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O II Plano Nacional de Política para as Mulheres tem como diretriz que deve ser observada em todas as ações do próximo Plano Plurianual: argaiv1438
- Formar e capacitar servidores/as públicos/as em gênero, raça, etnia e direitos humanos, de forma a garantir a implementação de políticas públicas voltadas para a igualdade;
- Garantir o cumprimento dos tratados, acordos e convenções internacionais firmados e ratificados pelo Estado brasileiro relativos aos direitos humanos das mulheres.
A Mensagem Presidencial que enviou o PPA 2012-2015, reforça a importância da qualificação dos servidores públicos:
O orgulho de servir ao público deve orientar toda a administração, motivo pelo qual é preciso dar continuidade ao desenvolvimento de uma política de recursos humanos pautada pela democratização das relações de trabalho, pela profissionalização do serviço público e pela valorização do funcionalismo, compreendido como principal ativo da função pública. Qualificar o servidor significa qualificar a ação pública.
Qualificar e capacitar em gênero, raça, etnia e direitos humanos, especialmente os agentes e servidores da área de segurança pública é fundamental para garantir atendimento sem preconceitos a homossexuais, negra/os e outros cidadãos e cidadãs que procuram o Estado.
Iniciativas como a Bolsa Formação do Pronasci já existem, mas na prática tem funcionado apenas como complemento de renda para os agentes de segurança. É necessário vincular o recebimento do incentivo financeiro ao compromisso de que os profissionais de segurança pública e de justiça criminal participem de capacitação sobre defesa e promoção dos direitos humanos e com enfoque nas desigualdades de gênero e raça (...). É necessário também resgatar a contribuição à construção de um aparato policial mais cidadão e menos violento1.
Conforme dados da PNAD de 2009, 12,6 milhões de pessoas de 18 anos ou mais de idade estiveram em situações de conflito nos últimos cinco anos, destacando-se o Poder Judiciário como a principal instituição procurada para solucioná-las, com cerca de 70% da demanda. Há, no entanto, baixa capacidade de resolução das questões: 43,5% na Justiça; 55,6% nos juizados especiais; e 69,4% nos Procons, afirma a Mensagem Presidencial. Assim, o governo pretende para essa área:
- Superar a carência de assistência jurídica integral e gratuita, que passa pela estruturação das defensorias públicas dos estados e da União, com investimentos em recursos humanos, equipamentos e sistemas de informação;
- Consolidar o modelo de justiça comunitária, instrumento eficaz de promoção da cultura da paz, que promove o diálogo e a mediação comunitária como modo de resolução de conflitos, reduzindo o número de contenciosos que chegam ao sistema judiciário;
- Democratizar o acesso à Justiça através de um sistema judicial mais moderno, transparente, ágil, acessível e efetivo, com medidas que promovam o seu reordenamento institucional, a modernização de sua gestão e a atualização da legislação2;
- Reconhecer os direitos à memória e à verdade como fundamentais no processo de aprofundamento da democracia, tendo papel de destaque nesse processo a Comissão de Anistia, que por meio da Justiça de Transição, promove o direito à reparação, à memória, e à verdade.
O governo destaca ainda em relação às metas do Pronasci: aumentar a cada ano, em média, 25% das unidades da Defensoria Pública da União (DPU) do total das 200 unidades almejadas até 2015; instituir núcleos de Justiça Comunitária, com destaque para sua implantação nos Territórios da Paz; instituir o marco legal que racionalize a execução fiscal; implantação de ao menos um laboratório de análise e investigação de cartéis em cada região do país; implementar uma política de construção e fortalecimento dos direitos dos migrantes; estruturar e fortalecer a Política Nacional de Justiça.
No tema Direitos Humanos e Cidadania, o Orçamento Mulher seleciona 16 Programas do atual PPA 2008-2011 e como se observa na tabela a seguir, dez desses programas empenharam, ate out/2011, menos da metade de seus recursos autorizados:
Execução LOA 2011 até Out/11 Programa (Cod/Desc) |
% |
Autorizado |
Empenhado |
Liquidado (Sub-elemento) |
Empenhado/ Autorizado |
| 0068 - Erradicação do Trabalho Infantil |
5% |
255.888.900 |
217.962.994 |
216.558.102 |
85,18% |
| 0699 - Assistência Jurídica Integral e Gratuita |
5% |
257.195.592 |
195.742.090 |
168.033.326 |
76,11% |
| 1401 - Reparação de Violações e Defesa dos Direitos Humanos |
22% |
1.059.068.682 |
793.486.878 |
790.443.631 |
74,92% |
| 0073 - Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes |
2% |
93.663.800 |
60.800.103 |
57.210.254 |
64,91% |
| 0670 - Proteção a Pessoas Ameaçadas |
1% |
39.450.000 |
23.961.642 |
12.406.404 |
60,74% |
| 1402 - Educação em Direitos Humanos |
0% |
20.404.000 |
11.950.935 |
97.081 |
58,57% |
| 0156 - Prevenção e Enfrentamento da Violência Contra as Mulheres |
1% |
36.916.122 |
17.378.290 |
7.054.154 |
47,08% |
| 1453 - Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania - Pronasci |
45% |
2.114.904.474 |
689.357.784 |
513.902.206 |
32,60% |
| 0567 - Prestação Jurisdicional no Distrito Federal |
1% |
71.012.324 |
21.572.234 |
237.287 |
30,38% |
| 1413 - Promoção da Justiça e da Cidadania |
0% |
5.100.000 |
1.251.492 |
977.931 |
24,54% |
| 1120 - Paz no Campo |
0% |
13.096.024 |
2.419.051 |
1.998.063 |
18,47% |
| 0153 - Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente |
0% |
19.192.085 |
3.369.322 |
805.939 |
17,56% |
| 1404 - Promoção e defesa dos Direitos da Pessoa Idosa |
0% |
6.401.192 |
1.025.371 |
222.618 |
16,02% |
| 0154 - Garantia e Acesso a Direitos |
1% |
35.751.684 |
4.588.057 |
1.233.918 |
12,83% |
| 1127 - Sistema Único de Segurança Pública - SUSP |
13% |
625.020.000 |
57.500.185 |
44.459.896 |
9,20% |
| 1433 - Cidadania e Efetivação de Direitos das Mulheres |
2% |
81.621.020 |
6.385.347 |
4.317.329 |
7,82% |
| TOTAL |
100% |
4.734.685.899 |
2.108.751.775 |
1.819.958.141 |
44,54% |
Fonte: Siga Brasil
No PPA 2012-2015, as ações voltadas para a educação em direitos humanos e no respeito a diversidade são coordenadas pelas Secretarias de Direitos Humanos, da Mulher e da Igualdade Racial e muitas das ações são desenvolvidas em parceria com os Ministérios da Educação e da Justiça3.
