Marisa Fernandes é militante lésbica e feminista desde 1978. Mestre em História Social, integra o Coletivo de Feministas Lésbicas, entidade paulista. O movimento lésbico luta por visibilidade e reconhecimento de suas questões específicas. Para o dia 28 de junho, Dia do Orgulho Gay, as lésbicas paulistas vão sair na Parada do Orgulho GLBT com um "bondinho" decorado e faixas para dar visibilidade à sua existência. Em entrevista ao Fêmea, Marisa Fernandes fala das dificuldades enfrentadas pelo movimento.

Fêmea - O que é o Coletivo de Feministas Lésbicas? Como é estruturado o trabalho que vocês desenvolvem?

Marisa - O Coletivo de Feministas Lésbicas foi fundado em 1990 e é uma entidade que busca dar visibilidade política às lésbicas, combater todas as formas de discriminação, preconceito e violência contra as lésbicas, defender a liberdade de orientação sexual, os direitos sexuais e os direitos humanos e promover cidadania. Trabalhamos com atendimento e orientação jurídica gratuita para lésbicas vítimas de violência e discriminação, e desenvolvemos projeto de prevenção às DST/Aids junto à presidiárias do sistema penitenciário de São Paulo, entre outras atividades.

Fêmea - Quais são as principais reivindicações das mulheres lésbicas?

Marisa - Os direitos dos quais usufruem os heterossexuais não podem ser privilégios desta orientação sexual. Pessoas homossexuais têm direitos iguais e reivindicamos isso. Direitos não podem ser privilégios. Alguns de nossos problemas são: omissão e invisibilidade; falta de legislação que criminalize a prática de discriminação contra lésbicas; não reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo; estereótipo negativo; vinculação da homossexualidade à criminalidade e exclusivamente à prática sexual; demissões em emprego; agressões físicas; violência na família; tratamento médico hospitalar discriminatório; falta de capacitação do profissional de saúde (ginecologista) no atendimento e tratamento das lésbicas; tratamento discriminatório nas delegacias - desqualificação do fato, extorsão, tortura, negligência/omissão na apuração dos fatos de violência contra homossexuais; desqualificação de testemunho nos processos judiciais ou colocação sob suspeita; direito de guarda dos filhos; discriminação no processo de seleção e habilitação de candidatas à adoção de crianças; tratamento da homossexualidade como patologia no sistema penitenciário.

Fêmea - Qual é a visibilidade das questões lésbicas dentro do movimento gay?

Marisa - As lésbicas não têm a mesma visibilidade que os gays. Dentro do movimento homossexual, são somente 7 os grupos exclusivamente lésbicos. As mulheres homossexuais têm problemas de auto-aceitação, desinformação sobre a própria sexualidade e sofrem uma invisibilidade que lhes é imposta pela família, escola e, sobretudo, pelos meios de comunicação. As lésbicas têm, ainda, muito medo de "saírem do armário". Isso não é sem razão, dada a alta taxa de violência e discriminação que sofrem.

Fêmea - Na sua opinião, como o movimento feminista incorpora as reivindicações das mulheres lésbicas?

Marisa - O movimento feminista incorpora pouco, mal e de forma insuficiente nossas questões. Os apoios feministas são circunstanciais, pontuais. Não são de fato, contínuo, constante, reflexivo que ajude, contribua e permita à todas as mulheres estarem instrumentalizadas por se descobrirem lésbicas, por terem filhas lésbicas, alunas lésbicas, empregadas... Somos cercadas de lésbicas porque nós estamos em todos os lugares. Nesse sentido a omissão, a manutenção da invisibilidade, a ausência de tratamento das questões lésbicas me parece mais uma compactuação com a homofobia/lesbofobia.

   
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