Derrotamos o fascismo nas urnas. Para as feministas, agora é hora de radicalizar a democracia, para construirmos uma democracia feminista, antirracista e popular, enraizada nos territórios e comprometida com a sustentação da vida!

Cfemea 26/10/2026

 

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Nós feministas antirracistas podemos expressar a alegria de termos vencido a desesperança, a impotência, o individualismo reinante, o fascismo, as BigTechs, o imperialismo. Que grandiosa vitória essa virada que a mobilização popular produziu. Foram tantos corações valentes e generosos. A força das consciências críticas que as mulheres mobilizaram. As mães de vítimas da violência do estado, as juventudes, as pessoas idosas, todo o povo nordestino e o conjunto da população brasileira que construíram o resultado que sustentou o Brasil no rumo da Democracia. Democracia, substantivo feminino!

Tomar para si essa conquista é também tomar a responsabilidade política pelo processo que segue. Nós mulheres contribuímos para essa conquista: às mulheres o que é das mulheres! Sentimos-pensamos e deciframos os sinais dos abusadores que nos ameaçavam, desvendamos a hipocrisia e alertamos as nossas famílias, nossas comunidades, nossa sociedade sobre os riscos que corremos. Defendemos com unhas e dentes, com corpo e alma, com alegria e convicção, com fé e razão, nossos corpos-territórios, nossos direitos e a democracia.

Foi com a nossa mobilização, nas ruas e nas redes, que derrotamos as pretensões do fundamentalismo religioso sedento de poder e lucro.. Derrotamos a quadrilha que pretendia usurpar o poder público, entregar os bens comuns, aniquilar os nossos direitos, a soberania popular, massacrar a maioria do povo, minorizado politicamente.

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A SOBERANIA POPULAR NÃO SE NEGOCIA!

A democracia brasileira não pode ser refém da violência política, da desinformação, da ameaça golpista ou de qualquer tentativa de impedir o exercício livre do voto.

O direito de votar é inegociável. O direito de chegar às urnas deve ser garantido. E a decisão soberana do povo brasileiro precisa ser respeitada!

As denúncias de obstáculos ao transporte de eleitoras e eleitores, por parte de forças golpistas, de extrema direita, fundamentalista e fascista, também de intimidação política e violência contra eleitores e parlamentares são gravíssimas e exigem apuração rigorosa, transparência e providências imediatas das instituições responsáveis. Para o povo trabalhador e pobre das periferias de cidades como Salvador e São Paulo, ontem foi um dia de humilhação. Amontoados e amontoadas nos pontos de ônibus, esperando horas por um transporte que não vinha, sem informação, vivemos uma condição indigna que evocou as imagens e a lógica da senzala!

Nenhuma força política, autoridade pública ou grupo econômico pode se colocar acima da vontade popular ou criar barreiras para que ela se manifeste. O que os prefeitos de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas e São Paulo fizeram só tem um nome, crime. Crime que deve ser apurado com rapidez e punido severamente.

Tem que ser dever do Estado assegurar que todas as pessoas possam votar livremente, sem medo, coerção ou impedimentos. Foi isso que Cristiano Zanin, Ministro do Supremo Tribunal Federal, tentou fazer no pouco tempo que teve para tomar uma decisão. A decisão por prorrogar o tempo de eleição do segundo turno por mais duas horas, tentando garantir que quem já estava na rua em direção a sua escola eleitoral e que não chegou por força golpista que tentou impedir milhares de pessoas de votar, foi uma decisão acertada, ainda que não se tenha conseguido evitar o prejuízo causado pelas forças golpistas fascistas.

A soberania popular não pertence a partidos, governos ou tribunais. Pertence ao povo brasileiro e o povo brasileiro referenda a reeleição do presidente Lula.

consorcio lei maria da penha

Foto das integrantes do Consórcio Maria da Penha 

 

SOBERANIA É POVO ELEGENDO E PARTICIPANDO ATIVAMENTE

Tiramos muitas lições dessas eleições. Vamos refletir sobre elas ao longo dos próximos dias, em reuniões, rodas de conversa, oficinas nos bairros e territórios. Mas, desde logo sabemos uma coisa que não pode ocorrer. O governo esquecer o povo, ficar só discutindo em gabinetes, articulando com lideranças partidárias, não só faria Lula perder o segundo turno, faria o povo brasileiro perder a democracia no nosso país. A diferença foi o povo nas ruas, o povo nas redes. O povo nas urnas. E o Lula ouvindo o povo, chamando o povo, construindo com o povo. O povo, isso é que fez diferença.

É sabido que não é uma opção e caminho esquecer as mulheres, as juventudes, os povos indígenas, a população negra e as comunidades periféricas urbanas e rurais do processo de governo nos próximos quatro anos. Essa estratégia antiga e já testada seria abrir caminho para o engajamento do monstro do fascismo, hoje momentaneamente frustrado pela derrota eleitoral. Isso também deixaria o governo Lula refém de uma Câmara Federal e de um Senado Federal amplamente controlados pela extrema direita e pelos fascistas.

Não achemos que essa vitória eleitoral é a total derrocada do fascismo e da familicia bolsonarista. Ainda existe muita luta pela frente, em muitas frentes de batalha. Precisamos permanecer atentas e fortes, mobilizadas!

A mobilização popular não deve ser motivo de temor para o governo. Ao contrário: são as ruas mobilizadas que podem fazer o contraponto às forças conservadoras, fortalecer a defesa dos direitos, ampliar a participação democrática e conferir legitimidade às ações governamentais.

Estamos fazendo história. Poderemos mostrar ao mundo que é possível resgatar um país para a democracia. Não podemos perder isso de vista.

Viva o Brasil! Viva o Povo Brasileiro! Viva as mulheres brasileiras. Viva os povos originários, os povos ribeirinhos, as trabalhadoras rurais e camponesas, as agricultoras familiares, o povo negro, os povos de terreiro! Viva a comunidade LGBTQIAPN+! Viva a juventude brasileira, sem medo e que nos mostra o caminho das ruas e das redes!

Viva a democracia!

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genocidio gaza