A Conferência da Solidariedade e da Autonomia

Dias 6 e 7 de junho, com a realização da Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras, vivemos um momento histórico. Vindas de todos os 27 estados do país, éramos cerca de 2000 mulheres: brancas, negras, índias, trabalhadoras rurais, urbanas e domésticas; magras e gordas; lésbicas e heterossexuais; sindicalistas, militantes partidárias e de Ongs; professoras, parteiras, prostitutas; portadoras de deficiência física; mulheres de todas as crenças religiosas; na melhor ou na menor idade...

Para muitas pessoas que observavam o auditório Petrônio Portella, o que mais chamava atenção era exatamente a diversidade, a presença de grande número de lideranças, tanto históricas quanto recentes, dos movimentos de mulheres e feminista, discutindo, além dos temas tradicionais, aspectos econômicos como o ajuste estrutural e o neoliberalismo.

Para nós, do CFEMEA, que participamos ativamente de todo o processo preparatório das Conferências Estaduais, o que mais nos marcou na Conferência foi a solidariedade das mulheres e a afirmação da autonomia do movimento. Com muita maturidade, as companheiras venceram de forma serena os embates políticos e, quase como uma palavra de ordem não dita, em todo Brasil a grande preocupação dos Comitês de Mobilização Locais foi incluir as mulheres e não excluí-las. As negociações políticas realizadas pelas lideranças estaduais, sempre num espírito inclusivo, possibilitaram a resolução de conflitos e a soma de forças para que, em Brasília, as mulheres pudessem contribuir na construção de propostas que visam eliminar a exclusão e tornar nosso país mais justo e menos desigual.

A Conferência Nacional também nos demonstrou a força e organização dos movimentos feminista e de mulheres no Norte e Nordeste do país. Para exemplificar, vejamos o caso do Amapá, que realizou sua Conferência Estadual com 553 mulheres e trouxe uma delegação com mais de cem pessoas.

Infelizmente, nosso grande encontro também foi marcado por um momento bastante triste. Queremos registrar o trágico acidente aéreo com o monomotor que caiu na Montanha Estrela, a 50 quilômetros do Oiapoque/AP, nos privando, para sempre, do convívio com quatro mulheres guerreiras daquele estado, que integravam a Rede Nacional de Parteiras Tradicionais: Renata Mary dos Santos Almeida, de 17 anos; Maria das Neves, de 35; Ducila Mendes Paes, de 72 e Maria Edineuza Ramos Paes, de 28 anos de idade. A elas, a nossa saudade e homenagem.

Toda equipe do CFEMEA se sente orgulhosa de ter colaborado para a realização da Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras e parabeniza a Comissão Organizadora Nacional e todas as mulheres que estiveram envolvidas nesse processo da CNMB. Queremos registrar, também, a fundamental participação de nossa querida companheira Guacira César que, como Secretária-Executiva da Articulação de Mulheres Brasileiras, nos últimos três anos, trabalhou incansavelmente pelo fortalecimento e consolidação da AMB e pelo sucesso desta Conferência.

Terminou a Conferência e ficou uma Plataforma Política Feminista forte e consistente nas mãos de todas as mulheres. Também neste início de junho, o CFEMEA concluiu seu mandato como Secretaria Executiva da Articulação de Mulheres Brasileiras, que a partir de agora, está sob a responsabilidade do SOS Corpo - Gênero e Cidadania.

Como diz o poeta, "o trem da chegada é o mesmo da partida (...) tem gente que vai, tem gente que vem". À Sílvia Camurça e Carla Batista, que recebem a Secretaria Executiva da AMB, a nossa solidariedade e desejo de sucesso.

Nossa luta, nosso olhar, para o mundo transformar!

 
 
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