II Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas aconteceu entre os dias 14 e 18 de junho e reuniu mulheres de 24 estados e de todos os biomas

17 jun

 

Por: Letícia Queiroz - CONAQ

O Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) reuniu, em Brasília, entre os dias 14 e 18 de junho, mais de 300 mulheres quilombolas de 24 estados brasileiros, além de mulheres da Colômbia e Equador. Com o tema “Resistir para Existir”, o evento organizado pelo Coletivo de Mulheres da CONAQ discutiu pautas relacionadas à necessidade de políticas públicas que atendam os quilombos e a necessidade de não violar direitos de mulheres quilombolas.

Entre os objetivos do encontro também estão a necessidade de chamar atenção do poder público para o cumprimento da lei que visa garantir a permanência de mulheres nos quilombos. Elas também denunciaram a falta de políticas específicas para mulheres quilombolas e reafirmaram a importância da garantia de direitos para superar as desigualdades, a discriminação e a violência.

Nos quatro dias de evento as mulheres participaram de um intercâmbio cultural e uniram forças na busca por igualdade racial e de gênero e pela promoção de diálogos de mulheres de diferentes partes do país.

“Lutamos contra uma condição histórica que nos coloca no lugar da vivência do racismo, do machismo, da pobreza e do desrespeito ao nosso território, nossos corpos e nossa cultura. Sabemos que, como povo quilombola, temos um dever muito grande pois somos a resistência dos nossos ancestrais e temos que continuar avançando e pressionando”, afirmaram as mulheres quilombolas em carta escrita em conjunto durante o encontro.

 

Durante os quatro dias de evento estiveram presentes as autoridades federais, Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial, Aparecida Gomes, Ministra das Mulheres, Paulo Teixeira, Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e Márcio Macedo, Ministro da Secretaria Geral da Presidência, além da primeira-dama, Janja Lula da Silva e de vários parlamentares.


Foto:Claudio Kbene

Na formação das mesas com as autoridades foram discutidos temas que afetam diretamente as comunidades quilombolas, incluindo a falha do Estado na demora para reconhecer, registrar e titular territórios quilombolas. Foram apresentadas aos ministros e ministras situações de violações de direitos, como as falhas para o acesso à educação e de políticas públicas e das ameaças sofridas por conta de construções que podem afetar as estruturas e vidas dentro das comunidades.

“A gente sabe o quanto é difícil sermos mulheres e principalmente ser mulher negra. Se a gente deve essa eleição à volta da democracia, a eleição do presidente Lula se deve às mulheres e principalmente às mulheres negras. Essas mulheres negras das periferias e dos quilombos”, disse a primeira-dama Janja Lula.

Após ouvir as demandas das mulheres, em especial sobre a burocracia de editais de fomento, a ministra da mulher, Cida Gonçalves, falou da importância de garantir a geração de renda dentro dos territórios, e da luta pela igualdade salarial entre homens e mulheres. Reforçou que uma das perspectivas do governo é trabalhar a igualdade no Brasil, e disse que serão discutidas formas de avançar no repasse de verbas para mulheres quilombolas.

Ao longo do encontro foram realizadas apresentações de todos os projetos realizados pela CONAQ com o apoio de organizações e redes parceiras.  Místicas organizadas por estados e regiões do Brasil também chamaram atenção. Os momentos culturais animaram as mulheres do auditório com músicas da ancestralidade.

O grupo Moçambique da comunidade Carrapatos da Tabatinga, município de Bom Despacho (MG), também se apresentou no encontro. O momento emocionante carregado de muita fé, cultura e tradições, contou com a participação dos griôs e crianças quilombolas.

No sábado (17) a jornalista Flávia Oliveira foi homenageada em uma mesa. Ela, que descobriu que é quilombola, não segurou a emoção e chorou quando teve parte de sua história ancestral contada no auditório principal pelas vozes de mulheres quilombolas.

”Quanto mais sabemos das nossas origens, melhor traçamos os nossos destinos. Acho que essa busca do passado é fundamental para consolidar essa trajetória que me ajuda a falar das histórias de todas nós. Estou profundamente grata por essa memória sendo aflorada mais uma vez”, disse a jornalista.

Flávia Oliveira também falou da importância do censo inédito que contabiliza a população quilombola e da necessidade do reconhecimento de quilombolas como guardiões do meio ambiente.

A feira do Encontro de Mulheres também chamou atenção das participantes, organizadoras, convidadas e parceiras do evento. Nos quatro dias foram expostos produtos produzidos por mulheres dos 24 estados participantes do Encontro.

Durante o Encontro foram realizados Grupo de Trabalho (GT’s) que discutiram vários temas, como “Mulheres quilombolas: diversidade e os desafios, na luta contra os impactos do preconceito”, ‘Mulheres quilombolas e as religiosidades”, “Resistências Quilombolas: Protagonismo das Juventudes e Territorialidades”,”Mulheres quilombolas e Defensoras de Direitos Humanos e mecanismos internacionais”, “Mulheres quilombolas e as violência que nos atingem: política, doméstica e segurança de ativistas”, entre outros.

No último dia de evento, mulheres quilombolas leram e aprovaram a carta escrita durante o evento. O documento foi aprovado por todas as mulheres.

Sandra Maria da Silva, coordenadora Executiva da CONAQ, agradeceu a presença das mulheres no encontro.

“Nós somos mulheres de luta. Esse momento é de dar visibilidade às mulheres quilombolas e reivindicações dos direitos territoriais. Esse momento é de construção e reconstrução das políticas e de titulação de nossos territórios. Passamos por percalços, mas sobrevivemos. Estamos aqui juntas para construir”, pontuou.

Selma Dealdina, que conduziu as mesas, místicas e GT’s se emocionou no encerramento do Encontro e falou que o momento foi importante para reafirmar as pautas de mulheres quilombolas.

“Desde 2018 estamos batalhando para fazer esse Encontro. É um momento muito importante para a gente por vários motivos. Primeiro que marca a nossa trajetória dentro do atual cenário político de possível diálogo com a atual gestão. Nosso encontro foi gigante. Nós tivemos a presença de quatro ministros, vários deputados, senadores, autoridades, pessoas que apoiam a luta, a Flávia Oliveira. Isso respaldam o que estamos falando, que as mulheres quilombolas são importantes para o Brasil, elas merecem respeito, merecem ser ouvidas, e as suas pautas precisam ser atendidas”, destacou Selma. 


Foto: Letícia Queiroz

Selma ainda informou que outros encontros acontecerão. “Que venha o próximo Encontro com a gente muito mais fortalecidas. Com mais mulheres nas coordenações, nos espaços de poder, nas prefeituras, como vereadoras e construindo política”, encerrou Selma.

 

fonte: https://conaq.org.br/noticias/resistir-para-existir-conaq-reune-mais-de-300-mulheres-quilombolas-em-brasilia/

 


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