A informação é publicada por Deutsche Welle, 03-05-2026.

Tribunal de Magistrados de Ashkelon, cidade litorânea no sul de Israel, prorrogou por dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek, da flotilha pró-Gaza Global Sumud, informou à agência de notícias EFE o Adalah, centro jurídico que representa os dois integrantes da flotilha.

Cofundador do movimento ecológico Bem Viver no Brasil, Thiago Ávila havia sido detido e deportado por Israel no ano passado por tentar furar o bloqueio à Gaza em um barco com mais 11 pessoas.

Na viagem barrada pelos israelenses em julho, a atuação de Ávila foi alvo de críticas de publicações pró-Israel, que destacaram negativamente a participação anterior do ativista no funeral de Hassan Nasrallah, o líder máximo do Hezbollah, e um discurso em um evento no Irã.

Promotor pediu mais quatro dias

Durante a audiência, o promotor do Estado israelense havia solicitado uma prorrogação de quatro dias da detenção dos ativistas, apresentando uma lista de supostos crimes.

Entre eles, "colaborar com o inimigo em tempos de guerra, contatar um agente estrangeiro, pertencer a uma organização terrorista e prestar-lhe serviços, e transferir bens para uma organização terrorista", relatou o Adalah em comunicado.

"O uso por parte do Estado (israelense) dessas graves acusações relacionadas à segurança constitui uma medida de retaliação contra líderes ativistas humanitários", afirmou o centro jurídico a respeito do caso.

As advogadas do AdalahHadeel Abu Salih e Lubna Tuma, também argumentaram perante o tribunal que "todo o processo está repleto de irregularidades". Além disso, o centro contestou a decisão, afirmando que "não existe fundamento para a aplicação desses crimes a cidadãos estrangeiros em águas internacionais".

A conta oficial da Flotilha Global Sumud nas redes sociais exigiu a libertação imediata dos dois ativistas – que decidiram iniciar uma greve de fome – e pediu à sociedade civil que "continue pressionando" para alcançá-la.

Acusação de sequestro contra Israel

Cerca de 175 ativistas da flotilha Global Sumud, com 58 embarcações, que visava romper o bloqueio naval israelense à Faixa de Gaza, foram detidos na quinta-feira em cerca de 20 barcos em águas internacionais perto de Creta.

Israel libertou todos os ativistas na Grécia após ter chegado a um acordo com as autoridades gregas, com exceção de Thiago Ávila, ativista brasileiro, e Saif Abu Keshek, cidadão espanhol de origem palestina, que chegaram na manhã de sábado a Ashkelon após permanecerem outros dois dias sob custódia naval.

Diversos coletivos de direitos humanos e o próprio governo da Espanha definiram a manobra das autoridades israelenses como um "sequestro", por executarem a operação em águas internacionais e a cerca de 1.200 quilômetros de Gaza.

Supostos mal-tratos

A organização Adalah afirmou que seus advogados se reuniram com os ativistas detidos na prisão de Shikma, em AshkelonThiago Ávila relatou aos advogados ter sofrido “uma brutalidade extrema” quando os barcos foram interceptados.

"Foi arrastado de bruços pelo chão e foi agredido tão brutalmente que perdeu os sentidos duas vezes”, acrescentou a ONG. Segundo a organização, o brasileiro contou que, desde que chegou a Israel, ficou "isolado e com os olhos vendados".

Saif Abu Keshek também foi "amarrado pelas mãos e teve os olhos vendados", sendo "obrigado a permanecer deitado de bruços no chão desde o momento de sua detenção" até a chegada a Israel, informou o grupo.

Israel vincula ativistas a organização marxista

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que Abukeshek e Ávila têm ligação com o grupo de esquerda marxista Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), o segundo mais importante dentro da Organização para a Libertação da Palestina, depois do Fatah.

Após a notícia de que os cidadãos seriam levados a Israel em vez de serem libertados na Grécia, como o restante dos ativistas da Flotilha, os governos do Brasil e da Espanha já exigiram ontem sua libertação imediata.

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fonte: https://ihu.unisinos.br/665449-israel-estende-detencao-de-ativista-brasileiro-pro-gaza

Morre Teresa Regina de Ávila e Silva, mãe do ativista Thiago Ávila

Além do ativista brasiliense preso em Israel, Teresa também é mãe de Luana de Ávila, agente de polícia e vice-presidente do Sinpol-DF

postado em 05/05/2026 17:37
Morre Teresa Regina de Ávila e Silva, mãe de Thiago Ávila, aos 63 anos -  (crédito: Reprodução / Instagram / @sinpoldf)
Morre Teresa Regina de Ávila e Silva, mãe de Thiago Ávila, aos 63 anos - (crédito: Reprodução / Instagram / @sinpoldf)
 

Morreu, nesta terça-feira (5/5), Teresa Regina de Ávila e Silva, aos 63 anos. Ela é mãe do ativista brasiliense Thiago Ávila. A morte foi confirmada pelo Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF), órgão que tem como vice-presidente a agente de polícia Luana de Ávila, também filha de Teresa. 

A causa da morte de Teresa está relacionada à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença que enfrentou por anos. O quadro é responsável por afetar as células nervosas no cérebro e na medula espinhal. Dessa forma, compromete a perda progressiva do controle muscular, também famosa por ter acometido o físico teórico e cosmólogo Stephen Hawking. Informações sobre velório e sepultamento não foram divulgadas. 

O ativista brasiliense Thiago Ávila está preso em Israel. Na quarta-feira (29/4), foi detido em águas internacionais nas proximidades da Faixa de Gaza. A prisão ocorreu em uma flotilha de ajuda humanitária no local, que tinha Gaza como destino.  

