Guacira Cesar de Oliveira

Às vésperas da Rio+20, o movimento de mulheres e feminista somou esforços com movimentos sociais de todo o mundo para alertar: essa estória de “economia verde”, de verde mesmo não tem nada. Usam esse nome da mesma maneira invertida que aquela propaganda do cartão de crédito tenta nos convocar a comprar cada vez mais, dizendo que as coisas importantes da vida não têm preço. Eles querem poder enganar todo mundo o tempo todo. Mas não vão.

Antecedendo a Rio+20, vai se realizar, na mesma cidade do Rio de Janeiro, a Cúpula dos Povos. Será um encontro de ativistas dos movimentos sociais, vind@s de todos os continentes do mundo. El@s e tod@s nós brasileir@s estaremos lá mobilizad@s, denunciando a falácia da economia verde. Mas muito mais que isso, estivemos, estamos e estaremos debatendo e construindo alternativas, com ousadia, com solidariedade. Motivadas pelo desejo, pela autodeterminação de construir agora um futuro onde tod@s tenhamos futuro, onde tod@s tenhamos direitos.

A Cúpula dos Povos será articulada em torno a três eixos: (1) “Denúncia das causas estruturais das crises, das falsas soluções e das novas formas de reprodução do capital”, visto que a conferência oficial não está enfrentando as verdadeiras causas das problemáticas ambientais e sociais. (2) “Soluções e novos paradigmas dos povos”, pois soluções e propostas para o desenvolvimento sustentável já existem e precisam ser visibilizadas e apoiadas. (3) “Articulação pós-Rio+20 dos processos de luta anticapitalista, antipatriarcal e antirracista através de campanhas e ações” e, nesse sentido, a Cúpula será um momento de convergência das agendas de lutas dos movimentos sociais em nível global.

O movimento de mulheres, feminista e antirracista vai estar lá para denunciar essa falácia “de crescimento verde com inclusão social”, mostrando que a natureza não é um bem de capital, um capital natural que pode ser apropriado por interesses privados de grandes corporações empresariais para expandir os seus lucros.

Vamos lá afirmar que os bens da terra e da humanidade são comuns, são de tod@s e por isso, não podem e não devem ser privatizados. Estaremos lá para dizer que os nossos corpos de mulheres são nossos territórios, não admitimos que sejam explorados, invadidos, violados, nem destituídos de direitos.

Conhecemos bastante bem essa lógica capitalista de dominação e exploração da natureza. Sabemos bastante sobre como eles separaram a natureza da razão, e os corpos dos espíritos. Sofremos na nossa própria pele as consequências de sermos colocadas - nessa dualidade, que eles criaram - mais próximas da natureza e do corpo e mais distante da razão e do espírito.

Nossos corpos de mulher, racializados e com atribuições de gênero determinadas, têm sido concebidos, nessa razão capitalista, patriarcal e racista, naturalmente destinados à subordinação, à exploração, à mercantilização, à sujeição, como fazem com a própria natureza.

Vamos à Cúpula dos Povos, somar esforços e potencializar as nossas forças. Essas forças com as quais temos pautado o debate político pela justiça socioambiental, gerado transformações culturais profundas, e nos afirmado como sujeit@s políticas e sujeit@s de direitos.

Sabemos que os debates na Conferência Oficial vão exatamente no caminho oposto. Basta dizer que o documento político que está em debate por todos os países cita 55 vezes a dimensão econômica, e apenas 7 vezes a questão ambiental. Se estão completamente focados na economia, queremos dizer, ademais, que a economia verde não nos serve, porque queremos uma economia voltada para a vida, não para o lucro do capital.

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