanentes de conflagrações nucleares, crime organizado, conflitos religiosos insolúveis, tecnologias de vigilância opressoras e outras formas impensáveis de tirania ainda não experimentadas.

Em tais condições não haveria mais tempo para a cultura patriarcal pensar, organizar e experimentar novas formas de controle para viabilizar a continuidade do tortuoso projeto civilizatório, como ocorreu pela força das armas dos grandes impérios (Idade Antiga), depois por meio das contradições do cristianismo (Idade Média), seguido pelo advento do Estado-Nação (Idade Moderna) e, agora na contemporaneidade, da Vigilância patrocinada pelo tecnomercado, todos guiados pelas ideias quiméricas de progresso e de aprimoramento da espécie humana. A cultura patriarcal continuaria a condicionar o modo de viver do animal humano, em sua versão mais mórbida, até a extinção da nossa espécie patriarcal rapinante, em que o estímulo natural à reprodução da espécie seria sobrepujado pelo imperativo de sobrevivência e de encerramento da aflição de viver em um mundo demasiadamente intratável. Assim, estaria confirmada a visão de John Gray de que a espécie Homo sapiens involuiu para uma espécie autodestrutiva chamada Homo rapiens.

3) O colapso da cultura patriarcal: a possibilidade de que, em face da agonia civilizatória que se anuncia já para as próximas décadas, possa emergir uma nova bifurcação cultural que traga o Homo sapiens de volta à condição dos seus parentes animais, reintegrando-o à complexidade das dinâmicas da teia da vida, como sempre viveram os povos originários, nos mais diversos lugares do planeta, enquanto a civilização era forjada numa sucessão de conflitos irremediáveis. O animal humano precisaria abandonar o projeto eurocêntrico, o império da Razão, a necessidade de dar um significado hegeliano de progressividade à História, enfim, sair da cegueira da cultura patriarcal milenar. Precisaríamos, portanto, resgatar o entendimento de que tudo está imbricado e de que o animal humano é apenas uma parte integrante da imensa trama de relações e de processos adaptativos que permitiram o seu surgimento e a coexistência entre os mais diversos primatas hominídeos e demais seres vivos sob a face da Terra, durante milhões de anos.

Essa última perspectiva, difícil de ser concebida, seria um retorno à Natureza – na qual poderíamos até mesmo dispensar nosso apego a ideia de civilização, que é resultado de um longo processo patriarcal. Alguns autores já foram capazes de vislumbrá-la. Trata-se da esperança na metamorfose de Edgar Morin, do resgate neomatrístico pensado por Humberto Maturana, de uma hiperdemocracia imaginada por Jacques Attali, ou de um modus vivendi defendido por John Gray (refleti sobre essas três últimas possibilidades numa coletânea de textos sobre democracia, publicada pelo Outras Palavras). São, enfim, visões de mundo convergentes nas quais muitos modos de vida poderiam coexistir, a exemplo do que ocorre na Natureza, lidando melhor com as contingências da realidade, que o ser humano tentou inutilmente suprimir pela via do Controle, da Dominação, da Ordem e da Razão, após a prevalência do condicionamento impingido pela cultura patriarcal. Reaprenderíamos, assim, tal como nossos parentes animais, de que a vida boa não requer o esforço conflituoso e irrealizável de querer moldar o mundo segundo nossas vontades patriarcais. Basta, então, substituirmos o mito do progresso pela dinâmica esquecida dos processos adaptativos complexos e, assim, reaprendermos a conviver conforme nossas naturezas e circunstâncias.

O glorificado progresso, essa grande ilusão patriarcal com a qual a civilização foi moldada, cobra agora o seu preço. O primeiro e o segundo cenários descritos acima abreviariam precocemente a experiência humana na Terra, diferenciando-se apenas quanto ao tempo necessário para que se cumpra tal desfecho – apocalíptico e terminal para a percepção humana, porém regenerador para o sistema Terra. O terceiro cenário, embora incompreensível – pois a grande massa de seres humanos, cada vez mais enebriada pelo progresso, parece não ter mais qualquer referência do que significa viver dentro da longínqua cultura pré-patriarcal ou matrística –, trata-se de uma aposta no reencontro do ser humano com sua própria natureza animal. Quero acreditar que ele ainda seja o mais provável.

Estamos, inequivocamente, nos estertores de uma silenciosa crise existencial que se abate sobre o modo de viver humano e que, no seu âmago, trata-se de uma crise de percepção da realidade gerada pelo bloqueio cognitivo da cultura patriarcal. Resta ao animal humano, muito em breve, a difícil tarefa de perceber e, caso ainda lhe seja permitido, decidir qual desses colapsos ele estará disposto a aceitar.

“… o privilégio do Absurdo; 
ao qual nenhuma criatura está sujeita,
senão o homem.”
Thomas Hobbes

Leitura recomendada

ATTALI, Jacques. Uma breve história do futuro. São Paulo: Novo Século Editora, 2008.

DUPAS, Gilberto. O mito do progresso: ou progresso como ideologia. São Paulo: UNESP, 2006.

FURTADO, Celso. O mito do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974.

GRAY, John. A alma da marionete: um breve ensaio sobre a liberdade humana. Rio de Janeiro: Record, 2018.

GRAY, John. Al-Qaeda e o que significa ser moderno. Rio de Janeiro: Record, 2004.

GRAY, John. Cachorros de palha: reflexões sobre humanos e outros animais. Rio de Janeiro: Record, 2006.

GRAY, John. O silêncio dos animais: sobre o progresso e outros mitos modernos. Rio de Janeiro: Record, 2019.

MARIOTTI, Humberto. Complexidade e sustentabilidade: o que se pode e o que não se pode fazer. São Paulo: Atlas, 2013.

MARQUES, Luiz. Capitalismo e colapso ambiental. Campinas: Editora da Unicamp, 2018.

MATURANA, Humberto R. Conversações matrísticas e patriarcais. In: ______; VERDEN-ZÖLLER, G. Amar e brincar: fundamentos esquecidos do humano. São Paulo: Palas Athena, 2004.

MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2010.

MORIN, Edgar. Rumo ao abismo? Ensaio sobre o destino da humanidade. Rio de Janeiro, Brasil: Bertrand Brasil, 2010.

WALLACE-WELLS, David. A terra inabitável: uma história do futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

 

 

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