O Plano especifica 236 metas a serem atendidas nesses três programas das quais apenas 16 referem-se especificamente às mulheres. Logicamente, muitas metas e iniciativas, mesmo não especificadas para a população feminina, trarão benefícios a todas as pessoas. Entretanto, não se consegue identificar e nem avaliar como a ação governamental pretende combater às desigualdades, por exemplo, dos crimes de racismo e dos resultantes da violência de gênero.
Programa do PPA 2012-2015 |
Objetivos |
Metas |
Metas/Iniciativas específicas para as Mulheres |
PLOA 2012 R$
|
| 2020 – Cidadania e Justiça |
11 |
91 |
1 |
153.084.130 |
| 2064 – Promoção e Defesa dos Direitos Humanos |
11 |
41 |
10 |
97.193.109 |
| 2070 – Segurança Pública com Cidadania |
8 |
104 |
5 |
3.526.841.600 |
| Total |
30 |
236 |
16 |
3.777.118.839 |
No programa Direitos Humanos, tem-se um objetivo voltado para a promoção dos direitos de LGBTT (programa 2064) e o PRONASCI (programa 2070) definiu um indicador com o recorte de gênero:
- Proporção da população feminina que se sente segura na cidade onde vive.
Nos oito objetivos do Programa 2070, apenas dois trazem metas específicas para as mulheres e definem iniciativas que orientarão a distribuição dos recursos públicos, mas para nenhuma delas consta recursos no PLOA 2012, nem mesmo as contribuições para manutenção das Casas Abrigo.
| Programa 2070 - Segurança Pública com Cidadania |
| Objetivos Programa 2070 |
Metas e Iniciativas PPA 2012-2015 |
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0831 - Reestruturar e modernizar o sistema criminal e penitenciário, por meio da garantia do cumprimento digno e seguro da pena, objetivando o retorno do cidadão à sociedade, a redução da reiteração criminosa, a aplicação de medidas alternativas à prisão e o combate ao crime organizado.
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Metas: Aumentar o número de presídios femininos adequados aos dispositivos das leis nº 11.942/09 e nº 12.121/09 e aos demais direitos das mulheres em situação de prisão
Iniciativas: 03E5 - Contribuir para a manutenção das Casas Abrigo, que integram a rede especializada de atendimento às mulheres em situação de violência, visando ao fortalecimento da rede e ampliação do atendimento às mulheres nesta situação;
03E6 - Estruturação da política voltada à efetivação dos direitos da mulher encarcerada.
RECURSOS NO PLOA 2012 – R$ 0,00
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OBJETIVO: 0834 - Ampliar a presença do Estado em territórios com elevados índices de vulnerabilidade social e criminal, por meio de ações multissetoriais de segurança, justiça e cidadania, combinando ações repressivas qualificadas e ações sociais de segurança, para a superação da violência e redução dos crimes letais intencionais contra a vida.
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Metas: Implantação de 400 projetos Protejo e Mulheres da Paz junto às Praças dos Esportes e da Cultura.
Iniciativas: 04AI - Promover Programas de Combate ao Racismo Institucional nas corporações de segurança pública e fortalecer a abordagem da temática racial na formação de agentes de segurança pública e privada.
RECURSOS NO PLOA 2012 – R$ 0,00
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Fonte: PPA 2012-2015, Elaboração CFEMEA.
O programa de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, além dos objetivos que serão de responsabilidade da Secretaria de Direitos Humanos, ampliou seu leque de atuação e incorporou o objetivo (Prevenir a violação de direitos humanos nas ações de desenvolvimento urbano) de responsabilidade do Ministério das Cidades que atuará na prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos.
Dos 11 objetivos desse programa, apenas um deles se refere a discriminação sexual. O objetivo 0257 tem definidas quatro metas e seis iniciativas:
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OBJETIVO 0257 - Desenvolver e implementar políticas públicas para garantia de direitos e promoção de uma cultura de respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero e o reconhecimento social de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
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METAS
- Aprovar marco legal contra a violência e a discriminação homofóbica;
- Aprovar marco legal que reconhece o nome social de travestis e transexuais;
- Implementar uma rede de combate à homofobia e promoção dos direitos de LGBT;
- Realizar campanha nacional para promoção dos direitos LGBT.
INICIATIVAS:
- 00SO - Articular com as corregedorias de Justiça o acompanhamento do cumprimento da decisão do STF que equiparou a união estável homossexual à união estável heterossexual;
- 00SP - Disseminação da cultura de direitos humanos LGBT na sociedade, estimulando a formação e a participação social e a produção de informações e novos valores;
- 00SR - Fortalecimento da atuação do Conselho de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCDLGBT) e fomento a conselhos estaduais e municipais;
- 00SS - Implementação e monitoramento do Plano Nacional LGBT;
- 00SU - Instituição de mecanismos de combate à homofobia e de promoção dos direitos da população LGBT e aprimoramento de mecanismos de denúncia, notificação e monitoramento de violações de direitos de população LGBT;
- 00SV - Mobilização de esforços para aprovação de marcos legais para a garantia dos direitos LGBT.
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No orçamento proposto para 2012, apenas a iniciativa 00SP tem previsto uma ação orçamentária, a de Produção e Disseminação de Conhecimento para Promoção e Defesa dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - Nacional, que tem R$ 1.100.000,00, na modalidade de aplicação com entidades privadas sem fins lucrativos. Essa mesma ação na LOA 2011 pertence ao Programa sobre Garantia e Acesso a Direitos, e se intitulava Núcleos de Pesquisa sobre Cidadania Homossexual e Combate a Homofobia que tinha R$ 100 mil, mas não empenhou nada, até outubro de 2011, o que nos faz pessimistas quanto a aumentar R$1 milhão para o próximo ano. As demais iniciativas não tem recursos previstos para 2012, nem mesmo a de Instituição de Mecanismos de Combate à Homofobia.
