Publicado em 1960, livro de Carolina Maria de Jesus registra a pobreza, o racismo e as desigualdades vivenciadas pela autora na favela do Canindé, em São Paulo
Ministério da Igualdade Racial - Publicado em 19/08/2026

Painel de abertura da exposição Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros, no IMS Paulista. Foto de Adima Macena.
O livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus, oficializa desde a sua publicação em 19 de agosto de 1960, 66 anos de registros do período em que a autora viveu na favela do Canindé, em São Paulo.
A obra apresenta o cotidiano marcado pela fome, pobreza, racismo e desigualdades sociais e faz referência à maneira como a autora percebia a favela colocada à margem da cidade e da sociedade.
Em menos de um ano após o lançamento, Quarto de Despejo vendeu mais de 70 mil exemplares no Brasil. Desde então, a obra alcançou cerca de 1 milhão de exemplares vendidos, com traduções para cerca de 14 idiomas e circulação em mais de 40 países.
Referência na literatura mundial - Carolina Maria de Jesus sustentava os filhos como catadora de papel e encontrava na escrita uma forma de registrar a própria experiência e o cotidiano da comunidade onde vivia.
A produção de Carolina Maria de Jesus também contribuiu para destacar a presença de mulheres e de pessoas negras das periferias no campo literário brasileiro. Ao transformar experiências de pobreza, racismo e exclusão em registro escrito, a autora produziu uma narrativa em primeira pessoa sobre as desigualdades sociais e raciais e deixou uma obra que permanece como referência para o debate sobre racismo e desigualdade no Brasil.
Além de Quarto de Despejo, Carolina publicou outras obras, como Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-Favelada, Pedaços da Fome e Provérbios. Sua produção literária e sua trajetória passaram a integrar a memória cultural brasileira e a discussão sobre a representação da população negra na literatura.









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