Célia Ruthes
Psicóloga e Presidente do GAPA/RS

Ano 2000.As mulheres estão no mercado de trabalho, em casa, na rua, na universidade, na vida. Enfrentam preconceitos, quebram barreiras e exercem a cidadania. Mas é preciso avançar e discutir de forma mais contundente questões de gênero, políticas públicas de prevenção e assistência à saúde da mulher, garantindo o pleno exercício de sua cidadania.

O GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids no Rio Grande do Sul) promoveu nos dias 27,28 e 29 de março o seminário “ Nós Mulheres: Gênero, Políticas Públicas e Aids em debate”. O evento contou com as parcerias do SESC/Casa da Mulher, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre e da Coordenação da Política Municipal de DST/AIDS e teve apoio da Fundação MacArthur.

O Seminário faz parte de um projeto desenvolvido pelo GAPA/RS que visa reduzir a vulnerabilidade da população feminina do Rio Grande do Sul frente ao HIV/AIDS através de ações que estimulem o aumento das atitudes de cidadania, auto-estima e compreensão da Aids enquanto fenômeno político-social.

O evento foi direcionado aos profissionais das áreas de educação e saúde, com 220 participantes inscritos previamente, e abordou diversos temas fundamentais para a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de todas as mulheres, considerando a nova realidade da epidemia da Aids, quando as mulheres soropositivas querem exercer também o direito à maternidade.

O Seminário procurou reunir personalidades nacionais como Wilza Villela, Heleieth Saffioti, Ana Maria Costa e Maria José Araújo e, especialmente, valorizar profissionais locais que tem se destacado no desenvolvimento de ações que busquem melhores condições de vida para as mulheres.

Em termos de conteúdo teórico pode-se dizer que o evento teve dois grandes momentos: o primeiro onde se procurou trabalhar conceitos de gênero e a infecção pelo HIV nas mulheres em suas várias interfaces e o segundo, onde se discutiu as políticas públicas de gênero e a inserção da mulher nas diferentes instâncias de controle social.

Durante a Conferência de Abertura proferida pela Dra. Wilza Villela foram destacados aspectos históricos sobre os modelos de atendimento em saúde, passando da cultura materno-infantil no início do século, para saúde reprodutiva e posteriormente, com o advento da Aids, para saúde sexual e reprodutiva, contemplando o caráter social da reprodução.É nesta fase que a reprodução deixa de ser um dever para se tornar um direito que será exercido ou não na medida em que houver suporte social para que isto aconteça.

Ao contemplarmos as especificidades do ser mulher em suas várias interfaces, percebemos que há um “somatório de vulnerabilidades” que dificultam a percepção de risco frente ao HIV/Aids pelas mulheres – por fatores sócios-culturais, como a baixa escolaridade que, por exemplo, não lhes permite ter poder argumentativo para negociar práticas de sexo mais seguro – e pelos serviços de saúde, que não sabem lidar com as diferenças.

Outra apresentação que merece ser destacada foi a fala sobre os aspectos fisilógicos do HIV no corpo feminino que, novamente trouxe o fato de que “as mulheres têm recebido o diagnóstico da sua infeçcão mais tardiamente e conseqüentemente, sido privadas, muitas vezes, de um tratamento mais precoce e efetivo” segundo o médico Régis Kreitchmann, ginecologista do Centro Municipal de DST/Aids de Porto Alegre.

Ainda segundo o médico, podemos perceber a ausência de investimentos em pesquisas farmacológicas sobre os efeitos adversos dos antiretrovirais, especialmente os inibidores de protease no organismo feminino, o que denota a baixa preocupação dos órgãos governamentais e de empresas privadas com a qualidade de vida das cidadãs do sexo feminino que vivem sob o signo da Aids.

Como promotores deste evento acreditamos que os objetivos foram alcançados na medida em que gestores em saúde, iniciativa privada e a sociedade civil organizada conseguiram viabilizar uma parceria que veio concretizar uma velha e nova demanda de todas nós: refletir sobre as desigualdades de gênero, tomar as rédeas de nossas vidas e acreditar que existem soluções para os entraves machistas e burocráticos que enfrentamos quando buscamos exercer nossa cidadania.

GAPA/RS. Fone: (51)221-6363.

   
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