Texto: Maykon Almeida*
Lubi Prates - Foto: Mayara Barbosa
Autora de quatro livros de poesia, Coração na boca (2012), Triz (2016), Um corpo negro (2018) e Até aqui (2021), Lubi teve suas duas últimas obras como finalistas do Prêmio Jabuti: em 2019, na 61ª edição, e em 2022, na edição 64 da premiação. Tradutora de diversos livros, a escritora também teve suas obras traduzidas e publicadas na Alemanha, Argentina, Colômbia, Croácia, Estados Unidos, França, Portugal e Suíça.
Segundo ela, a ideia era criar um espaço aconchegante. “Acho que consegui manter a poesia também na exposição. No início do projeto, eu já queria que as fotografias não tivessem molduras, que pudéssemos reproduzir fotografias coladas nas paredes, algo tão comum na minha infância nos anos 1990 e em outras famílias negras. Trouxemos álbuns e monóculos, de um tempo em que começou, mesmo sem pensar, a minha relação com a fotografia. Tão afetiva!”, afirma a escritora.
A escolha de Portugal se deu porque foi em Lagos, na região do Algarve, que aconteceu o primeiro leilão de pessoas escravizadas. Na manhã de 8 de agosto de 1444, 235 pessoas negras foram destituídas de sua humanidade e transformadas em objeto, mercadoria e moeda.
É também nesse território marcado pela história da escravização que Lubi procura outras histórias e possibilidades para as maternidades negras. “Aqui, em Portugal, eu quero recolher as sementes que as mulheres negras escravizadas deixaram e plantaram para nós, colher as flores, que é conhecer mães negras que estão, conscientemente, construindo uma maternidade própria, livre”, afirma.

Lúcia, Cátia e Vicente – Foto: Douglas Santiago











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