O Observatório da Cidadania lançou a 5a edição de seu relatório, avaliando o desempenho de 166 países com relação aos compromissos assumidos no Ciclo de Conferências Sociais das Nações Unidas, realizado na década de 90. A publicação é produzida, anualmente, desde 1997. O estudo mais recente informa o que melhorou e o que piorou no mundo, a partir das políticas sociais. Está dividido em quatro seções: Informes Temáticos, Panorama Brasileiro, Panorama Mundial e uma seção de tabelas, com dados atualizados de cada país.

Os indicadores apresentados no relatório mostram que a maioria dos países não atingiu as metas sociais estabelecidas pela ONU para 2000. Os 20% mais ricos da população mundial ganham 74 vezes mais do que os 20% mais pobres. As 200 pessoas mais ricas do mundo possuem mais dinheiro do que a renda combinada dos 40% mais pobres. Infelizmente, são muitos os dados que mostram aumento ou diminuição insuficiente da pobreza. Por todo o planeta, e de diferentes maneiras e proporções, a desigualdade atinge tanto os países desenvolvidos quanto aqueles que estão em desenvolvimento.

Além das tabelas, o relatório possui artigos de diversos especialistas sobre: pobreza, desigualdades sociais, discriminação racial e diferenças de gênero, além de uma análise sobre a importância da Conferência Internacional sobre Financiamento e Desenvolvimento (CIFD), prevista para acontecer no México, em março deste ano.

Desigualdade entre gêneros

Com relação à situação da mulher no mundo, verifica-se que na maioria dos países analisados (81%) houve melhoria da expectativa de vida da mulher no período 1990-1998. Porém, constatou-se um retrocesso preocupante em 28 países (15%). No que diz respeito ao analfabetismo feminino, a informação disponível em 1990-1995 e 1999 mostra que 79% dos países tiveram algum avanço, enquanto 12% registraram aumento do analfabetismo feminino.

A situação mais negativa é a taxa de matrícula feminina líquida na escola primária, correspondente a esse mesmo período. Neste aspecto, somente um pouco mais da metade dos países (55%) conseguiu algum avanço, enquanto houve retrocessos em 33%. Em 12%, a situação não sofreu mudanças.

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