Marylucia Mesquita
Lésbica e feminista. Militante da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), integrando a Coordenação Colegiada de LBL/NE. Coordenadora Geral Executiva do DIVAS – Instituto em Defesa da Diversidade Afetivo-Sexual. Bolsista da Fundação Carlos Chagas, coordenando o projeto “Nosso corpo e nosso afeto nos pertencem: Diálogos sobre Direitos Sexuais entre feministas e lésbicas”.1 Ver a respeito: “Lesbianismo e Feminismo, uma dupla identidade”, de Marisa Fernandes. Anais XIII Encontro Nacional Feminista. João Pessoa, 2000. “Feminismo e Lesbianismo”, de Lenise Santana Borges e “Nosso corpo e nosso afeto nos pertencem: diálogos sobre direitos sexuais entre feministas e lésbicas”, de Marylucia Mesquita. Ambos disponíveis no Informativo Fazendo Gênero do Grupo Transas do Corpo. Ano VIII, nº 20. Julho a outubro/2004

Historicamente, a relação entre lesbianidade e feminismo foi permeada de tensões. São várias as análises a este respeito1. De forma breve, é importante destacar que, de um lado, apesar do feminismo ter considerado a sexualidade e a liberdade sexual como princípios de luta o debate foi abraçado, predominantemente, no campo das demandas/necessidades de mulheres heterossexuais. Fruto da expressão do patriarcado, a interdição do amor entre mulheres relegava essa vivência ao silêncio - ao espaço da invisibilidade. Mas, o feminismo enquanto pensamento crítico e prática política contribuiu para que, nós, mulheres, compreendêssemos que "nosso corpo nos pertence" e que devemos romper com a cultura patriarcal da esfera pública como espaço do masculino. E assim, autonomia, autodeterminação e liberdade passaram a ser conquistas essenciais para a constituição do sujeito político: movimento feminista.

Inspiradas nestes aprendizados, lésbicas feministas, começaram a pautar a lesbianidade no feminismo, sobretudo, no México e no Brasil, desde o final dos anos 1970. E nos idos dos anos 1990, constituímos como sujeito político o movimento de mulheres lésbicas. A exemplo das mulheres negras que vêm, ao longo de mais de uma década, fazendo incidência política no sentido de que o enfrentamento ao racismo seja incorporado à agenda política do movimento feminista, nós, lésbicas feministas estamos provocando os feminismos para desconstruir a invisibilidade lésbica e enfrentar a lesbofobia, presente não apenas na sociedade em geral, mas dentro do próprio movimento.

A nossa auto-organização como lésbicas, dentro e fora do movimento feminista tem contribuído para reoxigenar a radicalidade peculiar ao movimento. Radicalidade no sentido do questionamento da ordem patriarcal e ao mesmo tempo provocar o movimento feminista quanto à relevância do posicionamento público da defesa da livre orientação e expressão sexual. Afinal, a bandeira da legalização e descriminalização do aborto não é defendida apenas por feministas que já praticaram o abortamento. A defesa da livre orientação e expressão sexual precisa ser incorporada, efetivamente, na agenda política do movimento feminista de toda a América Latina e no Caribe. E este desafio não é privativo das mulheres que se relacionam afetivo-sexualmente com mulheres.

O 10º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho traz em sua programação a realização dos "Diálogos Complexos", momentos que pretendem pautar questões que há tempos os feminismos são provocados a debater, a aprofundar e a refletir. "Feminismo e lesbianidade: sexualidades e democracia" é um dos temas dos Diálogos. No meu ponto de vista, trata-se de uma conquista do movimento de mulheres lésbicas como sujeito político. E fica como um dos desafios que o movimento feminista o reconhecimento de que para radicalizar a democracia se faz necessário incorporar, efetivamente, em sua agenda política local, regional e internacional, como o fez com o aborto, ações propositivas contra a lesbofobia e a heterossexualidade compulsória que são expressões do poder patriarcal.

   
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