Em relação ao Programa sobre Cidadania e Justiça, apenas uma dentre as suas 91 metas, se refere aos direitos das mulheres.
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OBJETIVO: 0875 - Tornar o sistema de Justiça mais moderno, efetivo e democrático, com ênfase na garantia do direito ao acesso à Justiça, por meio da integração e aperfeiçoamento das instituições que compõem o sistema e da implementação de políticas públicas que enfoquem formas alternativas de prevenção e resolução de conflitos.
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META
Apoiar e instituir equipamentos públicos de Efetivação da Lei Maria da Penha no sistema de Justiça.
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Esse programa engloba objetivos de defesa dos direitos dos consumidores e da concorrência - CADE, anistia política, a política arquivística, os direitos dos migrantes, a advocacia da União e o direito ao acesso à justiça com as metas específicas para a Defensoria Pública, sendo a maioria deles de responsabilidade do Ministério da Justiça
No objetivo em que a Lei Maria da Penha é citada, a iniciativa sobre Desenvolvimento de Políticas Públicas de Democratização do acesso à Cidadania e à Justiça e de Promoção de Formas Alternativas de Prevenção e Resolução de Conflitos não tem recursos previstos. Apenas a iniciativa 03KV contará no PLOA 2012 com R$1 milhão para aprimoramento do sistema de justiça e do Portal das serventias extrajudiciais.
Já foi abordado nesses artigos as dificuldades para implementar os mecanismos e equipamentos da Lei Maria da Penha, cuja coordenação é da Secretaria de Política para a Mulher (SPM) que, por sua vez, enfrenta dificuldades até na execução do Programa de Prevenção e Enfrentamento da Violência Contra as Mulheres, pois até outubro 2011, a SPM só tinha conseguido empenhar R$ 10 milhões e liquidar R$ 3,3 milhões dos R$ 27 milhões autorizados4 e livres de contingenciamento, segundo a lei. A SPM conseguiu ter boa execução na Central de Atendimento, ligue 180 empenhando 100% dos R$ 4,5 milhões autorizados e já tendo liquidado R$3,3 desses recursos.
O Pronasci, carro chefe da política de segurança pública, até outubro 2011, só empenhou 32% (R$ 689.202.415,00) de seus R$ 2,1 bilhões, sendo que 87,7% desses empenhos foram para pagamento de bolsa formação de policiais. Para 2012, a proposta é de R$3,5 bilhões, mas o programa incorporou outras ações como construção de edifícios-sedes da Polícia Federal, ações de combate à corrupção, enfrentamento ao tráfico de pessoas, violência no trânsito, policiamento rodoviário federal, registro civil e outras. Ao todo, o PLOA 2012 prevê 62 ações orçamentárias para objetivos, dos quais oito distintos do Programa sobre Cidadania e Justiça, que segundo proposta do Inesc e CFEMEA deve passar por mudanças radicais, para cumprir a finalidade para a qual foi criado.
Segundo a proposta do INESC e CFEMEA apresentada às/aos parlamentares e ao governo, são oito as mudanças básicas a serem feitas no Pronasci:
- Criação de um programa específico para o enfrentamento da violência contra as mulheres, como parte do desafio da segurança pública;
- Adoção de novos indicadores;
- Direcionamento da Bolsa Formação à abordagem dos direitos humanos;
- Inclusão de uma ação específica que promova a redução da violência das forças policiais;
- Inclusão da ação de Enfrentamento do Racismo Institucional na Implementação da Política de Segurança Pública;
- Articulação nos níveis federal, estadual e municipal;
- Reformulação do projeto Mulheres da Paz;
- Reformulação do Protejo - jovem cidadão
O Pronasci avançou ao reconhecer que o combate à violência contra as mulheres e ao racismo deve ser feito pelas forças de segurança pública, mas até agora deu apenas o passo inicial de muitos outros que ainda terá que dar para alcançar o objetivo de garantir o direito a uma vida segura, sem descriminação, sem violência racista, sexista, misógina e homo/lesbofóbica. Os indicadores mostram que não houve redução nos homicídios desde a criação da nova política de segurança cidadã. Continuam morrendo os jovens, as mulheres e principalmente os negros e as mulheres negras.
O Enfrentamento à violência contra as mulheres
Uma vida sem violência é um direito de todas as mulheres. Por isso, o enfrentamento à violência é obrigação primordial dos governos. As políticas de enfrentamento da violência, especialmente no âmbito doméstico, mesmo tendo recursos maiores ano a ano, não conseguiu inverter a tendência crescente da violência contra as mulheres, como não deixa dúvida o aumento constante do homicídio de mulheres há mais de uma década.
O governo também registra que, apesar dos progressos no enfrentamento à violência contra as mulheres e da Lei Maria da Penha, ainda é preciso avançar na consolidação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, por meio de ações no âmbito do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da plena aplicação da Lei Maria da Penha e da produção e sistematização de dados.
O Programa de Políticas para as Mulheres: Enfrentamento à Violência e Autonomia tem definidos nove objetivos (veja quadro abaixo), dos quais quatro são diretamente voltados para o enfrentamento à violência e acesso à justiça; Um para Autonomia Econômica e Financeira e acesso ao Mercado de Trabalho; Dois referentes aos direitos sociais como saúde, educação, cultura, esporte e lazer; e dois para fortalecer a estrutura e a gestão governamental em todas suas esferas e níveis. O que, de certa maneira, tenta dialogar com a forma como está estruturado o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.
Objetivos voltados ao enfrentamento da violência contra as mulheres
- OBJETIVO: 1000 - Promover o acesso à Justiça às mulheres em situação de violência, por meio da implementação de Segurança Cidadã, do pleno funcionamento dos instrumentos e serviços do sistema de justiça, promovendo uma cultura não discriminatória.
- OBJETIVO: 0999 - Fortalecer a implementação e aplicabilidade da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) e o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, por meio de difusão da lei e dos instrumentos de proteção de direitos, bem como por meio de ações educativas para o enfrentamento à exploração sexual e ao tráfico de mulheres, para a promoção de direitos sexuais e desconstrução dos estereótipos e mitos relacionados à sexualidade das mulheres.
