Caso Eliza Samúdio

O caso Eliza Samúdio  tem ocupado nos últimos dias amplo espaço na mídia nacional.
O país assiste boquiaberto o  desfecho desse bárbaro crime..
Mais uma vez a vítima é uma mulher e mais uma vez conta-se a mesma história onde a vítima passa a ocupar o lugar do algoz. A condição de mulher agredida da lugar ao desrespeitoso status de mulher vulgar e promíscua..
Contudo, tal  condução não é motivo pra espanto. Essa postura é bem típica da sociedade
brasileira.Em qualquer crime contra a mulher invoca-se imediatamente sua vida privada e o julgamento acaba despencando para o lado moral.A ideologia jurídica e moral socialmente
aceita continua impor como regra as mulheres padrões de  comportamento que julga como
corretos. Quem não lembra do caso Ângela Diniz ??
Trinta e quatro anos depois  continua presente em grande parte da sociedade brasileira a atitude de naturalizar o comportamento agressivo dos homens, que acreditando  ser superiores as mulheres , pensam que podem delas dispor como bem quiserem,, trata-las violentamente e até mata-las , pois acreditam também eles que por serem homens estão acima do bem e do mal.
A caminhada de luta, em defesa das mulheres, nos tem mostrado dia a dia que
Continuamos a pisar em solo árduo.
Os atores sociais responsáveis por impor limites aos agressores, insistem na fria interpretação dos códigos e das leis.
A observância do devido processo legal, em nome da tão cultuada segurança jurídica con-
tinua a mascarar decisões de legalistas que avessos ao superior interesse dos direitos humanos das mulheres, agarram-se ao normativismo fazendo dessa postura dogmática um entrave para o acesso das mulheres a justiça..
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Permanece dormitando nas gavetas dos representantes do estado o desesperado pedido de proteção das mulheres, que vencendo as barreiras do medo e da vergonha, até eles chegam para noticiar suas  amargas experiências.
A Lei Maria da Penha, conquista histórica das mulheres vem sendo alvo de interpretações esdrúxulas, contrárias a vontade do legislador.
Cultua-se a lei e esquece-se da praxi humana.
Esquece-se do devido processo social.
A Lei Maria da Penha, instrumento jurídico que promove o acesso das mulheres a justiça, tem como cerne a sua efetiva proteção quando atingidas pela violência de gênero, baseada
no sexo, que atinge as mulheres apenas pelo fato de serem mulheres..Portanto, preconceitos ideológicos  que pautam a Lei Maria da Penha, dividindo e segregando as mulheres, limitando sua abrangência apenas  a relacionamentos duradouros devem ser de pronto abolidos, pois tem legitimado o comportamento  agressivo de femicidas  em potencial.
A LMP deve ser analisado a partir da dura realidade que as mulheres enfrentam.
Não só banalizam a Lei Maria da Penha, como a maculam e a cospem na lata do lixo, aqueles(as) que em nome da legalidade a interpretam  reproduzindo um juízo de valor conservador, machista, patriarcal e opressor.
Eliza Samúdio é mais uma das muitas mulheres brasileira que são traídas pelo próprio Estado., que não a protegeu quando buscou ajuda , que contribuiu para que seus agressores
acreditassem que nada os podia deter, nem o poder do próprio Estado., Estado esse  que per
 maneceu omisso ante a denúncia de violência e coerção  que a atingiu na sua .condição de pessoa humana., e  pior ainda não aplicou as medidas legais que lhe garantiam proteção quando foi ameaçada de morte.
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Os longos anos de experiencia nos permitem afirmar que  enquanto não entendermos que a violência contra mulher tem suas raízes na opressão que  os homens exercem sobre elas,
enquanto o Estado não assumir o  seu verdadeiro papel de garantir a segurança das mulheres ameaçadas,  e enquanto a sociedade continuar a legitimar a cultura  machista , muitas mulheres ainda   terão sacrificados seus corpos e suas vidas.
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A sociedade continuará a conviver  com tantos outros Brunos , homens comuns, empresários, esportistas,  pseudos cidadãos.
Ás mulheres restará apenas a dor e vergonha.


 MARIA DA PENHA MAIA FERNANDES e PAULINHA CASTRO

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