Cuidado, acolhimento, respeito. Características marcantes das religiões de matriz africana que também simbolizam o contraste vivido por seus adeptos

Primeiras ações acontecem nas redes sociais e promovem a valorização destes espaços
Cuidado, acolhimento, respeito. Características marcantes das religiões de matriz africana que também simbolizam o contraste vivido por seus adeptos: são eles os principais alvos de ataques ligados à expressões de fé. Em recente divulgação, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania indicou que, até o mês de novembro de 2022, foram 1072 situações denunciadas, 45% a mais que em 2020. Dados que mostram um grave cenário, e que se torna ainda mais perverso ao saber que as violências sofridas pelas religiões de matriz africana são subnotificadas.
Ao longo de sua história, o combate ao racismo religioso tem sido uma importante luta de Criola em parceria com religiosas e organizações. Neste 21 de janeiro, Dia Nacional de Luta Contra o Racismo Religioso, Criola se une a Doné Conceição d’Lissá – Kwe Ceja Gbé, Adriana Martins – Ilè Asè Isegùn Omo Osogiyan – Asè Bangbosè, Iyá Dolores – Ìyálàse Oyayele Dolores Lima – Àse Ìdásílè Ode, Iyá Wanda de Omolu – Ylê Asè Egi Omim, Pai Celso de Oxalá – Sociedade Ketú Àse Igbin de Ouro, Iyá Rosiane Rodrigues de Iemanjá – Ilê Kenda Omin Ala, Mãe Tânia de Iemanjá,- Ilê Axé Yá Manjele Ô, Babá Adailton de Ogun – Ilê Axé Omiojuaro, Babá Gustavo de Oxóssi – Ilê Axé Omi Ogun siwaju, Ekedi Thula Pires – Ilê Axé Omiojuarô, Ekedi Lúcia Xavier – Ilê Axé Omiojuarô, e Raça e Igualdade para realizar a campanha “Ser de matriz é lutar por direitos”, de valorização e combate contra as violências que essas religiões sofrem. O grupo compõe a articulação Terreiros em Luta, que tem como objetivo contribuir para a auto-organização pela defesa dos direitos de suas casas e membros.
Ao longo dos próximos meses, a frase “Ser de matriz africana é…” traz o público para a luta cotidiana e exalta as ações promovidas por estes espaços. Além de religiosidade, esses espaços são guardiões da cultura afro-brasileira e promovem saúde, cuidado, enfrentamento ao racismo e a todo o tipo de violência.
As ações iniciais acontecem nas redes sociais e promovem a valorização das religiões e o orgulho público de seus frequentadores. Serão disponibilizado temas para utilizar nas fotos de perfil das redes sociais, além de conteúdo com orientações para enfrentamento ao racismo religioso.
Legislação para enfrentar o rcismo
A cartilha “Terreiros em luta: caminhos para o enfrentamento ao racismo religioso” é um dos materiais que será trabalhado ao longo da campanha. A publicação resgata as leis, políticas e serviços de proteção ao racismo religioso em âmbito nacional e também com foco nos estados do Rio de Janeiro e Bahia. O material explica como realizar denúncias em casos de violações presenciais ou virtuais, com dicas importantes para acesso ao direito fundamental de liberdade de expressão religiosa.
Neste ano, o Dia Nacional de Luta Contra o Racismo Religioso será celebrado com uma novidade: desde o dia 11 de janeiro, com a equiparação do crime de racismo e injuria racial, o racismo religioso também passa a ter responsabilizações mais duras para quem o comete. A punição passa a ser a mesma previstas pelo crime de racismo,
A nova lei deve ajudar a proteger as vítimas, ao prever pena de 2 a 5 anos para quem obstar, impedir ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas, além do pagamento de multa. A pena poderá ser aumentada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas. A expectativa é que o reconhecimento da importância da lei impacte também no serviço público, uma vez que os religiosos nem sempre encontram amparo ao buscar os serviços de denúncia.










Uma coletânea de artigos escritos por parceiras estratégicas da CFEMEA e que construíram conosco nossas principais lutas políticas ao longo dos últimos 30 anos. 


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