- OBJETIVO: 0998 - Promover atendimento às mulheres em situação de violência por meio da ampliação, capilarização, fortalecimento, qualificação e integração dos serviços da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência e a produção, sistematização e monitoramento dos dados da violência praticada contra as mulheres no Brasil
- OBJETIVO: 0936 - Fomentar e difundir o debate público, visando à promoção da igualdade entre mulheres e homens, ao fortalecimento da autonomia feminina e ao enfrentamento à violência contra a mulher.
Objetivo voltado para Autonomia Econômica e Financeira e acesso ao Mercado de Trabalho
- OBJETIVO: 0931 - Promover autonomia econômica das mulheres urbanas, do campo e da floresta considerando as desigualdades entre mulheres e homens, as desigualdades de classe e raça, desenvolvendo ações específicas e exclusivas e contribuindo para a modificação da desigual divisão sexual do trabalho, com ênfase nas políticas de erradicação da pobreza e na garantia da participação das mulheres no desenvolvimento do país.
Objetivos referentes aos direitos sociais como saúde, educação, cultura, esporte e lazer
- OBJETIVO: 0933 - Fortalecer uma cultura social igualitária entre mulheres e homens, não sexista, não racista, não lesbofóbica, mediante apoio às políticas de educação de qualidade, além de políticas culturais, de esporte e lazer que assegurem tratamento igualitário entre mulheres e homens pelas instituições e pelos profissionais.
- OBJETIVO: 0932 - Fortalecer e apoiar a implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, visando à melhoria das condições de saúde das mulheres, sendo resguardadas as identidades e especificidades vinculadas às questões de raça/etnia, de geração, de orientação sexual e de mulheres com deficiência.
Outros dois Objetivos do Programa foram definidos visando fortalecer a estrutura e a gestão governamental em todas suas esferas e níveis
- OBJETIVO: 0935 - Promover a gestão transversal da Política Nacional para as Mulheres, por meio da articulação intragovernamental, intergovernamental e do fomento à participação social, garantindo o monitoramento e avaliação das políticas públicas, a produção de estudos e pesquisas e o fortalecimento dos instrumentos e canais de diálogo nacionais e internacionais.
- OBJETIVO: 0934 - Inserir o tema da igualdade entre mulheres e homens na agenda nacional e internacional para ampliação dos direitos das mulheres e efetivação da cidadania, por meio de ações de diversas áreas do governo e da sociedade sobre o novo papel social das mulheres.
Observamos que muitas metas desses nove objetivos estão definidas de forma não precisa, o que dificultará bastante o monitoramento e avaliação do programa. É necessário que cada Meta definida, seja ela qualitativa ou quantitativa, seja especificada com clareza da intenção pretendida, dos produtos a serem executados, das pessoas a serem beneficiadas, entre outros, de forma a permitir o acompanhamento da meta (se foi ou não alcançada) ao longo dos anos.
Para exercer o controle social, além dos mecanismos de monitoramento e avaliação é fundamental que o planejamento das políticas e ações governamentais sejam definidas de forma a permitir seu monitoramento e avaliação, preferencialmente a partir da perspectiva de gênero e da igualdade racial. Se os Objetivos e Metas do PPA não são específicos, bem delimitados e claros, não há como exercer o controle social sobre essa política. Importante registrar esse fato, pois grande parte das metas do Programa de Políticas para as Mulheres: Enfrentamento à Violência e Autonomia são “metas falsas qualitativas” e não possibilitam seu acompanhamento e avaliação.
Tentamos classificar as metas compromissadas em cada um dos objetivos, separando as que estão bem definidas daquelas que estão sem quantificação ou que precisariam ser melhor definidas. Essa classificação e quantitativos logicamente pode ser muito variável, dependendo dos critérios utilizados. De toda forma, no exercício que fizemos, 63% (71 do total de 113 ) das metas necessitam de melhor definição e especificação ou podem ser facilmente quantificadas e delimitadas a região. Veja o quadro abaixo:
Programa 2016 - Políticas para as Mulheres: Enfrentamento à Violência e Autonomia
Comparando algumas prioridades estabelecidas no II PNPM para área de Violência Contra a Mulher e o que dispõe a proposta governamental para o PPA 2012-2015, observa-se avanços especialmente quanto à definição da meta, do objetivo e da iniciativa. No PPA as diferentes ações governamentais, mesmo com especificação falha, tem melhores delimitação e definição se comparamos com o teor expresso no II PNPM. Como o II Plano foi elaborado após o PPA 2008-2011 (fato esse que se repete este ano novamente), a SPM tinha que adequar o II Plano ao que já existia no PPA. Possivelmente esse fato dificultou a definição das metas e prioridades do II PNPM, motivo pelo qual se constata essa melhor definição da ação governamental no PPA.
Programa 2016 - Políticas para as Mulheres: Enfrentamento à Violência e Autonomia
| OBJETIVO 0998: |
Promover atendimento às mulheres em situação de violência por meio da ampliação, capilarização, fortalecimento, qualificação e integração dos serviços da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência e a produção, sistematização e monitoramento dos dados da violência praticada contra as mulheres no Brasil
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| Metas 2012-2015 |
- Ampliar a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 para o atendimento internacional.
- Ampliar e implantar Rede de Serviços Especializados de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência em todos os municípios-polo, territórios da cidadania e áreas deflagradas.
- Apoiar e articular a implantação da Ficha de Notificação Compulsória de Violência Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências, nos serviços de saúde em cumprimento da Portaria do MS n° 104, de 25 de janeiro de 2011.
- Articular a priorização do atendimento das mulheres em situação de violência nos programas de habitação social, inserção no mundo do trabalho, geração de trabalho e renda, economia solidária e capacitação profissional.
- Articular a Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência nas Regiões de Fronteira Seca, com atenção especial às mulheres em situação de tráfico e exploração sexual.
- Aumentar o número de Centros de Referência e Atendimento às Mulheres em Situação de Violência.
- Aumentar o número de municípios com serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência.
- Aumentar o número de profissionais da Rede de Atendimento e operadores/as de direito capacitados sobre a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) e questões da violência contra as mulheres.
- Aumentar o número de Serviços de Abrigamento, levando em conta os consórcios entre municípios, as áreas deflagradas e os territórios da cidadania.
- Contribuir para a ampliação do número de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
- Contribuir para a ampliação dos serviços especializados às mulheres e adolescentes vítimas de violência sexual.
