D@s 15.033 candidat@s que disputam a Prefeitura das cidades brasileiras 1.137 são mulheres. Um número ainda reduzido, mas se comparado às eleições anteriores o ganho é considerável já que o número de mulheres disputando cresceu em 52% em relação às eleições de 1996.

Na edição anterior do Fêmea (nº 90) conversamos com as deputadas federais, Ieda Crusius (PSDB-RS), Luiza Erundina (PSB-SP), Maria Elvira (PMDB-MG) e Lúcia Vânia (PSDB-GO). Todas disputam uma vaga para a Prefeitura da capital de seus estados. Neste número estaremos conhecendo um pouco mais sobre outras mulheres que estão na luta para garantir um espaço político no mundo, por enquanto, ainda masculino das eleições. A maioria delas enfrenta na campanha, falta de financiamento, de apoio dos partidos, de tempo para dividir política com tarefas domésticas e ainda preconceito por parte de alguns candidatos, que se sentem ameaçados com as mulheres na política.

Entrevistamos oito candidatas de diferentes partidos, a maioria já com experiência em cargos eletivos, com curso superior, idade que varia de 35 a 58 anos, casadas e com filhos.

Desde às 6 horas da manhã Iriny Lopes, 44 anos, casada, três filhos já está de pé para mais uma rotina de campanha. Agenda política apertada. A família se arranja como pode no meio dessa nova situação. Iriny, presidente do diretório estadual do PT do Espírito Santo é a única mulher da capital a disputar uma vaga, com três candidatos homens. “Para a mulher candidata o cotidiano é muito maluco. Contamos invariavelmente com o apoio de outras mulheres, que são mais solidárias, para tentar manter a família meio organizada”.

Nas pesquisas ainda está longe de alcançar o primeiro lugar, mas para uma candidatura que foi definida quase em cima da hora a situação, por enquanto, não podia ser diferente. Militante do Movimento Popular, principalmente na área de moradia e direitos humanos, Iriny Lopes é conhecida na cidade e afirma que não sofre preconceito por parte dos homens que disputam a eleição. Ao contrário é respeitada até pelos colegas da oposição. No programa de Governo definiu a criação de uma casa de amparo às vítimas de violência, que até agora não existe em Vitória, criação de creches e investimento na qualidade profissional. Em relação ao sistema de cotas por sexo, Iriny disse que não funcionou no Espírito Santo, já que a maioria dos partidos não preencheu o previsto em lei. “Sinto que só a Lei não basta. É preciso que as mulheres se interessem mais pela política”.

Helena Barros Heluy, advogada, 58 anos, casada, 5 filhos é vereadora pelo PT em São Luís, no Maranhão. Sempre militou junto à Igreja Católica na Pastoral da Mulher. Agora disputa, pela primeira vez, uma vaga para a Prefeitura concorrendo com 6 homens. Também está com dificuldade para chegar em boa colocação nas pesquisas, numa cidade onde a oligarquia política de direita é tradicionalmente dominante. Helena também afirma que não sofre discriminação por parte dos colegas na campanha. Acha, na verdade, que a discriminação é dentro do partido, que ainda tem dificuldade em apoiar as mulheres. O PT do Maranhão está com 22 candidatos a vereadores homens e apenas 2 mulheres candidatas.

Serys Slehessarenko é familiarizada com a política. É pela terceira vez deputada estadual pelo PT de Mato Grosso. Foi a segunda deputada mais votada do Estado com 23 mil votos e a única mulher reeleita em 150 anos de Parlamento no Mato Grosso. É casada, 4 filhos e professora universitária. Na campanha não tem sofrido preconceito, mas lembra que, em seu segundo mandato, já levou murro de um deputado de oposição no plenário. “Se eu fosse um homem ele não teria se aventurado”, desabafa. Disputa esta eleição com três homens e está em segundo lugar nas pesquisas. No seu programa de Governo incluiu a criação, nas delegacias, de núcleos especiais de apoio às mulheres vítimas de violência, a criação de creches, defesa e implantação do Paism e reativação da Coordenadoria da Mulher no Estado. Serys acha que os partidos não apóiam como deveriam as candidaturas femininas e que as mulheres precisam se organizar mais para participar da política.

