Ontem, 13 de novembro de 2019, o Cfemea fez a abertura da exposição que narra a trajetória de 30 anos da organização. O Centro resgatou e relata, na forma de linha do tempo, todos os momentos, construções e conquistas no decorrer dessas três décadas. O Centro apresenta as peças de comunicação, bem como seu trabalho de formação e articulação política para a realização do advocacy feminista (promoção e defesa de ideias) em prol da cidadania das brasileiras. Além disso, publiciza uma ferramenta de memória e pesquisa inédita, a linda do tempo, construída em 3 paralelos: a trajetória do CFEMEA, a movimentação realizada pelas feministas e mulheres no País e na região da América latina e os processos de conquistas na relação com os poderes instituídos.

Com a possibilidade de ter acesso a todos os vídeos, campanhas, fotos, publicações e textos dessa história, a exposição é um convite a visitarmos as lutas e conquistas, bem como as resistências à perda de direitos que a força do movimento feminista brasileiro impulsionou nesse período.

Era final da década de 1980 e o Brasil estava em plena redemocratização. As cinco fundadoras, Gilda Cabral, Guacira Cesar de Oliveira, Iáris Ramalho Cortês, Malô Ligocki e Marlene Libardoni, que faziam parte do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres/CNDM, trabalharam arduamente para construir pontes entre os grupos de mulheres e a Assembleia Nacional Constituinte. Foi com a desestruturação do próprio CNDM e a perda de interlocução com os poderes públicos que se tornou imperativo abrir outros caminhos para os movimentos de mulheres incidirem no debate sobre a regulamentação da nova Constituição. Assim nasceu o CFEMEA.

Três décadas depois, muitas conquistas, desafios e verdadeiras batalhas foram travadas para a garantia dos direitos das mulheres. Nesse período, o CFEMEA atuou para a elaboração e a efetivação de dezenas de leis, e incidiu no Ciclo Orçamentário. A Lei do Planejamento Familiar (1996), a Lei de Cotas na Política para as Mulheres (1995 e revisão em 1997), a Lei Maria da Penha (2006) e a igualdade de direitos para as trabalhadoras domésticas (2013) são marcos importantes dessas conquistas. A partir de 2002, o Orçamento Mulher foi um instrumento importante de monitoramento e pressão para que as previsões legais não fossem letra morta, mas tivessem consequência real no planejamento das políticas e no orçamento público.

A exposição também conta a história da Universidade Livre Feminista, criada em 2010, como um espaço de produção de conhecimento e “formação na ação”, que estimula leituras, reflexões, trocas de ideias e de experiências libertárias e transformadoras vivenciadas pelas mulheres, lançando mão das mais diversas linguagens.

Nos cartazes, nas manchetes dos jornais Fêmea, nas referências da linha do tempo, nas publicações em geral, é possível passear e ver algumas das organizações parceiras com quem o CFEMEA vem, há décadas, construindo o movimento, a exemplo da Redeh – Rede de Desenvolvimento Humano, do SOS Corpo – Instituto Feminista pela Democracia, Cunhã Coletivo Feminista, Criola, Curumim, Geledés, Católicas pelo Direito de Decidir, Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Cotidiano Mujer (Uruguai), CDE – Centro de Documentação e Estudos (Paraguai), Flora Tristan (Peru) e CISCSA – Centro de Intercambio e Serviços para o Cone Sul (Argentina).

Em toda a exposição, vemos referência também às ações do CFEMEA no fortalecimento de articulações nacionais e latinoamericanas no campo feminista. Articulação de Mulheres Brasileiras, Rede Nacional Feminista de Saúde, Plataforma DHESCA, Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e Pela Legalização do Aborto, Articulação Feminista Marcosul, são exemplos de articulações com as quais o Cfemea está diretamente envolvido, contribuindo coletivamente para transformar o Brasil e a América Latina em lugares de bem viver.

Nesses 30 anos, já são quase 150 projetos desenvolvidos com o apoio de mais de 50 organizações e fundações nacionais e internacionais, de organismos integrantes do Sistema das Nações Unidas e de órgãos do governo brasileiro. Temos plena consciência de que o CFEMEA de hoje só é possível por causa das cinco feministas que o fundaram, pelo trabalho de mais de uma centena de mulheres, e alguns homens, que passaram pelo coletivo nesses 30 anos e pela presença das parceiras desde sua concepção até os momentos atuais.

A exposição fica aberta até o dia 7 de dezembro, na galeria de arte da Faculdade Dulcina de Moraes, no CONIC. O horário de funcionamento é de segunda a sábado, de 12:00hs às 20:00hs.

Curadoria e Concepção: Sonia Malheiros Miguel
Concepção e Arte Final: Aldo Ricchiero
Produção Executiva: Jaqueline Fernandes

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