- Formalizar parcerias no âmbito do governo federal para a integração das Redes de Atendimento com os sistemas de políticas sociais.
- Implantar registro administrativo unificado na Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência.
- Implantar Sistema Nacional de Dados sobre a Violência contra a Mulher.
- Implantar Unidades Móveis de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência para atender as mulheres do campo e da floresta e dos territórios da cidadania.
- Induzir, articular e coordenar a elaboração de protocolos, fluxos e procedimentos, em articulação com o Sistema Único de Saúde, Sistema Único de Assistência Social, Sistema Único de Segurança Pública, Poder Judiciário e Ministério Público.
- Integrar a Rede de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas à Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.
- Participar do Grupo de Trabalho de monitoramento do Sistema de Notificação Compulsória dos casos de violência contra as mulheres atendidos na rede de saúde pública e privada.
- Realizar capacitação permanente de 100% das atendentes da Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 no tema da violência contra as mulheres, com destaque às especificidades das mulheres do campo e da floresta, negras, indígenas e lésbicas.
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| Iniciativas |
- 049S - Capacitação permanente da Rede de Atendimento e dos/as Operadores/as do direito sobre a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) e as questões da violência contra as mulheres, incluindo a violência sexual, a exploração sexual e o tráfico de mulheres, assegurando as especificidades geracionais, de orientação sexual, de pessoas com deficiência, de raça e etnia e das mulheres do campo e da floresta.
- 049T - Criação e divulgação do Sistema Nacional de Dados sobre Violência contra a Mulher conforme previsto no artigo 38 da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) e do Registro Administrativo Unificado, visando à construção de indicadores que permitam maior monitoramento, avaliação e elaboração das políticas e ações de enfrentamento à violência contra as mulheres.
- 049U - Fortalecimento e divulgação da Central de Atendimento a Mulher – Ligue 180, com a ampliação para o atendimento internacional e como fonte de dados sobre a violência contra as mulheres.
- 049V - Incidir junto aos Ministérios responsáveis para incluir de forma prioritária nos Programas Sociais, as mulheres em situação de violência.
- 049W - Institucionalização da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência, normatização e padronização dos fluxos de atendimento, assegurando a não revitimização das mulheres atendidas.
- 049X - Ampliação e fortalecimento da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência.
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II PNPM PRIORIDADES
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4.1. Ampliar e aperfeiçoar a Rede de Atendimento às mulheres em situação de violência;
4.2. Garantir a implementação da Lei Maria da Penha e demais normas jurídicas nacionais e internacionais;
4.4. Promover a atenção à saúde das mulheres em situação de violência com atendimento qualificado ou específico;
4.5. Garantir o enfrentamento da violência contra as mulheres, jovens e meninas vítimas do tráfico e da exploração sexual e que exercem a atividade da prostituição;
4.6. Promover os Direitos Humanos das Mulheres Encarceradas
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| Metas II PNPM Capitulo 4 |
Meta A – Construir/reformar/re-aparelhar 764 serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência;
Meta C – Realizar 1 milhão de atendimentos válidos no Ligue 180;
Meta E – Qualificar 100% dos CRAS e CREAS para atendimento às mulheres vítimas de violência;
Meta F – Implementar a notificação compulsória em 100% dos municípios dos estados prioritários do Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres;
Meta G – Qualificar 100% dos Centros de Referência para atendimento às mulheres vítimas de tráfico;
Meta H – Ampliar em 100% a rede de atenção integral à saúde de mulheres e adolescentes em situação de violência;
Meta I – Implantar a Vigilância de Violências e Acidentes – VIVA em todas as capitais e municípios dos estados prioritários do Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres;
|
| OBJETIVO 0999: |
Fortalecer a implementação e aplicabilidade da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) e o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, por meio de difusão da lei e dos instrumentos de proteção de direitos, bem como por meio de ações educativas para o enfrentamento à exploração sexual e ao tráfico de mulheres, para a promoção de direitos sexuais e desconstrução dos estereótipos e mitos relacionados à sexualidade das mulheres.
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| Metas 2012-2015 |
- Construir pactos com empresas públicas e privadas e outros órgãos do governo para prevenir a violência contra as mulheres e combater a exploração sexual de mulheres, adolescentes e jovens, em especial nas áreas de grandes obras de desenvolvimento econômico e infraestrutura e nas regiões de fomento ao turismo.
- Contribuir para o aumento do número de Coordenadorias Estaduais da Mulher em situação de violência doméstica e familiar nos Tribunais de Justiça Estaduais.
- Contribuir para o aumento do número de Defensorias Públicas Especializadas e da assistência jurídica gratuita para o atendimento às mulheres em situação de violência.
- Contribuir para o aumento do número de juizados e varas especializadas de violência doméstica e familiar contra a mulher.
- Contribuir para o aumento do número de Promotorias Públicas Especializadas e dos Núcleos de Gênero nos Ministérios Públicos Estaduais.
- Estabelecer parceria com os órgãos responsáveis pela aplicação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) para viabilizar o acompanhamento do percentual de medidas protetivas utilizadas e dos processos julgados de acordo com a referida Lei.
- Incorporar a temática do enfrentamento à violência contra as mulheres e a Lei Maria da Penha (Lei nº11.340/06) nos conteúdos programáticos de cursos, principalmente no processo de formação dos operadores de direito, de gestores e gestoras públicos/as e no conteúdo dos concursos públicos.
- Promover campanhas e ações educativas para o enfrentamento da violência contra as mulheres, exploração sexual e tráfico de mulheres, principalmente direcionadas para os territórios da cidadania, áreas deflagradas, municípios-polo, regiões de fronteira seca e cidades-sede da Copa do Mundo FIFA 2014.
- Promover campanhas e ações em defesa da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06).
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| Iniciativas |
- 049I - Articulação e acompanhamento junto aos Poderes Judiciário e Legislativo e ao Ministério Público quanto à execução e aplicabilidade da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06).
- 049J - Articulação e apoio conjunto com os demais órgãos do Governo Federal e o setor privado para prevenir todas as formas de violência contra as mulheres nos grandes investimentos públicos e privados e seu entorno.
- 049K - Articulação, junto aos órgãos do governo federal, para a inclusão de conteúdos no âmbito de cursos de formação e capacitação de gestores/as públicos sobre a temática do enfrentamento à violência contras as mulheres e
- sobre a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), bem como sobre os instrumentos assinados nacionalmente e internacionalmente.
