A invisibilidade histórica das mulheres é escancarada na medida em que entramos nas especificidades de cada mulher, suas lutas, necessidades, vontades. O dia 1º de Dezembro marca o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. O tema da Campanha, instituída pela Organização Mundial da Saúde, para o biênio 2002-2003 é Preconceito e Discriminação. As mulheres soropositivas estão lutando para colocar suas vidas em pauta, na agenda das políticas públicas de saúde, do movimento de pessoas vivendo com HIV/aids, do movimento feminista e de mulheres, d@s cientistas.

"Os cientistas não estão se alertando para o fato que a medicação para o tratamento da aids é feita para os homens e nossas especificidades não estão contempladas. Eles não estão preocupados com as mulheres". A afirmação é da advogada Beatriz Pacheco, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/aids - Núcleo Porto Alegre. Beatriz descobriu que era soropositiva quando estava entrando no climatério e começou a fazer a terapia anti-retroviral para retardar a progressão da imunodeficiência ocasionada pelo vírus HIV. Além do fato de lidar com o vírus, a necessidade de reposição hormonal devido ao histórico familiar de osteoporose, e a terapia anti-retroviral, Beatriz descobriu que a medicação para o tratamento da aids anula os efeitos da reposição hormonal. Um tira o efeito do outro. Teve de abandonar a reposição hormonal. "Outro dia levei um tombo pequeno, fraturei um ombro e precisei fazer uma cirurgia. Tive dificuldade para colocar 5 parafusos na placa porque ela não se fixava nos ossos esfarelados," conta Beatriz.

O agravamento da osteoporose é só um dos problemas enfrentados pelas mulheres que estão em tratamento com anti-retroviral. Alguns efeitos do coquetel são imediatos e universais, como alterações digestivas, enjôos, vômitos, diarréia, insônia, depressão, aumento do colesterol e de glicerídios, além da indisposição. Outros desafios, como a gravidez, a garantia dos direitos reprodutivos, o aleitamento materno e a menopausa precoce são específicos às mulheres.

Auto-estima

A lipodistrofia (deposição de gordura em local inadequado, em detrimento da falta de gordura em outros locais) é um dos problemas mais visíveis causado pela combinação de alguns medicamentos. Ela ataca um outro campo complicado e já fragilizado da saúde d@s soropositiv@s: a auto-estima. "Um quadro sério de lipodistrofia tem como um dos efeitos a volta de uma cara da aids. É muito difícil gerenciar as deformações no corpo", avalia Ana Paula Prado, assistente social e presidente da Associação Brasiliense de Combate à Aids - Grupo Arco-Íris.

Com tantas dificuldades, a adesão ao tratamento é mesmo prejudicada. "Quando a mulher está imunodeficiente, com capacidade imunológica baixa, fica mais suscetível a doenças como o HPV e a alterações no ciclo menstrual", explica o médico clínico sanitarista, L.A. Teramussi.

   
Categoria
 
Alerta Feminista

Radar Feminista no Congresso

Notícias

Artigos e Textos

Diálogos e Mobilizações

Publicações
 
 
 
Artigos Recentes
 
 
 
 
CFEMEA
O Centro Feminista de Estudos e Assessoria é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos.
 
AUTOCUIDADO E CUIDADO ENTRE ATIVISTAS
   
UNIVERSIDADE LIVRE FEMINISTA
   
LINHA DO TEMPO CFEMEA
   
 
 
+55 61 3224 1791
   
  FALE CONOSCO