Mulheres em movimento - essa é a cara dessa edição. Afinal, nós mulheres somos políticas, queremos fazer política, ocupando espaços nas esferas de poder e decisão e demandando nossos direitos. Exemplo disso foi a Marcha das Margaridas, que reuniu, na capital brasileira, nos dias 16 e 17 de agosto, cerca de 70 mil mulheres do campo vindas de todas as regiões do país para mostrarem seu protagonismo na luta por seus direitos.

A Marcha das Margaridas de 2011 foi uma lição de política para o mundo aprender como a garra, a pluralidade, a organização coletiva, a autogestão, e a disposição política podem fazer a diferença, gerando solidariedade entre as mulheres do campo e da cidade, fortalecendo a nossa luta por políticas públicas e pela democratização do poder. Com o lema “Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade” as Margaridas - homenagem à trabalhadora rural paraíbana, Margarida Alves, assassinada por exigir respeito aos direitos d@s campones@s - coloriram com seus maravilhosos chapéus de palha, de folha de bananeira, de pano, o céu azul e o solo seco do cerrado brasiliense. Nessa edição, damos destaque à entrevista com Carmen Foro, líder sindicalista e coordenadora da Marcha das Margaridas, que nos conta sobre o processo de mobilização, os temas, as pautas e conquistas.

As mulheres estão em movimento também para incidir no Plano Plurianual 2012-2015. Como se sabe, o primeiro ano de um novo governo é o momento de definir as políticas públicas; neste mandato da presidenta Dilma, os movimentos de mulheres têm estado presentes e atuantes no diálogo com os Poderes Públicos, apresentando propostas concretas para que as políticas públicas não sejam reprodutoras de desigualdades entre mulheres e homens. Uma das propostas nesse sentido é relacionada à infraestrutura social para o cuidado: queremos creches, escolas em tempo integral, restaurantes populares, casa de repouso, hospitais-dia; queremos equipamentos sociais que permitam às mulheres se liberarem de tempo para se dedicarem a outras atividades.

Como as políticas públicas podem alterar a divisão sexual do trabalho? Como evitar que tais políticas não se apoiem sobre o trabalho doméstico não-remunerado das mulheres para garantir sua eficiência? A divisão das tarefas domésticas e de cuidado não é uma questão privada, cuja resolução (ou não) pode ficar restrita ao grupo familiar. A matéria de capa desta edição fala sobre a economia do cuidado, debate fundamental para a agenda feminista, que precisa ser amadurecido e debatido dentro do movimento de mulheres.

E a movimentação não termina por aí. A página 3 fala dos resultados da ação das mulheres trabalhadoras domésticas, sindicalistas, com a nova convenção da OIT sobre trabalho doméstico (nº 189), aprovada em junho, em Genebra. Para que essa agenda avance, será preciso que todas nós nos movimentemos para cobrar do Executivo e do Legislativo Federais a aprovação da convenção.

Aproveitando os embalos e movimentos das Margaridas, cerca de 500 feministas permaneceram em Brasília para a realização da assembleia da Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. Animadas com a decisão da Marcha das Margaridas de discutirem o tema dos direitos sexuais e reprodutivos e com a aprovação de proposta para garantir o direito ao aborto seguro para todas as mulheres que dele o necessitarem, a Frente foi tema de uma audiência pública no auditório do Senado federal da comissão de Direitos Humanos, via a subcomissão da mulher. Na ocasião, denunciamos as proposições legislativas que criminalizam as mulheres pela prática do aborto, as tentativas de prisão de mulheres e traçamos estratégias para a ampliação da luta e para a legalização do aborto.

Também durante esses dias de muito movimento, houve o lançamento da iniciativa de projeto de lei popular para uma reforma política, puxado pela Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político e pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

Vamos seguir atuando em todos esses espaços pela ampliação de direitos, pela democratização, pela participação das mulheres em todas as esferas de poder e decisão! A proposta já está circulando e pronta para a coleta de assinaturas: www.reformapolitica.org.br

Desejamos a tod@s uma ótima leitura!

   
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