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Mulheres trabalhadoras em luta pela Previdência Social PDF Imprimir E-mail
Sex, 10 de Dezembro de 2010

Para mudar a sociedade do jeito que a gente quer, sem medo de ser mulher

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Centenas de mulheres trabalhadoras estiveram em Brasília nos dias 1 e 2 de dezembro para realizar um acampamento Paralelo em Defesa da Seguridade Social, durante a Conferência Mundial sobre Sistemas Universais de Seguridade Social. O acampamento construído ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães foi idealizado para ser um espaço de diálogo, denúncia, articulação e formação política.

Presentes estavam as trabalhadoras informais, mulheres negras trabalhando em condições precárias e insalubres, sem proteção social porque estão à margem do sistema contributivo de previdência social: catadoras, ambulantes, feirantes, donas de casa, que realizam o trabalho que sustenta o mundo e até hoje segue sem reconhecimento de seu valor e seus direitos.

Trabalhadoras domésticas, vivendo relações de trabalho marcadas pela discriminação, a grande maioria sem acesso à previdência, e ainda hoje com 27 direitos a menos que as demais categorias de trabalhadores(as).

Trabalhadoras do campo que produzem a grande parcela dos produtos que alimentam nosso país, com os direitos constantemente ameaçados e muitas vezes não reconhecidos e sem acesso pleno à saúde. Durante o Acampamento, as trabalhadoras testemunharam sobre as dificuldades de cada categoria e unânimes se colocaram sobre a importância da Seguridade Social e da luta por direitos. Isabel Freitas, da Marcha Mundial de Mulheres, em seu debate afirmou: “Não podemos nascer sem direitos e morrer sem direitos”. Isabel disse ainda que o maior desafio é lutar pra combater o modelo capitalista existente na sociedade.”Queremos uma divisão justa da renda e da riqueza deste país, e fortalecer o sistema público de Previdência Social”, declarou.

Verônica Ferreira, representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e do SOS Corpo, explicou a todas as mulheres presentes no Acampamento sobre a importância do que estava sendo discutido lá dentro do Centro de Convenções por representantes de países de todo mundo, durante a Conferência Mundial sobre Sistemas Universais de Seguridade Social. “Não aceitamos que a solução para a crise econômica e para o desenvolvimento sejam os nossos direitos. A Seguridade Social é nossa por direito! Vamos continuar na luta enquanto nós mulheres trabalhamos demais e temos direitos de menos”!

Natalia Mori, diretora colegiada do Cfemea, ressaltou que milhões de trabalhadoras seguem sem direitos à Previdência Social, principalmente mulheres e a população negra. Aqui neste Acampamento Nacional das mulheres pela Previdência Social estão reunidas as mais diferentes categorias profissionais que presentes testemunharam a suas experiências. “E juntas aclamamos que a nossa luta é todo dia, a Seguridade não é mercadoria”, afirma Natalia.

No segundo dia do Acampamento, as mulheres trabalhadoras fizeram uma manifestação com faixas e gritos de lutas até o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde estava ocorrendo a Conferência Mundial sobre Sistemas Universais de Seguridade Social. A carta elaborada durante o Acampamento foi lida para representantes de todo o mundo presentes na I Conferência. Veja a carta dos movimentos de mulheres para a I conferência mundial sobre o desenvolvimento de sistemas universais de seguridade social. Veja também o convite para a atividade autogestionada e a carta elaborada pelo FIPSS à presidenta Dilma.

E Regina conta sua história

“Meu nome é Regina Simão, desde os oito anos trabalho como doméstica. Lembranças estão claras na minha mente até os dias de hoje. Lembro que o fogão era tão alto que precisava de um banquinho para subir e cozinhar. Naquela época não existiam direitos nenhum. A gente entrava com uma saúde perfeita na casa e ao longo do tempo vinham os problemas de saúde, devido àquele trabalho penoso, e saímos doentes. E doente nos descartavam. Tínhamos uma jornada trabalhista bem maior que oito horas. O trabalho doméstico é um trabalho que adoece. Eu cansei de ser Amélia.

Fui casada por 19 anos, e sofri muito no meu primeiro casamento. Hoje sou Regina, mulher, guerreira e trabalhadora. Carregarei na memória a musica cantada aqui no Acampamento, e passarei ela ao meu companheiro: João, João cozinha teu feijão; Zeca, Zeca lava tua cueca; Tião, Tião, com violência não; Zequinha, Zequinha só com camisinha; Simone, Simone bota a boca no trombone; Cristina, Cristina olha a tua vagina; Mulher, lutar para a previdência conquistar”.

Todas essas trabalhadoras fazem parte dos movimentos de mulheres articulados no Fórum Itinerante das Mulheres em Defesa da Seguridade Social – FIPSS, que desde 2007 estão em permanente mobilização, por todo o Brasil, em defesa da proteção social ao trabalho das mulheres, da população negra e dos segmentos hoje inseridos nos setores mais precários do mundo do trabalho e totalmente submetidos a mais absoluta desproteção.

Mulheres sem direito à Seguridade Social

  • 68% das trabalhadoras rurais são consideradas inativas;
  • 70% da população informal são formadas por mulheres;
  • Milhões de mulheres trabalham como vendedoras sem nenhum direito trabalhista;
  • 100% das mulheres pescadoras não recebem Seguridade Social;
  • As donas de casa defendem a implementação da aposentadoria;
  • A maioria das mulheres negras se emprega como trabalhadoras domésticas.
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