- 049L - Realizar mobilizações e ações educativas permanentes que favoreçam a desconstrução dos mitos e estereótipos relacionados à sexualidade das mulheres, da naturalização da violência contra as mulheres, que promovam seus direitos sexuais e que esclareçam a população sobre as práticas que configuram violação dos direitos das mulheres (violência doméstica, violência sexual, exploração sexual, tráfico de mulheres e a lesbofobia).
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|
II PNPM PRIORIDADES
|
4.2. Garantir a implementação da Lei Maria da Penha e demais normas jurídicas nacionais e internacionais;
4.3. Promover ações de prevenção a todas as formas de violência contra as mulheres nos espaços público e privado;
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II PNPM Metas capitulo 4
|
Meta B – Capacitar 170 mil profissionais das áreas de segurança pública, saúde, educação, assistência social, justiça e demais áreas da rede de atendimento;
Meta D – Consolidar o Observatório da Lei Maria da Penha;
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| OBJETIVO 1000: |
Promover o acesso à Justiça às mulheres em situação de violência, por meio da implementação de Segurança Cidadã, do pleno funcionamento dos instrumentos e serviços do sistema de justiça, promovendo uma cultura não discriminatória. Constituir grupo de trabalho para a elaboração e construção das diretrizes e normatização dos serviços de responsabilização e educação dos agressores. |
| Metas 2012-2015 |
- Contribuir com a construção do Plano Nacional para a Prevenção e Redução de Homicídios.
- Contribuir para o aumento do número de presídios femininos adequados aos dispositivos das Leis 11.942/09 e 12.121/09 e aos demais direitos das mulheres em situação de prisão.
- Estabelecer parceria para inclusão da investigação dos casos de violência contra as mulheres na rotina dos Serviços de Inteligência Policial.
- Firmar parceria com o Sistema Único de Segurança Pública e Polícia Federal para viabilizar a ampliação da utilização dos instrumentos de combate aos crimes de violência sexual contra as mulheres, com destaque para o fortalecimento da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.
- Fomentar cooperação internacional, bilateral ou multilateral para o enfrentamento à violência contra as mulheres, bem como à exploração sexual e ao tráfico de pessoas, principalmente no tocante ao atendimento às mulheres.
- Incentivar a implementação de novos mecanismos de proteção e segurança às mulheres em situação de exploração sexual e tráfico de pessoas.
- Inserir mulheres nos espaços de participação popular e controle social da Segurança Pública.
- Integrar as mulheres participantes do Programa Mulheres da Paz às ações de prevenção e defesa dos direitos das mulheres nos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.
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| Iniciativas |
- 049M - Apoio a iniciativas de cooperação entre as mulheres participantes do Programa Mulheres da Paz e os Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência para a promoção e defesa dos direitos,em especial para o enfrentamento à violência contra as mulheres.
- 049N - Articulação, junto aos órgãos responsáveis, para o combate à impunidade dos autores de crimes contra as mulheres, em especial nos casos de homicídio, para a responsabilização institucional nos casos de violência contra as mulheres e para o fortalecimento da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, visando à identificação dos agressores, principalmente nos casos de violência sexual.
- 049O - Contribuição para a consolidação da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas ,implementação dos acordos bilaterais e multilaterais e construção de novos compromissos de cooperação para o atendimento das mulheres brasileiras em situação de violência, tráfico de pessoas e exploração sexual no exterior.
- 049P - Incentivo à presença das mulheres nos espaços de participação popular e controle social da Segurança Pública, na perspectiva de ampliar a articulação das demandas das mulheres e nas questões referentes ao enfrentamento à violência contra as mulheres junto à Segurança Comunitária e Cidadã.
- 049Q - Incentivo e contribuição para a implantação dos serviços de responsabilização e educação do agressor.
- 049R - Promoção dos direitos das mulheres em situação de prisão e articulação, junto aos órgãos responsáveis, para assegurar a humanização nesses equipamentos e a oferta de espaços físicos adequados.
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|
II PNPM PRIORIDADES
|
4.2. Garantir a implementação da Lei Maria da Penha e demais normas jurídicas nacionais e internacionais; (Ação 4.2.2. Criar Serviços de Responsabilização e Educação do Agressor.)
4.5. Garantir o enfrentamento da violência contra as mulheres, jovens e meninas vítimas do tráfico e da exploração sexual e que exercem a atividade da prostituição;
4.6. Promover os direitos humanos das mulheres encarceradas.
|
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II PNPM Metas Capitulo 4
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Meta B – Capacitar 170 mil profissionais das áreas de segurança pública, saúde, educação, assistência social, justiça e demais áreas da rede de atendimento;
Meta J – Assegurar a existência de estabelecimentos penais femininos dentro de padrões físicos e funcionais que assegurem a dignidade das detentas, nas 27 unidades da federação;
Meta K – Assegurar a existência de pelo menos um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em todos os municípios brasileiros;
Meta L – Habilitar 100% das UFs para a Atenção Integral à Saúde das presidiárias e das adolescentes em conflito com a lei.
|
Enfim, analisando o programa de Políticas para as Mulheres: Enfrentamento à Violência e Autonomia e tendo como referência o PPA atual (retratado no II PNPM) podemos dizer que esse novo instrumento de planejamento da política pública, proposto para o quadriênio 2012-2015 é melhor do que o que temos hoje. Lembramos que além das revisões anuais do PPA, a proposta do Executivo é que o governo tenha amplos poderes para modificar, por decreto, os atributos dos Programas, Assim, a próxima Conferência Nacional tem condições de definir nossa pauta e prioridades para as políticas públicas governamentais.
Contraditoriamente, houve uma redução substantiva dos recursos para a SPM no Projeto de Lei Orçamentária para 2012. Há uma intenção de retrocesso manifesta, pois os recursos propostos foram reduzidos pela metade.
A luta para financiar as políticas para as mulheres sempre foi dura
Há muitos anos, o enfrentamento da violência contra as mulheres é uma ação desenvolvida pelo organismo governamental encarregado dos direitos e das políticas para as mulheres.
