Elas estão na batalha do dia-a-dia procurando, cada uma a seu modo, defender os direitos das mulheres. Neste ano elas acharam que as mulheres obtiveram conquistas em suas áreas profissionais. Para o último ano do século, o ano 2000, elas também estão otimistas. Esperam mais vitórias. Para as parlamentares da bancada feminina do Congresso Nacional o ganho passa pelas eleições municipais. Elas apostam no crescimento das mulheres na política, ocupando, em maior número, as prefeituras e câmaras municipais.

A deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), primeira mulher a presidir a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, aposta no ano eleitoral. Na opinião da deputada as eleições municipais favorecem as mulheres porque as atividades que elas desempenham nas associações de bairro, sindicatos, grupos, movimentos e partidos políticos têm visibilidade na comunidade. "As mulheres realizam um trabalho histórico na área social e é na eleição que este trabalho vai ter maior visibilidade", acrescenta. Ela acredita, também, que os movimentos organizados de mulheres não são mais considerados marginais. Fazem parte, hoje, da agenda política e social do mundo que está se feminilizando. A senadora Heloísa Helena (PT-AL), primeira senadora eleita pelo estado de Alagoas, disse que vai se dedicar diretamente às eleições municipais. Vai trabalhar no corpo a corpo para incentivar as mulheres a se candidatarem às eleições e defender a vitória. "Não podemos entrar para perder". A senadora, no entanto, não deixa de se mostrar pessimista em relação a fatos que ocorreram, este ano, com mulheres políticas, como o assassinato da ex-deputada alagoana Ceci Cunha e da prefeita de Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul, Dorcelina Folador. Fora da área política, a senadora acredita que a situação das mulheres não é das melhores. "Na minha opinião o modelo econômico que aí está é perverso e conseqüentemente o balanço para as mulheres também é perverso. Temos o desmantelamento da saúde da mulher nos serviços públicos de saúde, o desemprego de seus maridos e a violência doméstica, que afetam o cotidiano feminino". A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), que tem uma atuação significativa na CPI do Narcotráfico, acredita que aos poucos as mulheres estão avançando na garantia de seus direitos na legislação e que, cada vez mais, estão se destacando na comunidade pelo trabalho profissional que realizam. "Pela competência que demonstramos estamos sendo menos discriminadas", avalia. E para a deputada Rita Camata (PMDB-ES) a expectativa para a bancada feminina no ano 2000 é de que se possa, cada vez mais, garantir qualidade e efetividade nas ações legislativas para concretizar a eqüidade de gênero. "Em nossa trajetória não cabem retrocessos nem encruzilhadas. É seguir em frente sempre".

Para a feminista Sueli Carneiro, do Geledés - Instituto da Mulher Negra - a expectativa para o ano 2000 é óbvia e direta. Ela quer que todas as convenções, pactos, protocolos e conferências que pregam a defesa dos direitos das mulheres sejam cumpridos pelo governo de cada país. "Desejamos que o que está na lei chegue também na nossa vida. Queremos que os compromissos de políticas públicas assumidos se tornem realidade", afirma. Zeca Rosado, do grupo "Católicas pelo Direito de Decidir" acredita que a sociedade está aceitando, cada vez mais, as transformações que dizem respeito às mulheres, principalmente no campo dos direitos sexuais e reprodutivos. O direito ao aborto legal, a escolha livre de parceiros sexuais e a denúncia contra a violência doméstica já são temas que fazem parte do dia a dia da sociedade, afirma Zeca Rosado que espera, também para o próximo ano, que os serviços de aborto legal nos hospitais públicos sejam estruturados para atender principalmente as mulheres pobres.

Edna Roland, da ONG "Fala Preta" espera que no ano 2000 tenha mais trabalho para quem está sem oportunidades no mercado e que também as mulheres tenham mais tempo disponível para a contemplação e a introspecção; ou seja, mais chance de aproveitar a vida e diminuir o ritmo de trabalho estressante. Para Gilberta Soares, do grupo Cunhã, da Paraíba, a expectativa é a de que as mulheres continuem obtendo ganhos subjetivos e concretos como vem acontecendo ao longo dos anos. Ela considera a mudança de mentalidade e cultural sobre o papel da mulher na sociedade como uma das grandes vitórias alavancadas pelo Movimento Feminista. Outra reivindicação do Cunhã para o próximo ano é que os serviços públicos de saúde possam ampliar o atendimento dos serviços de aborto legal e desenvolver com mais eficácia o atendimento da saúde da mulher em relação principalmente à prevenção da AIDS e ao planejamento familiar.

   
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