Ana Paula Prado
Assistente Social e Presidente da Associação Brasiliense de Combate à Aids-Grupo Arco-Íris.

As comemorações relacionadas ao dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra à Aids, marcam uma nova fase da mobilização em torno da epidemia, onde para além da prevenção, da simples distribuição de preservativos e material educativo, busca-se a desconstrução da morte eminente das pessoas afetadas pelo vírus HIV/Aids, pontuando de forma acertada a existência de vida saudável naqueles que se descobrem soropositivos.

Num país onde mais de 500.000 pessoas são afetadas diretamente pelo HIV/Aids, torna-se fundamental transcender o que já avançamos, tendo em vista que as questões mais subjetivas da convivência com o vírus, ainda são pouco trabalhadas.

Infelizmente ainda concentramos nossa força na questão clínica da epidemia, distribuição de medicamentos e de preservativos , consultas médicas, entre outras, fator de grande importância para controle e garantia de vida saudável para as pessoas portadoras de HIV/Aids, mas precisamos adotar novas posturas no trato da epidemia, o contexto nos impõe isto.

As questões subjetivas, tais como o preconceito e discriminação, ainda hoje são responsáveis pelo “adoecimento social”, que as pessoas que vivem com HIV/Aids tem que enfrentar no seu cotidiano, sendo esses fatores fundamentais de serem trabalhados, para a garantia da qualidade de vida das pessoas soropositivas.

Quando simplificamos uma discussão tão complexa como essa , a uma simples distribuição gratuita de medicamentos, corremos o risco de não alcançarmos os desafios impostos, ou seja, que a pessoa possa aceitar sua condição e construir formas saudáveis de convivência com o vírus. A falta de grupos de convivência ou terapêuticos, compostos por vários profissionais (interdisciplinar), mostram ,internacionalmente, a possibilidade de avanço.

Atualmente, as Unidades de Referência para tratamento de HIV/Aids no Distrito Federal mal dão conta das demandas clínicas apontadas por nós soropositivos, vivenciamos uma acomodação do poder público frente à epidemia, que vem de encontro com o sucateamento e burocratização dos serviços oferecidos.

Tendo em vista o panorama atual, torna-se condição primordial a organização de pessoas que vivem com HIV/Aids, conjuntamente com as ONG-Aids, que têm exercido historicamente papel fundamental na definição de ações dessa política, a partir do controle social garantido pelo SUS.

   
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