Dia 29 de agosto de 2026, último sábado, as mulheres do II Laboratório Organizacional Feminista para Sustentação da Vida – Território: Distrito Federal e Entorno, realizado em parceria pela CFEMEA e o MST, se encontraram na Casa de Farinha do Acampamento 8 de Março, em Planaltina (DF), para realizar sua primeira farinhada. Fui um marco importante de nossa caminhada para a construção da Cooperativa Feminista

 

 

Coordenação do II Laboratório Organizacional Feminista para Sustentação da Vida – Território: Distrito Federal e Entorno, realizado em parceria pela CFEMEA e o MST

 

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A partir da experiência vivida desde nossos corpos-territórios, em um dos finais de semana mais quentes do ano, identificamos que este momento foi um marco histórico na construção da Cooperativa Feminista para a Sustentabilidade (Coofesus), promovendo integração entre as mulheres trabalhadoras, dos acampamentos de luta pela terra, dos assentamentos de reforma agrária. Esta integração também se expressou no encontro entre as veteranas que se formaram no processo do laboratório e as novas participantes que se somam na atual etapa de acompanhamento, interessadas em serem cooperadas. Assim, estamos nos desafiando a avaliar e interpretar este processo também de forma coletiva para sermos sujeitos de nossa história e de nossa memória ao escrevermos, contarmos e reverberarmos esta história tão potente, com o objetivo de envolver cada vez mais companheiras!

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Identificamos que o acesso aos equipamentos de produção é uma dimensão fundamental para fortalecer as condições adequadas de produção, geração de renda e reprodução da vida, para garantir o acesso das mulheres à tecnologia, para que cada vez mais as mulheres vivam com autonomia, dignidade e valorização de seus saberes, trabalhos, práticas autogestionárias e de autocuidado, cuidado coletivo e cuidado com o meio ambiente.

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Percebemos como tem sido importante cada roda entre mulheres que constrói, passo a passo, a caminhada coletiva de nossos processos organizativos a partir dos territórios de cuidado, luta e sustentação da vida, os quais vão acumulando forças para, na atual conjuntura, defender a democracia, os direitos humanos, o bem viver das mulheres e suas comunidades, a sustentação da vida como um todo. Na hora da produção, nossas relações de cooperação, cuidado e confiança entre mulheres se expressaram em um clima leve e um ambiente saudável de trabalho coletivo e solidariedade, na organização de equipes que higienizavam o espaço, que lavavam as mandiocas, outras que cuidavam dos processos de descascar e triturar, outras de prensar e peneirar, enquanto outras cuidaram do forno, de torrar a farinha e depois de embalar e, igualmente fundamental, também houve a preparação da alimentação e da hidratação de todas as trabalhadoras. Ao longo do processo, nós também nos envolvemos em ações de anotar, escrever, registrar, fotografar e avaliar o que fizemos para comunicar nossos aprendizados coletivos e multiplicar cada vez mais e melhor as boas práticas.

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Há conhecimentos que só colocando as mãos na massa para organizar o trabalho, dividir tarefas, tomar decisões juntas, lidar com o tempo da produção, fazer contas, pensar para quem vender e, sobretudo, experimentar o que significa construir coletivamente uma outra forma de produzir e sustentar a vida. Foi com esse espírito que as mulheres de diferentes acampamentos de luta pela terra e assentamentos de reforma agrária, organizados no Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), no Distrito Federal e Entorno, construíram a “Oficina prática de funcionamento de cooperativa: Produção de farinha de mandioca”. A atividade integrou a etapa de acompanhamento do II Laboratório Organizacional para Sustentação da Vida – Território: DF e Entorno e teve um objetivo muito concreto: Avançar na construção da Coofesus, empreendimento coletivo autogestionário feminista das mulheres sem-terra nos territórios envolvidos no projeto.

Mas não é apenas farinha que está sendo produzida: É cooperação feminista para sustentação da vida; é autocuidado, cuidado coletivo e cuidado com o bioma cerrado; é agroecologia, soberania alimentar e autonomia das mulheres para um bem viver livre de desigualdades, violências e violações de direitos!

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