A prefeita Kátia Born, do PSB de Maceió também tem experiência no campo da política. Eleita vereadora em 82, participou ativamente do Movimento em Defesa da Mulher e outras causas sociais. Foi a primeira mulher a presidir a Câmara Municipal de Maceió e foi, também, secretária municipal da saúde. Em 96 elegeu-se prefeita da capital, tornando-se a primeira mulher a assumir o Executivo Municipal de Maceió. Agora concorre à reeleição e está em primeiro lugar nas pesquisas, disputando a vaga com 5 homens. Kátia tem 47 anos, é odontóloga, solteira e tem um filho adotivo. Ela afirma que sofre discriminação na disputa por ser mulher. Passa por provocações pessoais e ataques machistas. “É uma campanha danada”. Kátia aposta na administração das mulheres. Considera que elas são mais solidárias e se articulam bem com a sociedade. Acrescenta que a mulher na política é mais cobrada. Tem que estar sempre mostrando sua competência. “Temos que provar que governamos bem e somos incansáveis. É uma sobrecarga que compromete a vida pessoal”, desabafa. Em relação à campanha, Kátia acredita que as mulheres são tímidas quando o assunto é financiamento. “Não estamos ainda acostumadas a lidar com essa área.” No seu programa de Governo Kátia quer uma articulação do Conselho da Condição Feminina com todas as secretarias, ampliação do programa de saúde para a mulher e Casa Abrigo.

O Rio Grande do Norte, que teve a primeira eleitora brasileira, Celina Guimarães e a primeira prefeita, Alzira Soriano, insiste na tradição feminina de se fazer política. Nessas eleições saiu de vez com 3 mulheres candidatas à prefeitura de Natal e mais uma vice. Três homens também disputam o pleito.

Wilma Faria, prefeita pela segunda vez em Natal, disputa agora o terceiro mandato pelo PSB. Tem 56 anos, é divorciada com 4 filhos. De família tradicional do Estado está familiarizada com a política há muito tempo. Foi deputada federal constituinte e Secretária do Bem Estar Social. Está em primeiro lugar nas pesquisas.

Fátima Bezerra é deputada estadual pela segunda vez e disputa a Prefeitura de Natal pelo PT. É professora, solteira e tem 45 anos. Reconhece que ainda existe o preconceito por parte dos homens quando a mulher está na vida pública, mas pessoalmente, depois que firmou sua carreira não tem sofrido discriminação. É favorável ao sistema de cotas por sexo e espera que um dia as mulheres não precisem mais desse recurso. “A minha expectativa é que as cotas trouxessem alterações mais rápidas, mas acho válido a gente ter ainda este instrumento”. Fátima considera importante as mulheres terem se destacado na política no Rio Grande do Norte, no entanto adverte que não basta votar em mulher só pelo fato de ser mulher. “É preciso saber as vinculações políticas das candidatas e seu programa de governo”. No programa de Governo Fátima defende, principalmente, que a Coordenadoria de Defesa dos Interesses da Mulher tenha status de Secretaria, com autonomia financeira e administrativa.

Sonali Rozado, advogada, presidente do Diretório Municipal do PSDB, casada, 2 filhos, 37 anos é vereadora e disputa pela primeira vez a Pefeitura de Natal pelo PSDB. Escolheu como vice também uma mulher, Anita Maia, de família tradicional na política no Estado. Sonali é favorável ao sistema de cotas e lembra que foi através dele, nas últimas eleições, que conseguiu se eleger vereadora. Disse que não se sente discriminada pelos homens na disputa e no seu programa defende a reativação do Conselho da Mulher e a criação da Rede Saúde da Mulher 24 horas.

Quem sofre mesmo ataques machistas e depreciativos na campanha é a candidata Patrícia Gomes do PPS, que disputa pela primeira vez a Prefeitura de Fortaleza. “Quando a candidata é mulher e se destaca a situação é mais complicada. Existe o preconceito e o machismo usados com má fé por adversários que não têm propostas concretas”, afirma. Já foi vereadora, deputada estadual, tem 37 anos, divorciada com 3 filhos e pedagoga. Disputa a eleição com 6 homens e nas pesquisas está em terceiro lugar. Patrícia também é favorável ao sistema de cotas mas destaca a necessidade dos partidos estarem atentos para garantir às mulheres meios para disputar em condições de igualdade com os homens.

Feminista convicta, a candidata à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy do PT lidera as pesquisas, disputando a eleição com mais uma mulher e 14 homens. É conhecida nacionalmente pelo trabalho que desempenha junto às minorias, como homossexuais, e em defesa dos direitos das mulheres. Foi deputada federal de 95 a 98 e apresentou 22 projetos de lei na Câmara dos Deputados, foi candidata ao Governo de SP em 98 e disputa agora, pela primeira vez, a prefeitura. É casada, tem 55 anos, três filhos e é psicóloga. Marta Suplicy acha que ainda é difícil a mulher participar de uma disputa eleitoral em razão da situação cultural e social. Considera que o sistema de cotas é importante e favoreceu o aumento das mulheres na política. No programa de Governo defende políticas de combate à opressão e discriminação das mulheres.

   
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