Desde 1995, a tendência geral tem sido de aumento do volume de recursos aportados. A incidência política do movimento feminista e de mulheres no Legislativo, articulada com a Bancada Feminina no Congresso Nacional e com a Secretaria de Políticas para as Mulheres é responsável, em grande medida pela ampliação de recursos autorizados.
O volume de recursos proposto pelo governo nos PLOA´s, não só para o programa Prevenção e Enfrentamento da Violência Contra as Mulheres como para os outros programas a cargo da SPM invariavelmente tem sido bem menor do que aquele aprovado pelo Congresso Nacional, como pode-se constatar na tabela a seguir (ver coluna PLOA = proposta governo e coluna LOA/Dotação Inicial = aprovado Congresso).
| PROGRAMA 156 - PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES (Valor Histórico) |
| Ano |
PLOA |
LOA- Dotação Inicial |
Autorizado |
Liquidado |
LOA Dotação Inicial/PLOA |
Autorizado/Dotação Inicial |
Liquidado/Autorizado |
| 1995* |
|
99.600 |
247.708 |
239.298 |
|
249% |
97% |
| 1996* |
|
1.283.350 |
1.283.350 |
108.622 |
|
100% |
8% |
| 1997* |
|
3.050.300 |
1.854.058 |
366.627 |
|
61% |
20% |
| 1998* |
|
503.820 |
410.000 |
362.648 |
|
81% |
88% |
| 1999* |
|
8.147.000 |
3.147.000 |
1.168.388 |
|
39% |
37% |
| 2000* |
|
2.455.000 |
2.455.000 |
1.087.219 |
|
100% |
44% |
| 2001** |
5.483.750 |
5.483.750 |
5.167.678 |
2.276.973 |
100,0% |
94% |
44% |
| 2002** |
3.700.000 |
4.625.000 |
4.625.000 |
3.340.186 |
125,0% |
100% |
72% |
| 2003** |
10.915.440 |
24.135.440 |
21.435.740 |
4.017.870 |
221,1% |
89% |
19% |
| 2004** |
7.200.000 |
10.760.000 |
10.527.853 |
6.069.533 |
149,4% |
98% |
58% |
| 2005** |
8.222.338 |
10.135.098 |
10.135.098 |
8.100.344 |
123,3% |
100% |
80% |
| 2006** |
5.675.000 |
10.116.111 |
14.115.837 |
8.331.237 |
178,3% |
140% |
59% |
| 2007** |
8.109.007 |
23.309.007 |
23.545.281 |
17.452.419 |
287,4% |
101% |
74% |
| 2008** |
28.500.000 |
28.833.500 |
28.833.500 |
25.378.902 |
101,2% |
100% |
88% |
| 2009 |
28.844.000 |
40.909.000 |
40.909.000 |
39.150.233 |
141,8% |
100% |
96% |
| 2010 |
26.050.000 |
40.270.000 |
41.250.000 |
35.293.644 |
154,6% |
102% |
86% |
Fonte: Siga Brasil. Elaboração CFEMEA
(*) programa intitulado Defesa dos Direitos da Mulher (1995-1999) (**) programa intitulado Combate à Violência contra a Mulher (2001-2008)
A baixa execução orçamentária de 2011
Em relação ao programa Prevenção e Enfrentamento da Violência Contra as Mulheres, até 26 de outubro de 2011, a SPM tinha empenhado menos da metade (47%) de seus recursos e apenas 19% tinham sido liquidados, o que caracteriza uma baixa execução.
| 0156 - PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES - LOA 2011 execução orçamentária |
| Prg 156 |
PLOA |
LOA- Dotação Inicial |
Autorizado |
Empenhado |
Liquidado e Pago |
LOA Dotação Inicial/PLOA |
Empenhado/ Autorizado |
Liquidado/Autorizado |
| Até 26/10/2011 |
25.800.000 |
36.916.122 |
36.916.122 |
17.289.806 |
7.054.154 |
43% |
47% |
19% |
Fonte: SIGA BRASIL. Elaboração CFEMEA
| Valores previstos no PLOA 2012 para o Programa: 2016 - POLÍTICAS PARA AS MULHERES: ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA E AUTONOMIA (R$1,00) |
| Ação + Subtítulo |
GND (Cod) |
Mod. Aplic. (Cod) |
PL |
| CAPACITAÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES - NACIONAL |
3 |
30 |
1.113.000 |
| 3 |
40 |
630.000 |
| 3 |
50 |
357.000 |
| PUBLICIDADE DE UTILIDADE PÚBLICA - NACIONAL |
3 |
90 |
4.500.000 |
| PRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES, ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE AS MULHERES - NACIONAL |
3 |
50 |
350.000 |
| 3 |
90 |
1.900.000 |
| AMPLIAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA REDE DE SERVIÇOS DE ATENDIMENTO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA - NACIONAL |
3 |
30 |
4.832.300 |
| 3 |
40 |
4.202.000 |
| 3 |
50 |
945.450 |
| 3 |
90 |
525.250 |
| 4 |
30 |
5.586.750 |
| 4 |
40 |
3.008.250 |
| CENTRAL DE ATENDIMENTO À MULHER - LIGUE 180 - NACIONAL |
3 |
90 |
7.184.000 |
| APOIO A INICIATIVAS DE FORTALECIMENTO DOS DIREITOS DAS MULHERES EM SITUAÇÃO DE PRISÃO - NACIONAL |
3 |
30 |
275.200 |
| 3 |
40 |
240.800 |
| 3 |
50 |
172.000 |
| 4 |
30 |
50.400 |
| 4 |
40 |
61.600 |
| APOIO A INICIATIVAS DE REFERÊNCIA NOS EIXOS TEMÁTICOS DO PLANO NACIONAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES - NACIONAL |
3 |
30 |
732.375 |
| 3 |
40 |
1.116.000 |
| 3 |
50 |
767.250 |
| 3 |
90 |
1.082.500 |
| 4 |
30 |
813.750 |
| 4 |
40 |
348.750 |
| INCORPORAÇÃO DA PERSPECTIVA DE GÊNERO NAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS E CULTURAIS - NACIONAL |
3 |
90 |
1.300.000 |
| APOIO À CRIAÇÃO E AO FORTALECIMENTO DE ORGANISMOS DE PROMOÇÃO E DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER - NACIONAL |
3 |
30 |
486.000 |
| 3 |
40 |
502.200 |
| 3 |
50 |
388.800 |
| 3 |
90 |
243.000 |
| 4 |
30 |
216.000 |
| 4 |
40 |
648.000 |
| 4 |
50 |
216.000 |
| INCENTIVO À AUTONOMIA ECONÔMICA E AO EMPREENDEDORISMO DAS MULHERES - NACIONAL |
3 |
30 |
2.925.000 |
| 3 |
40 |
3.405.590 |
| 3 |
50 |
5.299.410 |
| 4 |
30 |
1.850.000 |
| 4 |
40 |
1.020.000 |
| FORTALECIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DE MULHERES NOS ESPAÇOS DE PODER E DECISÃO - NACIONAL |
3 |
30 |
116.000 |
| 3 |
40 |
145.000 |
| 3 |
50 |
203.000 |
| 3 |
90 |
116.000 |
| APOIO A INICIATIVAS DE PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES - NACIONAL |
3 |
30 |
703.800 |
| 3 |
40 |
449.650 |
| 3 |
50 |
586.500 |
| 3 |
90 |
215.050 |
| 4 |
30 |
207.000 |
| 4 |
40 |
138.000 |
| |
|
|
62.174.625 |
Fonte: SIGA Brasil - www.senado.gov.br/siga.