De acordo com a organização de direitos humanos Adalah, Ávila afirmou ter sido mantido em isolamento e com olhos vendados. Durante a abordagem, o ativista ainda sofreu agressões, com espancamentos que causaram desmaio. A prisão dele está prorrogada até domingo (10/5). 

 

Flotilha, ativistas acorrentados: "O governo deve intervir"

detenção de Thiago Avila e Saif Abukeshek, presos por Israel, foi prorrogada por dois dias. Tel Aviv nega que terem ocorrido "torturas". As oposições pressionam Meloni.

A informação é de Chiara Sgreccia, publicada por Domani, 04-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Viralizaram as imagens de Thiago Avila e Saif Abukeshek, os dois ativistas da Flotilha Global Sumud — a missão pacífica e humanitária para levar ajudas a Gaza — levados algemados e com correntes nos pés ao tribunal em Ashkelon, onde sua detenção foi prorrogada por dois dias.

Ávila, cidadão brasileiro, e Abukeshek, cidadão espanhol e sueco de origem palestina, acorrentados, estavam entre as mais de 170 pessoas presas por Israel quando a flotilha foi interceptada em águas internacionais perto de Creta, entre 29 e 30 de abril. Aqueles vídeos, com militares israelenses acompanhando os dois ativistas com dificuldades para andar, visivelmente impedidos pelas correntes presas aos seus tornozelos, despertam uma sensação de déjà vu na Itália.

Ainda estão frescas as lembranças de Ilaria Salis, agora eurodeputada da Aliança Verde-Esquerda, em condições muito semelhantes durante seu julgamento na Hungria de Viktor Orbán. Aquelas fotos e vídeos acenderam um holofote sobre o assunto, marcando o momento em que um regime se comporta de forma autoritária. Por essa razão, a flotilha de terra - a onda de organizações que luta há meses para manter os holofotes sobre o que acontece em Gaza - está exigindo com força que o governo de Giorgia Meloni tome providências. O fato de o navio ser italiano faz com que o país não possa "se desvencilhar de suas responsabilidades; é uma questão de direito. Tem o dever de proteger os ativistas", disse a advogada Tatiana Montella, em um protesto realizado no sábado em frente ao Ministério do Exterior, em Roma, para exigir a libertação de Ávila e Abukeshek.

A equipe jurídica da Sumud já apresentou duas denúncias à Procuradoria de Roma e um recurso de urgência solicitando ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que emita medidas cautelares para pressionar a Itália a agir em favor de Thiago e Saif. A oposição também se uniu ao apelo. O deputado do Partido DemocráticoArturo Scotto, falou de uma "obstinação sem precedentes contra ativistas que participam de uma missão humanitária", afirmando que "é necessária uma pressão muito mais forte por parte do governo italiano, visto que o barco do qual Saif e Thiago foram sequestrados desfralda bandeira italiana. Estamos diante da reiteração de um ato arbitrário que demonstra, mais uma vez, o desrespeito do governo israelense pelos direitos humanos". Angelo Bonelli, deputado da AVS que propõe uma "denúncia coletiva de todos os parlamentares italianos", insistiu para que "Giorgia Meloni pare de acobertar Netanyahu e demonstre com ações a descontinuidade que proclama a palavras".

"Acusações falsas e torturas"

Ávila e Abukeshek foram capturados na semana passada, quando a flotilha foi interceptada pela Marinha israelense em águas internacionais, perto da ilha grega de Creta, enquanto navegava em direção a GazaIsrael alega que estariam colaborando com uma organização acusada de "agir clandestinamente em nome" do Hamas. Na manhã de domingo foram levados ao tribunal de AshkelonThiago com as mãos algemadas e ambos com os pés acorrentados.

A sentença foi de que continuarão na prisão. A detenção foi prorrogada por dois dias, segundo a Adalah, o centro juridico que os representa. O ministério público havia solicitado uma prorrogação de quatro dias, apresentando uma lista de supostos crimes, incluindo auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contatos com um agente estrangeiro e participação, prestação de serviços e transferência de bens em nome de uma organização terrorista. As advogadas Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma argumentam que "não existe base legal para aplicação extraterritorial" às "ações de cidadãos estrangeiros em águas internacionais".

As advogadas de defesa também "testemunham graves abusos físicos, que configuram torturas, incluindo espancamentos, confinamento solitário e venda nos olhos por dias no mar". O Ministério das Relações Exteriores de Israel respondeu a essas acusações, afirmando que os dois ativistas "nunca foram torturados" e que "durante a transferência dos passageiros para as forças gregas, alguns se recusaram e começaram a protestar violentamente. Para conter a violência e concluir a transferência, uma unidade policial das Forças de Defesa de Israel a bordo de uma embarcação foi obrigada a usar a força".

"O fato de Israel ter tentado nos parar imediatamente demonstra que a Flotilha é um instrumento poderoso. Estamos mostrando, inclusive com os nossos corpos, até que ponto é forte o sistema de opressão. Mas os governos europeus não podem permanecer em silêncio", reitera a Flotilha. O italiano Antonio "Tony" La Piccirella — libertado na Grécia na última sexta-feira, juntamente com os outros ativistas detidos, com exceção de Thiago e Saif — chegou ao aeroporto de Fiumicino, onde relatou os momentos em que a Marinha israelense interceptou os barcos da flotilha, descrevendo o ocorrido como "um sequestro em águas praticamente europeias, supervisionado pela Marinha grega".

Dessa forma, Thiago e Saif permanecerão em confinamento solitário na prisão de Shikma, na Palestina ocupada, por pelo menos mais dois dias. Uma detenção "ilegal", pontuada por "maus-tratos", contra a qual continuam protestando com greve de fome.

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fonte: https://www.ihu.unisinos.br/665555-flotilha-ativistas-acorrentados-o-governo-deve-intervir