O CFEMEA foi criado em 1989, portanto, no esteio da reflexão e da prática política feminista acumulada até ali. Foi com muita disposição e ousadia política que começamos na luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. Passadas duas décadas, temos mais que maturidade, também ânimo e indignação para insistir em transformar o mundo pelo feminismo. Outro mundo, melhor, é possível!

Em 89, o ativismo das feministas latino-americanas já tinha feito história nas lutas contra as ditaduras na nossa região. Data de 1981, o primeiro Encontro Feminista Latino-americano, realizado em Bogotá na Colômbia. Vinte e oito anos depois, agora, em março de 2009, no México, vai se realizar o 11º Encontro.

Nos anos 90, nós feministas afirmamos de diversas maneiras e em muitas reivindicações "Sem as mulheres (todas e cada uma delas) os direitos não são humanos!". Estava aberto o Ciclo Social das Nações Unidas. E a incidência política feminista brasileira e latino-americana sobre a construção dos acordos e Plataformas de Ação das Nações Unidas abriu arenas importantes para a luta por direitos.

Nossas conquistas foram além dos pactos e acordos consolidados na ONU. Os fóruns da sociedade civil, paralelos às conferências oficiais, que organizamos como feministas constituíram-se em espaços de intercâmbio de experiência. Compartilhávamos daquele mesmo momento histórico, mas nossas realidades eram, e continuam sendo, muito desiguais. Mulheres brancas, negras e indígenas; urbanas e rurais; trabalhadoras em geral e trabalhadoras domésticas... tínhamos e continuamos a ter necessidades diferenciadas. Enfim, somos brasileiras e latino-americanas e arrastamos uma história de colonialismo e escravagismo. Vivemos numa sociedade racista, eurocêntrica, patriarcal, capitalista. E falar da "mulher brasileira" no singular significava omitir os privilégios, escamotear as exclusões. Isso tudo para dizer que os conflitos que enfrentamos nos anos 90 dentro do movimento de mulheres foram fundamentais para o movimento crescer. Crescemos.

Foram essas lutas por igualdade, justiça, contra a discriminação, do começo dos anos 90, que alicerçaram a nossa participação ativa, como feministas latino-americanas, nas mobilizações do final desta década como as jornadas de Seattle, em 1999, as várias rodadas de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), a Campanha Tua boca é fundamental contra os fundamentalismos, lançada pela Articulação Feminista MarcoSul no próprio Fórum Social Mundial de 2002, para enfrentar a explosão do terror e da guerra detonados por Bin Laden e Bush.

A presença das mulheres e do feminismo no FSM 2009

Sem dúvida, foi marcante a presença feminista, desde a passeata de abertura do Fórum Social Mundial, em várias das 2.310 atividades realizadas, e também no debate com os cinco presidentes sul-americanos, quando a presença das três mulheres dos movimentos sociais - a sindicalista de Burkina Faso (África), Mamurata Cize, a indígena equatoriana Blanca Chancoso e a feminista e coordenadora do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense/AMB Maria das Graças - contrastou com as figuras masculinas de Lula, Evo Morales, Hugo Chávez, Fernando Lugo e Rafael Correia. No último dia, na Assembléia de Mulheres e em muitas das outras 31 assembléias realizadas, a militância feminista, de diferentes continentes do mundo, se fez presente, como portadoras de propostas feministas para a transformação social.

A Casa Feminista que, em Belém, reuniu aproximadamente 300 integrantes da Articulação de Mulheres Brasileiras, de 14 estados brasileiros, durante todos os dias do FSM, além de convidadas de outros países latino-americanos, foi um bom exemplo disto.

No território do Fórum, mais de 300 atividades de artes cênicas, plásticas, poesias, músicas, mesclando manifestações culturais e política, e acima de tudo, aprofundando a reflexão e a experimentação de uma outra cultura política para a transformação social. Durante dois dias, no Ginásio de Esportes da UFRA, foi essa a metodologia desenvolvida e o conteúdo debatido por provocação da Articulação Latino-Americana Cultura e Política.

Agora, em 2009, quando o CFEMEA completa seus 20 anos de existência, como organização feminista ficamos felizes de resgatar essa trajetória que percorremos dentro do movimento de mulheres e de reafirmar o nosso compromisso político, em consonância com a Declaração da Assembléia de Mulheres, aprovada em Belém (PA), durante o Fórum Social Mundial, onde feministas de todos os continentes do mundo declaramos: por nós e por todas, seguiremos comprometidas com a construção do movimento feminista como uma força política contra-hegemônica e um instrumento das mulheres para alcançar a transformação de suas vidas e de nossas sociedades, apoiando e fortalecendo a auto-organização das mulheres, o diálogo e articulação das lutas dos movimentos sociais

   
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