Pegando um exemplo do Programa de Políticas para as Mulheres que está bem delimitado como a Central de Atendimento 180, prevista no PPA 2012-2015, no Objetivo de atendimento às mulheres em situação de violência, onde tem-se:
INDICADOR
- Proporção de atendimentos do Ligue 180 relacionados à violência contra a mulher.
METAS
- Ampliar a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 para o atendimento internacional;
- Realizar capacitação permanente de 100% das atendentes da Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 no tema da violência contra as mulheres, com destaque às especificidades das mulheres do campo e da floresta, negras, indígenas e lésbicas.
INICIATIVA
- 049U - Fortalecimento e divulgação da Central de Atendimento a Mulher - Ligue 180, com a ampliação para o atendimento internacional e como fonte de dados sobre a violência contra as mulheres.
Por outro lado, no PLOA 2012 temos a previsão de R$ 7.184.000,00, para despesas correntes, aplicados diretamente pela União, para a Ação orçamentária de código número 8831 - Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 - Nacional. Essa não correspondência dos códigos, ilustra o grau de dificuldade encontrado para saber como as metas especificadas no PPA estão sendo cumpridas e qual o montante de recursos gasto na obtenção das metas estabelecidas. Pergunta-se: esses R$ 7 milhões previstos para 2012, referem-se apenas à manutenção da Central ou também inclui a capacitação permanente, a expansão internacional, a ampliação como fonte de dados e produção estatística?
Esse exemplo em uma ação bem pontual e delimitada, faz antever as dificuldades que a SPM e os movimentos de mulheres terão para monitorar as políticas públicas, caso não se implante um sistema de monitoramento eficaz.
O conjunto de indicadores do Programa de Políticas para as Mulheres, como definido no PPA, nem contempla a análise da política e nem a eficiência da SPM. Agrupando os indicadores do Programa Políticas para as Mulheres: Enfrentamento à Violência e Autonomia nos mesmos itens que classificamos os objetivos, ou seja: Violência, Autonomia, Direitos Sociais (saúde, educação, cultura etc) e Gestão Governamental, temos:
Violência:
- Número de serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência;
- Proporção de atendimentos do Ligue 180 relacionados à violência contra a mulher;
- Proporção de municípios com serviço especializado de atendimento às mulheres em situação de violência;
- Taxa de conhecimento da Lei Maria da Penha.
Veja abaixo a serie histórica.
| 156 - PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES |
| |
PLOA |
LOA Dotação Inicial |
Autorizado |
Liquidado |
LOA Dotação Inicial/PLOA |
Autorizado/ Dotação Inicial |
Liquidado/ Autorizado |
| 1995* |
|
99.600 |
247.708 |
239.298 |
|
249% |
97% |
| 1996* |
|
1.283.350 |
1.283.350 |
108.622 |
|
100% |
8% |
| 1997* |
|
3.050.300 |
1.854.058 |
366.627 |
|
61% |
20% |
| 1998* |
|
503.820 |
410.000 |
362.648 |
|
81% |
88% |
| 1999* |
|
8.147.000 |
3.147.000 |
1.168.388 |
|
39% |
37% |
| 2000* |
|
2.455.000 |
2.455.000 |
1.087.219 |
|
100% |
44% |
| 2001** |
5.483.750 |
5.483.750 |
5.167.678 |
2.276.973 |
100% |
94% |
44% |
| 2002** |
3.700.000 |
4.625.000 |
4.625.000 |
3.340.186 |
125% |
100% |
72% |
| 2003** |
10.915.440 |
24.135.440 |
21.435.740 |
4.017.870 |
221% |
89% |
19% |
| 2004** |
7.200.000 |
10.760.000 |
10.527.853 |
6.069.533 |
149% |
98% |
58% |
| 2005** |
8.222.338 |
10.135.098 |
10.135.098 |
8.100.344 |
123% |
100% |
80% |
| 2006** |
5.675.000 |
10.116.111 |
14.115.837 |
8.331.237 |
178% |
140% |
59% |
| 2007** |
8.109.007 |
23.309.007 |
23.545.281 |
17.452.419 |
287% |
101% |
74% |
| 2008** |
28.500.000 |
28.833.500 |
28.833.500 |
25.378.902 |
101% |
100% |
88% |
| 2009 |
28.844.000 |
40.909.000 |
40.909.000 |
39.150.233 |
142% |
100% |
96% |
| 2010 |
26.050.000 |
40.270.000 |
40.270.000 |
22.288.524 |
155% |
100% |
55% |
(*) programa intitulado Defesa dos Direitos da Mulher (1995-1999) (**) programa intitulado Combate à Violência contra a Mulher (2001-2008)
(1) PRONASCI: A revisão necessária, Inesc/CFEMEA, 2011. (2) Ver Emenda Constitucional nº 45, em 2004 e o Pacto por um Judiciário mais Rápido e Republicano, assinado entre o Executivo e os Poderes Legislativo e Judiciário. (3) Ver analise dos outros programas do PPA, no site do cfemea. www.cfemea.org.br. (4) Ação 2C52 - Ampliação e Consolidação da Rede de Serviços Especializados de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência.
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