Movimentos feministas e mulheres do mundo inteiro celebram, neste 8 de março, as conquistas e vitórias nestes cem anos. Nós da AMB, celebramos o crescimento da organização política das mulheres, no Brasil e no mundo, processo que se enraíza por toda parte, no campo e nas cidades, nos espaços de trabalho e de moradia, nas artes, na imprensa alternativa, na academia, entre as organizações da sociedade civil e nos movimentos sociais. Celebramos a afirmação de nós mulheres como sujeito político e celebramos a diversidade de identidades políticas que se constituíram ao longo deste anos e que enriquecem o feminismo. Às mulheres negras, indígenas, ciganas, lésbicas, trabalhadoras rurais, quebradeiras de côco, camponesas, pescadoras, sindicalistas, jovens feministas, ribeirinhas e quilombolas que atuam na AMB e em suas organizações próprias, nossa saudação! Sabemos que de nossa luta feminista já resultaram muitas conquistas, na política e na vida cotidiana. No entanto, ainda temos muito pelo que lutar. É preciso denunciar que ainda somos minoria na direção de movimentos e partidos e nos espaços de representação de nosso sistema político. No mundo do trabalho persiste a prática de discriminação salarial, o assédio moral e sexual e a negação de nossos direitos. Nós mulheres somos maioria entre a população sem qualquer proteção social ou direito trabalhista. Permanece a prática da violência sobre nós mulheres, um instrumento da dominação masculina. Nossa sexualidade ainda é marcada pela violência sexual, presente em nossas vidas - seja como dolorosa experiência seja como possibilidade ameaçadora - desde a infância até a velhice. Vivenciamos a exploração sobre nossos corpos e auto-imagens pela indústria da propaganda, pela indústria da beleza, pela indústria da medicina estética e pela industria do sexo. Somos punidas, maltratadas, humilhadas, perseguidas, intimidadas e criminalizadas quando fazemos aborto ou quando lutamos por este e outros direitos. Somos ameaçadas em nossos direitos pela persistência do racismo em nosso país e pela crescente expressão de homo-lesbofobia. Somos ameaçadas em nossos direitos pelas políticas neoliberais que reduzem investimentos nos serviços públicos em favor do capital financeiro. Somos ameaçadas em nossos direitos pelas políticas desenvolvimentistas que bloqueiam a possibilidade de autonomia econômica das pequenas produtoras e seus empreendimentos familiares em favor dos interesses de lucro das transnacionais e empresas estatais. Por isso, neste 8 de março, estaremos mais uma vez nas ruas e praças enfrentando os conservadores e representantes do sistema de dominação que no oprime e explora. Reconhecemos no agronegócio do monocultivo e no hidronegócio, a nova face do latifúndio, expressão mais antiga do patriarcado no Brasil. Identificamos nos fundamentalistas religiosos e conservadores a nova face da inquisição, expressão do poder patriarcal religioso que tenta controlar nossos corpos, nossas crenças e nossas vidas. Apontamos a grande mídia televisiva e os jornalões como um quarto poder opressor racista, sexista, homo-lesbofóbica e vassalo da classe proprietária e de seus privilégios. Por tudo isto, afirmamos o firme propósito de prosseguir na luta feminista pelo fim de todas as formas de opressão e dominação das pessoas e da natureza. Convocamos e convidamos a todas as mulheres para somarem-se na luta feminista por uma sociedade justa, democrática, solidária e ambientalmente equilibrada. Por nossa autonomia e liberdade.
Neste 8 de março, junto com outros movimentos sociais, levantamos a bandeira de defesa integral do III PNDH-Plano Nacional de Direitos Humanos e a legitimidade das Conferências de Políticas Públicas. Saímos às ruas com a Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do aborto. Nos somamos às lutas em favor da reconstrução de um Haiti livre e soberano e prestamos nossa homenagem às líderes feministas Myriam Merlet, Magalie Marcelin e Anne Marie Coriolan, que morreram durante o terremoto que assolou o país em 12 de janeiro. Articulação de Mulheres Brasileiras Articulação de Mulheres do Acre Articulação de Mulheres do Amapá Articulação de Mulheres do Amazonas Articulação de Mulheres Brasileiras - Seção RJ Articulação de Mulheres do Mato Grosso do Sul Articulação de Mulheres de São Paulo Articulação de Mulheres de Rondônia Articulação de Mulheres Tocantinenses Fórum Cearense de Mulheres Fórum de Entidades Autônomas de Mulheres de Alagoas Fórum Estadual de Mulheres Maranhenses Fórum Estadual da Mulher (Piauí) Fórum Est. de Mulheres do Rio Grande do Norte Fórum Goiano de Mulheres Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense Fórum de Mulheres do Distrito Federal Fórum de Mulheres do Espírito Santo Fórum de Mulheres da Grande Belo Horizonte Fórum de Mulheres de Lauro de Freitas (Bahia) Fórum de Mulheres de Pernambuco Fórum de Mulheres de Salvador Fórum de Mulheres de Santa Catarina Fórum de Mulheres de Sergipe Fórum de Mulheres de Mato Grosso Fórum de Mulheres da Paraíba Fórum Popular de Mulheres do Paraná Fórum Municipal da Mulher de Porto Alegre Núcleo de Mulheres de Roraima Rede de Mulheres em Articulação da Paraíba
A Articulação das Mulheres Brasileiras - AMB é uma articulação política não partidária, que potencializa a luta feminista das mulheres brasileiras nos planos nacional e internacional. A AMB tem sua ação orientada para a transformação social e a construção de uma sociedade democrática, tendo como referência a Plataforma Política Feminista (construída pelo movimento de mulheres do Brasil, em 2002). No presente contexto, a AMB se orienta por cinco prioridades: a mobilização pelo direito ao aborto legal e seguro, a ação pelo fim da violência contra as mulheres, o enfrentamento da política neoliberal, a organização do movimento e a luta contra o racismo e a lesbofobia.
Fonte: www.articulacaodemulheres.org.br amb@articulacaodemulheres.org.br |