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A campanha “Amazônia, querem te acabar, as mulheres não vão deixar!” é uma iniciativa feminista de mulheres ativistas que lutam para defender os territórios amazônicos, e convidam toda a sociedade a se mobilizar, apoiar e fazer ecoar as suas vozes em defesa de nosso maior patrimônio natural.

A Amazônia, região que apresenta a maior biodiversidade do planeta, sempre foi um território de disputa violenta dos grandes conglomerados econômicos do país e do exterior para dominarem seu ambiente e os territórios de comunidades rurais e tradicionais que dependem da sua preservação para sobreviver. Mais da metade da população indígena brasileira, 350 mil indígenas, vive na Amazônia, além de 400 comunidades quilombolas.

Os episódios recentes de incêndios criminosos na Amazônia são um retrato da situação calamitosa, da desproteção do território amazônico e do descompromisso do governo com a proteção de nosso maior ecossistema. Enquanto o mês de agosto de 2019 teve recorde de focos de incêndio na Amazônia em relação aos últimos 9 anos, quase o triplo de 2018, o presidente se reunia com governadores dos estados da Amazônia legal e firmava acordos para a ampliação da exploração agropecuária na região. O compromisso do governo federal com o agronegócio e o empresariado para acentuar o desenvolvimento predatório da Amazônia está declarado, assim como o ataque aos povos indígenas, quilombolas e tradicionais que defendem a floresta em pé. Exemplo recente dessa postura lamentável foi o discurso do presidente na assembleia geral das nações unidas no ano passado, onde proferiu acusações mentirosas contra os povos indígenas e atacou diretamente o cacique Raoni, maior liderança do movimento indígena nacional, indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

O Brasil figura entre os países mais violentos para defensoras e defensores de direitos humanos do mundo e, após o golpe de 2016, a situação vem só piorando. Um triste exemplo foi a execução brutal da vereadora e defensora de direitos humanos Marielle Franco, em março de 2018 e da coordenadora regional do Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB do Pará, Dilma Ferreira Silva, em Março de 2019. Segundo relatório da Global Witness, o Brasil liderou o ranking de assassinatos de defensores de direitos humanos e ambientalistas em 2017, com 57 assassinatos contabilizados, sendo que 80% desses ativistas viviam na Amazônia.

A situação de violência, perseguição e criminalização das defensoras de direitos humanos está se acentuando no atual governo – ultraliberal, militarizado e autoritário. Desde que o então candidato Jair Bolsonaro prometeu, durante a campanha eleitoral, que seu governo não destinaria mais um centímetro de terra aos povos indígenas, mais de 20 Terras Indígenas já foram atacadas por madeireiros, fazendeiros ou grandes empresários e a violência cresceu, com diversas lideranças indígenas ameaçadas de morte.

Os diversos desastres cotidianos, as queimadas que atingem comunidades rurais e tradicionais, a fauna e a flora dos territórios amazônicos nos colocam diante da necessidade urgente de aumentar o controle social sobre todo o processo de licenciamento ambiental e qualquer iniciativa de exploração de nossos recursos naturais. No entanto, o governo está estudando as possibilidades de liberação de áreas protegidas como as terras indígenas e faixas de fronteira para a mineração, além da alteração na legislação para favorecer a exploração de minérios nucleares no Brasil.

O ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, considera que as áreas protegidas na Amazônia “freiam o desenvolvimento”, e defende a prática da agricultura comercial e da mineração nas reservas indígenas, incluindo aquelas onde vivem povos indígenas isolados. Em campanha eleitoral para deputado federal nas últimas eleições, o atual ministro sugeriu nas redes sociais o uso de munição de fuzil contra militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. Não por acaso, em 100 dias de governo Bolsonaro, a Amazônia já havia presenciado três chacinas de trabalhadores rurais. Três pessoas foram assassinadas dentro de casa no Assentamento Salvador Allende, município de Baião (PA), entre elas a coordenadora regional do MAB do Pará, Dilma Ferreira Silva.

Mesmo diante de um contexto tão adverso, nós ativistas feministas, indígenas, negras, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, agricultoras, sindicalistas lutamos pelo reconhecimento de nossas terras, contra a privatização dos comuns, pela preservação das águas, pelo direito a viver sem violência, pelo Bem Viver, por respeito às nossas culturas e modos de vida, pelos nossos direitos humanos. Mobilizadas e mobilizadoras de nossas comunidades, resistimos à pressão dos megaprojetos e latifúndios sobre nossos territórios, à destruição da floresta e à mercantilização da Amazônia, que geram consequências desastrosas para as nossas vidas e comunidades, além de riscos para o nosso planeta. Rejeitamos o lugar de submissão que nos é imposto e reafirmamos nossa autonomia sobre os nossos corpos e territórios, enfrentando ameaças e as mais variadas formas de violência.

As mulheres que lutam por direitos desafiam as estruturas dominantes por sua própria existência como sujeitas políticas, pois ousam ocupar os espaços públicos historicamente destinados aos homens brancos. Enfrentamos situações de violência desde nossos espaços domésticos, nossas próprias casas e comunidades, porque lá também muitas sofrem ameaças e agressões por serem ativistas, além dos ataques por parte da polícia, do Estado, de empresários, fazendeiros e outros sujeitos que ocupam os espaços públicos. A violência sexual ou a ameaça de violência sexual é constantemente utilizada com o intuito de nos afastar dos espaços públicos e da atuação política, e nos manter num lugar de silencio e subalternidade, ou mesmo para punir as mulheres porque ousam reivindicar a igualdade e lutar por seus direitos.

Assim, as mulheres que lutam na Amazônia, que subvertem o papel social que lhes é imposto, são invisibilizadas, têm sua atuação e seu protagonismo político ofuscado, o que aumenta os riscos e as violências que sofrem. Quando não aparecem nos dossiês, nas reportagens, nos palanques e microfones, as mulheres defensoras estão mais vulneráveis a ameaças e violências, que passam despercebidas até mesmo dentro dos movimentos sociais em que atuam.

Este é o contexto onde nós mulheres defendemos o direito à vida e ao território na Amazônia, e resistimos às inúmeras ameaças e violências.

Envolva-se, comprometa-se, denuncie, participe e apoie a lutas das mulheres na Amazônia. Contribua para fazer ecoar as nossas vozes, cante conosco em alto e bom som “Amazônia, querem te acabar. As mulheres não vão deixar. As mulheres não vão deixar!

#AmazôniaPedeSocorro #AmazôniaBemComum #MulheresPelaAmazônia

Assinam esta campanha:

Articulação de Mulheres do Amapá – AMA/AP
Articulação de Mulheres do Amazonas – AMA/AM
Centro de Estudos e Defesa do Negro – CDENPA/PA
Centro Feminista de Estudos e Assessoria – CFEMEA
Coletivo de Mulheres Na Raça e Na Cor/PA
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMPA/PA
Fórum Permanente de Mulheres de Manaus/AM
Grupo de Mulheres Brasileiras – GMB/PA
Grupo de Mulheres Raízes do Bacuri/PA
Movimento Afrodescendente do Pará – MOCAMBO/PA
Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense – MMNEPA/PA
Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade – MMTA-CC/PA
Núcleo de Mulheres de Roraima – NUMUR/RR

Assista ao documentário Encantadas – Mulheres e suas lutas na Amazônia: http://bit.ly/EncantadasAmazonia


Apoie as lutas das mulheres na Amazônia, envolva-se!

Acompanhe, curta e compartilhe a campanha “Amazônia, querem te acabar. As mulheres não vão deixar!”.


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