Há cinco anos, a Rede Feminista de Pesquisa em IA para a América Latina e o Caribe (@iafeminista.lat) vem construindo uma visão alternativa para o desenvolvimento da inteligência artificial, baseada em direitos humanos, justiça social e participação comunitária.
Para a Rede, os sistemas de IA não são apenas ferramentas técnicas. Eles também refletem relações de poder, interesses econômicos, culturas e disputas políticas. Por isso, discutir inteligência artificial significa perguntar quem desenvolve essas tecnologias, para quem elas são construídas e quais interesses elas servem.
A proposta é imaginar futuros tecnológicos feministas e descoloniais, capazes de responder a desafios urgentes da região, como o acesso à saúde, à educação, à justiça, à informação e à cultura. Em vez de reproduzir modelos concentrados nas grandes corporações do Norte Global, a Rede defende uma IA baseada na horizontalidade, na sustentabilidade, na solidariedade e no não extrativismo.
Como explica Paola Ricaurte, pesquisadora integrante da Rede:
“As tecnologias não são neutras. Tudo o que criamos como seres humanos reflete quem somos. As tecnologias baseadas em IA carregam as marcas sociais de sua produção. Se forem produzidas por um homem branco e muito privilegiado, elas tenderão a responder apenas aos seus interesses e propósitos.”
A iniciativa reúne grupos acadêmicos, organizações sociais e comunidades de diferentes países da região para promover sistemas de IA conectados às realidades locais. A aposta é que a inteligência artificial não precisa servir à vigilância e à concentração de poder, mas pode ser uma ferramenta para ampliar direitos, fortalecer comunidades e reduzir desigualdades.
História
A Rede de Pesquisa em IA Feminista para a América Latina e o Caribe dedicou os últimos cinco anos a repensar, reformular e propor novas perspectivas sobre o panorama da IA na região, a fim de vislumbrar uma alternativa ao desenvolvimento de IA centrado na comunidade: uma alternativa que coloca os direitos humanos no centro como base para enfrentar nossos desafios sociais mais urgentes, como o acesso à justiça, saúde, educação, um ambiente saudável, informação e cultura.
Da perspectiva da Rede, entendemos os sistemas de IA como mais do que meros artefatos técnicos: são conjuntos sociotécnicos que envolvem narrativas, imaginários, sistemas de conhecimento, processos de produção de sujeitos, governos, instituições, normas, infraestruturas, relações econômicas e geopolíticas, comunidades e práticas.
É a partir dessa perspectiva que este projeto clama por uma reimaginação colaborativa de futuros tecnológicos feministas e decoloniais. Defende o design de uma IA feminista que adira aos princípios da horizontalidade, sustentabilidade, reciprocidade, solidariedade e práticas não extrativistas, colocando os interesses da comunidade no centro da inovação tecnológica.
Com base em valores e metodologias feministas, decoloniais e comunitárias, este projeto questiona pressupostos fundamentais sobre como, onde, com que propósito, porquê e por quem as tecnologias são construídas.
Como uma rede — uma coalizão formada pela colaboração entre grupos acadêmicos, organizações da sociedade civil e comunidades — buscamos promover o desenvolvimento de sistemas de IA enraizados em contextos locais e que respondam às necessidades e aos direitos das comunidades que pretendemos servir, as quais são frequentemente excluídas dos espaços de inovação convencionais e dos ecossistemas de IA mais amplos.
Em vez de impor soluções de cima para baixo, acreditamos na criação de condições para que as comunidades participem ativamente no desenvolvimento das ferramentas de que precisam.
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